IRMÃOS INIMIGOS (1953) - FILM REVIEW

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Muitos se lembram dos toscos filmes dos anos 80 em que usávamos às vezes em poucas cenas, aquele óculos de papel como "lentes" azuis e vermelhas. Eram tantas pérolas, que contamos nos dedos. Eu mesmo recordo de coisas como Hora do pesadelo 6, Sexta feira 13 parte 3, Amityville 3 e Tubarão 3 (reparem que aproveitavam até o ponto que a série de filmes estava para coincidir com o número 3).

Mas poucos se lembram do grande número de produções "B" feitas nos anos 50, quando houve um boom considerável dos filmes lançados (ou feitos) com a tecnologia 3D. Curiosamente, muitos destes eram filmes de faroeste ou aventura, ao contrário de hoje, que o grande chamariz são produções com muitos efeitos especiais. 

Irmãos Inimigos entra nesse hall de obras em 3D. Na história, Ben Warren (Rock Hudson) não suporta ver mais sangue derramado e ruma para Oeste em uma diligência com a sua noiva (Donna Reed) para reconstruir a sua vida. Porém, o seu comportamento pacífico é posto a prova quando o notório fora-da-lei Frank Slayton (Phil Carey) e sua gangue, que estavam viajando disfarçados, raptam a sua futura esposa. Deixado para morrer após um violento ataque, Ben sobrevive e se juntará a um ex-membro da gangue, rumando para o México em busca de vingança.

O diretor é Raoul Walsh, um dos grandes realizadores do cinema. Nascido em Nova York em 1887, era filho de um desenhista de uma famosa casa de moda masculina e passou sua infância no centro de Manhattan conhecendo grandes nomes da época que eram clientes do seu pai. Quando adolescente, foi morar no México e em Cuba até se tornar cavaleiro e vaqueiro no Oeste dos Estados Unidos da América. Estreou como vaqueiro em um filme do cinema mudo em 1914. 

Em 1924 foi contratado por Douglas Fairbanks para dirigir "O Ladrão de Bagdá" e a partir daí só parou de dirigir em 1964 quando fez "Um clarim ao longe".Nos últimos anos de sua vida ficou completamente cego mas mantinha o bom humor e dizia que ainda podia desfrutar do canto dos pássaros e do perfume das flores.

O astro do filme foi o saudoso Rock Hudson, o galã dos anos 50 e 60. Filho único de uma telefonista com um mecânico, após uma passagem pouco notável nos estudos, ele serviu de mecânico na guerra, para então, depois de findado o conflito, dar início a uma das carreiras mais marcantes do cinema. Sua estréia foi em Sangue, suor e lágrimas, num papel que faria inveja a Tommy Wiseau (aquele diretor e ator do filme The Room. Quem assistiu, sabe do que estou falando): uma única fala e ainda sim teve que repeti-la quase 40 vezes, porque ele simplesmente não conseguiu fazer direito. Hudson foi então treinado em atuação, canto, dança, esgrima, e montagem a cavalo, com os executivos da Universal vendo seu potencial.

O sucesso e o reconhecimento vieram um ano depois de Irmãos inimigos, com Sublime Obsessão. No filme, dirigido pelo pai do melodrama Douglas Sirk, Hudson vive Bob Merrick, um ricaço que tolamente faz seu barco de corrida naufragar. O grupo de salvamento o ressuscita com um equipamento, que não pode então ser usado para ajudar um herói local, Wayne Phillips, um médico, o que resulta na sua morte. Phillips tinha ajudado muitas pessoas e quando Merrick aprende o segredo dele, que é dar abnegadamente e secretamente, tenta isto do seu modo. Entretanto se apaixona pela viúva de Phillips, Helen (Jane Wyman), e sua persistência causa outra tragédia. Tentando refazer sua vida, Bob vai para uma faculdade de medicina, numa tentativa de corrigir sua vida e ganhar o amor de Helen.

Hudson trilhou um caminho conturbado em sua carreira, afetado pela vida pessoal. Ele era um grande símbolo sexual, mas que não poderia deixar escapar sua verdadeira orientação sexual. No início dos anos 1980, após anos de consumo excessivo de álcool e tabagismo, Hudson começou a ter problemas de saúde que resultaram em um ataque cardíaco em novembro de 1981. Talvez o grande problema de Hudson tenha sido por ter marcado os corações das mocinhas enquanto do lado de cá das telas, era gay. E isto era, definitivamente, um grande problema na época. Talvez por isto tenha se tornado depressivo e se afundou no álcool, porque não poderia simplesmente sair do armário e ser feliz.

Hudson foi diagnosticado com HIV em 5 de junho de 1984. Ele manteve sua doença em segredo, continuando a trabalhar e ao mesmo tempo viajar para a França e outros países em busca de uma cura, ou pelo menos um tratamento para retardar o avanço da doença. Depois que Hudson teve um colapso no Hotel Ritz em Paris, em 21 de julho, seu agente, Dale Olson, divulgou um comunicado afirmando que Hudson tinha um câncer de fígado inoperável. Em 25 de julho de 1985, a agente de Hudson confirmou que Hudson de fato tinha AIDS e havia sido diagnosticado há mais de um ano. Em 2 de outubro de 1985, Hudson morreu dormindo.

Irmãos inimigos

O filme foi baseado no romance Ten Against Caesar de Robert A. Granger e adaptado para as telas por Roy Huggins (um roteirista de TV indicado ao Emmy mais conhecido por O Fugitivo, Alma de Aço e falecido em 2002) e o escritor Irving Wallace ( O fã clube, As três sereias e também já falecido). O filme foi um dos cinco que Donna Reed fez em 1953, sendo que os outros quatro foram Sofrendo da bola, Corsário dos sete mares, Atalhos do destino e A um passo da eternidade (este último lhe rendeu o Oscar® de Melhor Atriz Coadjuvante).

A obra preenche todos os requisitos de um filme de gênero com orçamento modesto, desde a cena de abertura, que para os saudosistas é um deleite. Os belos cenários (filmados perto de Sedona, Arizona) são igualmente marcantes. Há também nomes marcantes como Lee Marvin (Blinky) e Neville Brand (Brazos). Ambos os atores aproveitam ao máximo seus papéis menores.

A versão que conhecemos é os efeitos 3-D. Mesmo imaginando ser divertido ver facas voando na câmera, pedras (imagem abaixo) ou a cena do bote da cobra (aos 35 minutos), o efeito não faz alguma e agrada em cheio aos fãs do gênero. 


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➤Informações do filme e da edição:

Elenco: Rock Hudson, Donna Reed, Phil Carey
Direção: Raoul Walsh
Produtor: Lewis J. Rachmil
Roteiro: Irving Wallace, Roy Huggins
Fotografia: Lester White
Direção de Arte: Ross Bellah
Ano de produção: 1953
Pais de Produção: Estados Unidos
Formato de tela: Fullscreen
Cor: Colorido
Duração Aprox.: 82 min.
Idioma: Inglês, Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português

Extras: Fotos e Cartazes. 

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