DURO DE MATAR (1988) - FILM REVIEW

Como dito no post anterior, acabei de rever Predador e fui para Duro de matar, obra prima do cinema de ação, que redefiniu os caminhos do gênero. Na trama, John McClane (Bruce Willis) é um detetive de Nova York que está indo a Los Angeles para se encontrar com sua esposa (Bonnie Bedelia), que trabalha em uma empresa japonesa no Nakatomi Plaza. Chegando lá, é apresentado a diversas pessoas, entre elas o CEO da companhia, Joe Takagi. Entretanto, durante as festividades, um grupo de terroristas alemães, liderados por Hans Gruber, invade o prédio e sequestram todos os convidados, com a intenção de roubar US$ 640 milhões em ações. McClane escapa de ser aprisionado pelo grupo de Gruber e é o único que pode combater os terroristas.

Tudo é absolutamente memorável. Do pôster aos vilões. Do herói humano à trilha sonora. Dos fantásticos efeitos à direção precisa, passando pela dinâmica da história, que traz camadas a personagens que anteriormente eram colocados nestes filmes apenas para serem mortos. 

O pôster original de Duro de Matar não tinha a foto de Bruce Willis, contendo apenas a do prédio atacado por terroristas. A intenção dos produtores ao lançar este pôster era atrair as pessoas que não eram fãs de Bruce Willis, já conhecido nos Estados Unidos por seu trabalho na série de TV A Gata e o Rato. Apenas após a confirmação do sucesso do filme nas bilheterias em suas primeiras semanas de exibição é que um novo pôster, já com a foto de Willis, foi confeccionado.

Na época, o filme foi Indicado ao Oscar nas categorias de melhor edição, melhores efeitos visuais, melhor som e edição de som. Visto de hoje, o filme merecia ainda indicações de Melhor ator coadjuvante para Alan Rickman, além de melhor direção e porque não, filme. Num ano em que Rain Man venceu a outra obra prima Mississipi em Chamas, e com concorrentes apenas razoáveis como Um turista acidental, Ligações perigosas e Uma secretária de futuro (quase todos esquecidos pelo tempo), Duro de matar merecia mais espaço. Mas o tempo foi justo.

Um fato curioso aconteceu, com relação ao nome dos filmes concorrentes ao Oscar de 1989. Na primavera de 1987, o produtor Joel Silver e o diretor John McTiernan assistiram a uma apresentação da peça "Ligações Perigosas", na qual Alan Rickman interpretou o vilão Visconde de Valmont. Imediatamente, Silver e McTiernan perceberam que haviam encontrado Hans Gruber. 

Alan Rickman quase deixou passar o papel de Hans Gruber, que acabou sendo seu primeiro papel no cinema. Ele havia chegado a Hollywood apenas dois dias antes e estava chocado com a ideia de seu primeiro papel ser o vilão de um filme de ação. Até certo ponto, Rickman estava certo em se preocupar, considerando seu desempenho, já que Hans Gruber foi tão aclamado que o ator teve que lutar para ser rotulado como um interprete de vilões durante grande parte de sua carreira. 

O fictício Nakatomi Plaza era na verdade, um dos prédios da Fox na época, que estava realmente em construção como vimos no filme. Em um artigo para o 30º aniversário do filme, Bonnie Bedelia afirmou que a primeira coisa que ela pensa quando alguém menciona "Duro de matar" é Alan Rickman. Os dois se tornaram amigos e almoçavam juntos todos os dias durante as filmagens. Ela expressou o quão amável e gentil Rickman era na vida real. 

Minha história com o filme partiu de um fato único em minha vida cinéfila. Ele estreou no Brasil no final de 1988. Eu assisti na estreia com meus pais. Como eu tinha doze anos, eu fui com eles, só que por algum infortúnio, chegamos atrasados, precisamente aos 33 minutos, na cena em que os vilões entram no cofre (no momento em que o símbolo na Nakatomi aparece no tapete, para ser mais exato). Eu nunca havia entrado em um filme com tanto atraso e isto numa mais aconteceu.

O filme é cheio de erros que deram certo e improvisos que funcionaram. Por exemplo, a cena em que Bruce Willis e Alan Rickman se encontram não foi ensaiada para criar um sentimento maior de espontaneidade entre os dois atores. Nesta cena, Rickman se machucou. Ele deu um salto de uma saliência com cerca de um metro de altura, mas ao cair, danificou parte da cartilagem do joelho. Seu médico lhe disse para não colocar nenhum peso na perna e ele teve que usar muletas por uma semana. Para o resto da cena em que Hans Gruber está de pé e conversando com John, Alan está de pé em uma perna o tempo todo.

Em outro caso do erro que deu certo, na cena em que McClane cai em um poço foi um erro do dublê, que deveria agarrar a primeira abertura, conforme planejado originalmente. Ele escorregou e continuou a cair, mas a tomada foi usada de qualquer maneira. Editaram junto outra em que McClane agarra a próxima ventilação enquanto cai. 

A exaustão de Bruce Willis com sua agenda (ele também estava filmando A Gata e o Rato (1985)) forçou Steven E. de Souza a reforçar os papéis dos outros personagens, dando a personagens como Al Powell, Ellis, Argyle e Richard Thornburg mais personalidade e tempo de tela. E este fato é justamente um dos pontos altos do filme, algo que curiosamente, não foi planejado num primeiro momento. 

Muitos detalhes formam este "todo" admirado por décadas. Em um momento, duas situações nunca vistas no gênero ocorrem em sequência, com 1 hora e 11 minutos. Quando a polícia prepara para invadir o prédio, um membro da equipe tática esbarra numa planta com espinhos e reage ao ser espetado. Na cena seguinte, um dos terroristas (Al Leong) espera no prédio, pelo lado de dentro, de tocaia, atrás de uma bomboniere. Sorrateiramente, ele come uma barra de chocolate (Hershey's).

Aliás, dá para acreditar que por muitos anos, sites como IMBD e Wikipédia colocavam 12 terroristas na listas do grupo que ameaçava o prédio da Nakatomi? Pior ainda, no filme, por algumas vezes é citado como se fossem 12. Eu assisti ao filme 88 vezes e contei 12... até descobrir que eram 13, na verdade.

Ironicamente, Bruce Willis, desprezado por ser um herói totalmente americano pelo principal terrorista alemão, é na verdade mais alemão do que a maioria dos vilões. Alan Rickman era inglês e Alexander Godunov era russo. Bruce Willis nasceu em 19 de março de 1955, na Alemanha Ocidental, filho de pai americano e mãe alemã. 

Foi o próprio Willis, depois de ver o filme Dragster (1983), que recomendou Bonnie Bedelia após se encantar com a atuação da atriz naquele filme. Por sugestão do diretor John McTiernan, a Ode à Alegria de Ludwig van Beethoven (Nona Sinfonia, Quarto Movimento) é o tema musical dos terroristas. Hans Gruber, o líder terrorista, até canta isso em um ponto do filme (enquanto ele está no elevador com o Sr. Takagi). 

O compositor Michael Kamen a princípio pensou que era um "sacrilégio" usar Beethoven em um filme de ação, dizendo a McTiernan: "Vou fazer picadinho de Wagner ou Strauss para você, mas por que Beethoven?" McTiernan respondeu que a música havia sido o tema em Laranja Mecânica de Stanley Kubrick (1971). Kamen, um fã de Kubrick, então concordou. Um feliz argumento.

Enquanto fazia seu trabalho de diretor de fotografia no filme, o cineasta Jan de Bont ficou preso em um elevador. Posteriormente, foi a inspiração para a cena de abertura de Velocidade Máxima (1994) que dirigiu. 

No roteiro original, assim como no romance original, a ação ocorreu ao longo de três dias. Mas John McTiernan se inspirou para que acontecesse durante uma única noite por Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare. Eu li o livro na época, que comprei por conta de ser uma edição que continha o pôster do filme na capa. E lendo, meu cérebro deu um nó, já que o personagem tinha o nome de Joe Leland, e eu tinha uma incrível dificuldade de associá-lo ao filme. Clint Eastwood originalmente possuía os direitos do romance "Nothing Lasts Forever" de Roderick Thorp, no qual o filme é baseado, e planejava estrelar o filme no início dos anos 1980. 

Por pura coincidência, Hart Bochner, que interpreta Harry Ellis, é filho do ator Lloyd Bochner, que co-estrelou com Frank Sinatra em Crime sem perdão(1968), baseado no romance do escritor Thorp e dirigido por Gordon Douglas. Sinatra faz Joe Leland, mesmo personagem que no cinema se tornou McClane.

Perto do final do filme, Hans Gruber zomba de John McClane, dizendo que o conflito não terminaria como um faroeste americano com "Grace Kelly cavalgando para o pôr do sol com John Wayne". McClane o corrige e diz que ele se refere a Gary Cooper. O filme referenciado é Matar ou Morrer (1952), outro filme de ação sobre um herói solitário tendo que derrotar um grande grupo de inimigos em grande desvantagem numérica. 

William Atherton, o repórter mais mala do planeta, Walter Peck, fez Caça-fantasmas (1984), assim como Reginald VelJohnson.  Richard Edlund foi o responsável pelos efeitos, tanto de Duro de matar, quanto Caça-fantasmas. Wilhelm von Homburg (que faz o terrorista James) interpreta Vigo, em Os Caça-Fantasmas 2 (1989).  Wilhelm faleceu precocemente em 2004, vítima de câncer. Alan Rickman, também faleceu de forma precoce em 2016, também vitimado por um câncer. Já Alexander Godunov (Karl) morreu de  alcoolismo crônico em 1995, e não AIDS como muitos sugeriram por puro preconceito, já que ele era bailarino.

Em tempo, uma tradicional dança das cadeiras foi bem interessante no estágio de pré-produção. Clint desistiu do projeto para fazer Dirty Harry na lista negra, lançado em 1988. Robert de Niro, cotado para viver John, foi para outro projeto, lançado nos cinemas no mesmo dia que Duro de matar: Fuga à meia noite, outro sucesso da época. Travolta foi cotado, mas os produtores acharam que sua fase de sucesso havia passado. 

No ano seguinte, ele faria o megassucesso Olha quem está falando, que Bruce faz a voz de Mickey. Pouco tempo depois, atuariam novamente em Pulp Fiction: Tempo de Violência, filme que deu a Travolta os holofotes merecidos. E Richard Donner foi cotado para dirigir, por conta do sucesso de Máquina Mortífera, mas seu foco estava em "Os fantasmas contra atacam" e nos preparativos para começar a rodar Máquina Mortífera 2, lançado em 1989.

Para finalizar, uma curiosidade que jamais vou entender. Em 2021, uma série da Disney, continuação do filme de 1989, Uma dupla quase perfeita, foi disponibilizada no streaming. Reginald VelJohnson trabalha em ambos e em Duro de matar faz All Powell. Curiosamente, nesta série de 2021 trabalha uma atriz, Vanessa Lengies, que é a cópia carbono de Alan Rickman. 

Duro de matar se tornou maior que o tempo. Um tutorial de como realizar um filme de ação. Tanto que foi copiado diversas vezes (fiz um post sobre isto inclusive, leia aqui). Hoje é considerado, não só o maior filme de ação já feito, como é tido como a referência em produções que se passam no Natal.

Ho! Ho! Ho! Agora eu tenho uma metralhadora...


DURO DE MATAR

(Blu-ray com Luva)

• Produto exclusivo do site: www.colecioneclassicos.com.br
• Lançamento exclusivo da Obras primas, em parceria com a Cinecolor.

DISCO 01:

Filme

EXTRAS:

• Comentários em Áudio 
• Featurette 
• Galeria de Fotos 
• Trailers 
• Spots de TV

OUTRAS INFORMAÇÕES:

Título: Duro de Matar 
Ano de Produção: 1988
Título Original: Die Hard
Países de Produção: Estados Unidos 
Gênero: Ação
Direção: John McTiernan
Elenco Principal: Bruce Willis, Alan Rickman, Bonnie Bedelia.
Áudios: 5.1 DTS-HD MA (Inglês), 5.1 Dolby Digital (Português, Espanhol)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Formato de Tela: 2.35:1
Cor: Colorido
Duração Aproximada: 132 minutos
Região: A
Faixa Etária: 14 Anos, Contém: Violência, Tensão Atenuada.

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