O QUE É BLAXPLOITATION ?


INTRODUÇÃO:

Nossa iniciativa tem por finalidade apresentar os principais conceitos do cinema, sem aprofundar ou mesmo discutir cada conceito, apenas mostrar cada um e colocar filmes de referência, para os interessados buscarem na prática, os conceitos aqui estabelecidos.

Fiquem com o conceito de hoje e não deixem de acessar os demais.

BLAXPLOITATION

Blaxploitation foi um movimento cinematográfico norte-americano que surgiu no início da década de 1970, que tinha como publico alvo, principalmente, os negros norte-americanos. . A palavra é uma junção de black ("negro") e explotaition ("exploração").

Características:

Esses filmes ganharam características próprias, eram dirigidos e/ou interpretados por atores negros, tinham trilhas sonoras sofisticadas e fantásticas, compostas por alguns dos maiores artistas da época e abarcavam muito mais coisa do que se pode ver à primeira vista. Os filmes blaxploitation geralmente têm um herói ou heroína afro americano que atua à margem das instituições e da lei. Para vencer suas batalhas, o herói blax jamais recorre à polícia ou a qualquer outro aparelho governamental, mas sim a grupos de ativistas negros, como o Panteras Negras.


Nos filmes, nenhuma instituição oficial é confiável ou tem interesse legítimo pelo que se passa nas comunidades afro americanas. Os problemas das comunidades negras só são resolvidos pela ação direta dos próprios membros dessa comunidade .

Alguns atores e atrizes se destacariam neste processo: Pam Grier, que se consagraria em Coffy (1973), de Jack Hill e 18 anos depois, em Jackie Brown de Quentin Tarantino;  Richard Roundtree de Shaft, o campeão de caratê Jim Kelly que contracenou com Bruce Lee em Operação dragão (1973), se destacaram como os principais artistas deste gênero; Shaft, dirigido por Gordon Parks lançado em 1971 com orçamento da MGM, foi o filme que mais se popularizou no gênero. O filme Com 007 Viva e Deixe Morrer, o oitavo da franquia James Bond, foi frequentemente referido como um filme blaxploitation. 


A origem do blaxploitation está lá atrás, nos acontecimentos que transformaram a vida dos afro americanos no século XX, como o grande movimento migratório dos negros do sul segregacionista para os centros urbanos do norte, que também viviam em climas e segregacionista, porém, mais velado. A partir daí surgiram as grandes comunidades negras, mais tarde transformadas nos guetos retratados pelos criadores do cinema blaxploitation. O resultado desse êxodo foi o aparecimento da música antes do cinema negro. A indústria musical, cujo principal produto, o disco, requer gastos de produção bem menores que os de um filme, saiu na frente e registrou com sucesso as vozes negras desde o início. O blues e o jazz se tornaram rapidamente o esteio da indústria fonográfica norte- americana.

A presença das vozes afro americanas nas rádios e nos aparelhos de reprodução de discos pelo mundo afora mostrou a capacidade dos artistas negros de ocupar grandes espaços na cultura industrial, mas a indústria cinematográfica decidiu, com pequenas exceções, ignorar a experiência social e o talento dos artistas negros durante cerca de 50 anos.


Blaxploitation, uma exigência de mercado:

Um desejo, que veio a se tornar, pressão, de forma extra oficial, pedia pelo aparecimento de um movimento que retratasse a sociedade afro-americana nas telas de cinema em uma cultura que adquiriu um domínio tão completo da arte cinematográfica. O surgimento da briga pelos direitos civis e o basta que a comunidade negra queria dar à segregação racial foram importantes para isso, um processo que começou nos anos 50, e só ganharia a tela de maneira definitiva em 1971.

Apesar de experiências anteriores com produções com diretores e elenco totalmente negros (o primeiro filme assim data de 1919 e se chama The Homesteader), foi a aventura pessoal empreendida pelo fotógrafo e ativista Melvin Van Peebles, que é considerado o marco zero do blaxploitation. A produção Sweet Sweetback’s Badaaasss Song reunia pela primeira vez todas as características que definiram o gênero: produção independente de baixo orçamento, tendo como personagem principal um anti-herói negro em conflito com o poder estabelecido. E claro, uma trilha sonora matadora do Earth, Wind and Fire. 

A partir do filme de Melvin Van Peebles, e com a porta aberta graças às filas que o público formou nas portas dos cinemas para assistir a obra, a indústria cinematográfica percebeu que havia ali um nicho a ser explorado e abriu suas portas para que outras produções do mesmo estilo surgissem e a sequência de títulos se tornou longa, com filmes - alguns muito bons, outros nem tanto - surgindo na esteira dessa nova descoberta. Mas uma coisa que era quase unanimidade eram as ótimas trilhas sonoras que apareceram.


Claro que alguns filmes eram melhores que os outros, e esses se sustentam, tinham bons enredos e tudo mais. Nas trilhas foram as primeiras produções a darem chance para os grandes arranjadores de jazz e soul no cinema. Antes disso, só Quincy Jones havia aparecido. Depois veio Curtis Mayfield, Isaac Hayes, James Brown, Barry White, Marvin Gaye,Willie Hutch. Esses filmes refletiam a importância da música nas comunidades negras.

LISTINHA BÁSSSSICA DOS MELHORES


CLEOPATRA JONES (1973)

Uma sensual agente dos Estados Unidos, Cleópatra Jones (Tamara Dobson), opera no serviço de combate as drogas. Após supervisionar, na Turquia, a destruição de uma enorme plantação de papoulas, que seriam usadas para a fabricação de drogas que nas ruas valeriam US$ 30 milhões, Cleópatra enraivece "Mamãe" (Shelley Winters), uma conhecida traficante de drogas lésbica. Para se vingar de Cleópatra, Mamãe precisa que ela deixe a Turquia e volte para os Estados Unidos.

 Assim ela faz com que a polícia invada um centro de recuperação para viciados, administrado por Reuben Masters (Bernie Casey), que está envolvido com Cleópatra. Durante a batida a polícia acha droga com Jimmy Beekers (Jay Montgomery), um ex-viciado que afirma que a droga foi "plantada", mas é preso. Este fato provoca o retorno de Cleópatra, como Mamãe já havia previsto, mas uma coisa é ela voltar aos Estados Unidos e outra bem diferente é Cleópatra ser morta pelos capangas de Mamãe.

IMPLACÁVEIS ATÉ O INFERNO (1974)

Quando um amigo de Jimmy Lait aparece ferido, e depois é morto violentamente enquanto se recupera no hospital, o herói descortina o plano sinistro de um grupo de extrema direita, que pretende eliminar a raça negra dos Estados Unidos contaminando o sistema de abastecimento de água das grandes cidades com uma toxina letal apenas para negros! Para salvar sua raça do extermínio, Lait une-se aos amigos Jagger e Keyes para formar um exército de três homens e combater os extremistas.

Este é um dos filmes que melhor simboliza o carácter manifestamente “over the top” de grande parte dos filmes blaxploitation, assim como as suas concepções de natureza político social. Já do ponto de vista estritamente cinematográfico, esta é uma das obras mais marcantes do gênero por incluir 3 dos mais famosos atores dos filmes blaxploitation (Fred Williamson, Jim Brown, e Jim Kelly) para além de ser dirigida por um dos mais destacados realizadores do subgênero, Gordon Parks Jr.


BLACULA (1972)

Um decorador de interiores compra um caixão do príncipe africano Manuwalde (William Marshall) mordido pelo Conde Drácula (Charles Macaulay) séculos atrás e o traz para Los Angeles, em 1972. Dois colecionadores de antiguidades abrem o caixão e libertam Blácula na cidade. O vampiro encontra Tina (Vonetta McGee), que é a reencarnação de sua esposa Luva, e passa a fazer de tudo para conquistá-la. Um amigo de Tina, Dr.Gordon (Thalmus Rasulala), descobre que Blacula é um vampiro e resolve caçá-lo.

Enquanto o filme estava em pré-produção, William Marshall trabalhou junto com os produtores para desenvolver melhor seu personagem. Eles decidiram que o nome seria Mamuwalde em vez de Andrew Brown, o nome original, e criaram uma história anterior ao tempo em que se passa o filme, incluindo, o fato de Mamuwalde ser um príncipe africano.  

FOXY BROWN (1974)

Após a morte do seu namorado, Michael (Terry Carter), por gangsters liderados pelo perverso casal Steve Elias (Peter Brown) e Miss Katherine (Kathryn Loder), a bela Foxy Brown (Pam Grier) busca vingança. Usando seu corpo como forma de atração e sua arma como meio de matar, ela aceita um trabalho como prostituta de alta-classe para conseguir completar seus planos.

Clássico filme do ciclo blaxploitation (produções estreladas por negros e voltadas ao público negro norte-americano). Este, por acaso, realizado por um branco.


SUPER FLY (1972)

O extravagante traficante Priest (Ron O'Neal) repensa sua trajetória e percebe que se continuar nessa profissão não terá futuro. Disposto a mudar de vida ele decide fazer dinheiro com uma grande venda e fugir para sempre. O difícil sera colocar este ambicioso plano em prática e escapar com vida.

O filme foi financiado por dois dentistas e pelo pai do diretor, Gordon Parks, também cineasta e responsável por Shaft (1971), outro clássico do blaxploitation.

O imponente Cadillac Eldorado de Priest pertencia a um cafetão do Harlem, que aceitou emprestar o carro em troca de uma participação no filme. Ele aparece numa cena na boate.

O CHEFÃO DE NOVA YORK (1973)

Fred “The Hammer” Williamson é Tommy Gibbs, um jovem revoltado criado no gueto, que pouco a pouco vai tomando conta dos negócios do submundo do Harlem (Nova York). Cada dia mais ambicioso e agressivo, ele inevitavelmente se envolve com a Máfia e o resultado é uma sangrenta guerra de gangues.

O ex-jogador de futebol Williamson brilha no papel que tinha sido oferecido originalmente a Sammy Davis Jr.

Produzido pela American International Pictures e dirigido e escrito por Larry Cohen, este filme de 1973 é uma espécie de remake de “Alma no Lodo” (Little Caesar), clássico do cinema de gângster estrelado em 1931 por Edward G. Robinson.



No filme, um jovem órfão afro-americano (Mario Van Peebles) é levado para morar num bordel de Los Angeles na década de 1940, pelo proprietário. Enquanto trabalha lá, ele é estuprado por uma das prostitutas. As mulheres o chamam de "Sweet Sweetback" em homenagem a suas proezas sexuais e seu "membro" acima do tamanho normal. Anos depois, Sweetback  (agora interpretado por  Melvin Van Peebles ) trabalha fazendo apresentações no bordel, entretendo os clientes.

Melvin Van Peebles escreveu, dirigiu, produziu, protagonizou e compôs a trilha sonora do filme. Apesar de ter sido lançado em apenas duas salas em 1971, o filme acabou tornando-se um grande sucesso. Foi o filme independente mais lucrativo da época. Marco inicial do blaxploitation, juntamente com Shaft (1971).
A MÁFIA NUNCA PERDOA (1973)

O roubo de US$300.000 de um ponto da Máfia no Harlem, por três homens negros vestidos de policiais, desencadeia uma busca frenética em toda a cidade para encontrar os autores. Mattelli, um velho policial corrupto em fim de carreira, deve equilibrar sua ganância e a necessidade inerente de se fazer justiça quando vê um novato, Pope, assumir a investigação do caso. Agora, a dupla precisa correr contra o tempo para encontrar os responsáveis antes que a Máfia chegue até eles e os execute.


COFFY (1973)

A enfermeira Coffy (Pam Grier) tem visto de perto os efeitos colaterais das drogas, quando sua irmã mais nova se torna viciada em heroína. Finalmente a enfermeira aposta numa batalha contra os que envolveram sua irmã nas drogas. Disfarçada de prostituta, Coffy parte para a luta, primeiro indo atrás de traficantes e cafetões como o frágil King George (Robert DoQui), e gradualmente alcança os chefões. Ela fica chocada quando descobre que seu namorado (Booker Bradshaw) está envolvido.


O detetive John Shaft (Richard Roundtree) investiga uma guerra de gangues no Harlem quando é contatado por Bumpy Jonas (Moses Gunn), o líder da máfia negra. Bumpy quer que o detetive encontre sua filha, que foi sequestrada. Agora aliado do mafioso, Shaft descobre que o rapto foi coisa da máfia italiana, que deseja tomar o território dos negros.

Baseado no romance policial homônimo de Ernest Tidyman, publicado em 1970. Refilmado como Shaft (2000). Teve duas continuações: O Grande Golpe de Shaft (1972) e Shaft na África (1973), ambas com Richard Roundtree no papel do detetive.



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