KING KONG (2005) - FILM REVIEW

Quando Peter Jackson aceitou fazer King Kong, após fazer história com "Senhor dos anéis", arrebatando o mundo e o Oscar (Retorno do Rei concorreu a 11 e venceu todos), sabia que tinha pela frente uma jornada tortuosa. Talento ele tinha de sobra, mas a admiração pelo filme de 1933 (dirigido por  Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack) é máxima, e o remake de 76 (realizado por  John Guillermin) é bastante cultuado.

O resultado desta empreitada, como a maioria sabe, é uma obra prima. E sua paixão pela história de Kong é a grande responsável. A reconstituição de época é impecável (concorreu ao Oscar) e os efeitos dignos do personagem (venceu o Oscar de efeitos  visuais, som e mixagem de som). A história, brilhantemente posicionada na mesma época do primeiro filme, mostra Ann Darrow (Naomi Watts), uma atriz de vaudeville, que enfrenta dificuldades para se sustentar, como vários outros americanos durante a Grande Depressão. 

Ela caminha pelas ruas de Manhattan pensando na possibilidade de trabalhar em um cabaré, até que a fome a faz roubar uma maçã. Ann é salva pelo cineasta Carl Denham (Jack Black), que oferece a ela o papel principal em sua próxima produção. Inicialmente indecisa Ann aceita a oferta após saber que o roteirista é o conceituado dramaturgo Jack Driscoll (Adrien Brody). 

Na verdade Carl está em apuros, já que o patrocínio para concluir seu filme inacabado foi cancelado e sua antiga atriz principal abandonou o projeto. Apesar dos problemas, Carl embarca a equipe e o elenco de seu filme no cargueiro fretado S.S. Venture. O objetivo da viagem é chegar na Ilha da Caveira, que tem a fama de abrigar uma raça perdida e várias criaturas consideradas extintas.

Inicialmente Peter Jackson planejava rodar King Kong logo após Os Espíritos (1996), mas devido a dificuldades em obter os direitos de adaptação (e dois filmes semelhantes, Godzilla (1998) e Poderoso Joe (1998), que seriam lançados na sequência) ele decidiu (com um empurrão da Universal, claro) dirigir primeiro a trilogia O Senhor dos Anéis, o que definitivamente, foi um acerto, já que o sucesso da adaptação de Tolkien tornou possível investir mais dinheiro em Kong, o que era essencial. 

Para se ter uma ideia, demorou aproximadamente 18 meses para criarem a versão CGI do Empire State Building. A verdadeira foi construída em quatorze meses. Se levarmos em conta o período de escavação da base, que começou em  22 de Janeiro de 1930, foram 16 meses, ainda assim, foi mais rápido que o mostrado no filme. 

O filme teve o maior número de tomadas de efeitos visuais da época,  cerca de 2.400. Supera o recorde estabelecido por Star Wars, Episódio III: A Vingança dos Sith (2005), que teve 2.200 planos. A título de comparação, O primeiro Senhor dos Anéis teve 560, o segundo, 800 e o terceiro 1.488.

 A cena em que Denham, Driscoll e a tripulação caem em um fosso cheio de insetos gigantes é uma referência a uma cena do King Kong original (1933), em que a tripulação caiu em um fosso e foi devorada por aranhas gigantes, que foi cortada depois que muitos telespectadores saíram dos cinemas horrorizados durante a cena. O original nunca foi encontrado. Em 2005, para uma nova edição do filme original em DVD, Jackson e sua equipe da WETA recriaram a sequência como um recurso bônus com técnicas de animação em stop-motion que eram virtualmente idênticas às técnicas usadas pelos cineastas originais. 

Há vários exemplos do virtuosismo de Jackon na preparação de cada detalhe de King Kong que mostram seu respeito pela obra que ele considera o filme de sua vida. Peter Jackson possui vários adereços do King Kong original (1933) e colocou alguns dos itens de sua coleção neste filme. Esses itens incluem lanças da Ilha da Caveira e um escudo brilhantemente pintado (visto nas cabines do SS Venture) e alguns tambores da cena do sacrifício. Os outdoors que aparecem na Times Square, que são os mesmos encontrados em King Kong (1933). A cidade de Nova York de 1933 renderizada digitalmente é tão detalhada que continha 90 mil edifícios bem definidos.

Fay Wray (atriz do original) foi convidada pelo diretor Peter Jackson para aparecer em um breve papel especial no qual ela pronunciaria a linha final do filme: "Foi a bela que matou a fera." No início, ela recusou categoricamente, mas depois pareceu considerar a possibilidade. No entanto, ela faleceu em 8 de agosto de 2004, logo após seu encontro com ele.

A câmera cinematográfica com manivela carregada por Carl Denham é uma genuína antiga Bell & Howell 2709, que também é o mesmo tipo de câmera usada no King Kong original (1933). De acordo com Peter Jackson, a câmera real era muito pesada para carregar. O que você vê na maior parte do filme é uma réplica feita de espuma.

Como um favor pessoal para Peter Jackson, Bryan Singer, que estava na Austrália trabalhando em Superman: O Retorno (2006), passou dois dias dirigindo a sequência de confrontos King Kong vs. V-Rex. Ele recebeu um "Agradecimento especial" nos créditos finais. Curiosamente, o orçamento altíssimo de Kong (207 milhões), um recorde na época, foi superado pelo filme de Singer, que foi lançado no ano seguinte, a um custo de 270 milhões. 

Vários dos nativos da Ilha da Caveira foram interpretados por atores sudaneses que não falavam inglês e foram treinados com a ajuda de um intérprete. Conceitualmente, os nativos da ilha tinham piercings e cicatrizes que foram criados com maquiagem e aparelhos protéticos, embora um dos extras tivesse cicatrizes tribais autênticas na testa.

Visualmente, Jackson não conseguiu fugir da influência de Senhor dos anéis. Alguns planos e paleta de cores são muito semelhantes e quem é fã da trilogia, consegue associá-los rapidamente. Mesmo a trilha, seria de Howard Shore  que inclusive chegou a gravar bastante material para o filme, mas deixou o projeto devido a diferenças criativas com o diretor Peter Jackson. Em seu lugar foi contratado James Newton Howard, que teve menos de 2 meses para criar e gravar toda a trilha sonora do filme.

Kong Fu

A luta entre Kong e os três tiranossauros é um primor. Não só pelos efeitos, mas pela tensão da cena, que parece ter sido realizada sem a menor pressa de terminar, ao contrário de obras "clipadas", como dos filmes de Michael Bay, que mal entendemos a ação que se passa. 

Kong no final das contas, é uma história de amor e obsessão, o que de certa forma, reflete  o desejo de Carl Denham (Jack Black) em dirigir seu filme, da mesma forma que Jackson em realizar a obra. O despertar de Kong na ilha é motivado pelo grito de Ann Darrow (Naomi Watts), o que revela uma ligação imediata dos dois personagens. Kong trata Ann com carinho e é retribuído, mesmo que no início, como qualquer relacionamento, as diferenças sejam mais pontuais. A interação entre a dupla é tocante, em diversos momentos. 

King Kong foi um grande sucesso, sendo a quinta maior bilheteria de 2005. Considerando que os quatro primeiros foram Harry Potter e O Cálice de Fogo, Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith, As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e O Guarda-Roupa e Guerra dos Mundos, foi um grande feito.

Nada mais justo para uma obra prima que merece ser reconhecida como tal.




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