10 CENAS EM QUE VOCÊ DEVE TER SE INDAGADO: COMO DIABOS FILMARAM AQUILO?

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O cinema, nascido em 1895, encontra-se em constante evolução. Principalmente na área de efeitos especiais. Criam mundos, dinossauros, animais e até seres humanos mortos há tempos. Quase não há limites. Entretanto, até hoje assistimos filmes que contém cenas que nos surpreendem e nos levam a pensar: como diabos filmaram aquilo?

Bom, vamos relembrar 10 cenas e já vou preparando uma segunda parte. E quem ler este texto e por acaso lembrar-se de alguma cena que gostaria de saber, escreva para nós decifrarmos.

Boa sessão:


Homem mosca é uma pérola do cinema mudo com Harold Lloyd, um dos grandes comediantes daquele período (e posteriormente do cinema). Na história, o jovem inexperiente Harold (Harold Lloyd) tomou uma decisão: abandonar sua pequena cidade natal, no interior, e partir para a cidade grande em busca de sucesso profissional. Depois de um tempo, finalmente consegue um emprego como vendedor em uma grande loja de departamentos, sem imaginar que este seria o início de muitas aventuras e que algumas poderiam até causar sua morte.

O filme é criativo, como suas produções mais famosas, mas há uma cena específica que você pensa: como raios filmaram aquilo? A cena em questão é do relógio, que o personagem fica agarrado no ponteiro, deslizando para uma possível queda fatal. A cena, é desvendada no gif abaixo. Como não havia fundo verde na época, o que restava era ter muita criatividade para filmar em perspectiva. 


Ele, Chaplin e Buster keaton reinaram neste quesito, mas talvez seja o menos "reconhecido" por seus feitos. Mas são todos os 3 importantes para o cinema e seu desenvolvimento, principalmente estas técnicas de filmagem. 


Sherlock Jr. é um filme tão incrível, com tantas sequências geniais, que fica difícil saber qual é a mais curiosa. Na obra, de 1924, um projecionista (Buster Keaton) está estudando para ser detetive e está apaixonado por uma moça. Quando ele a pede em casamento, seu rival rouba a corrente do relógio do pai da menina e o incrimina. 

O desapontado projecionista volta ao seu trabalho e, enquanto projeta o filme, acaba por dormir. Ele sonha que é o detetive Sherlock Jr., o segundo maior do mundo, e que está investigando o roubo. Enquanto isso, sua namorada descobre a verdade e conta tudo ao seu pai.

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A cena a ser a desvendada é a mostrada acima. Keaton usou uma técnica chamada "Matte Shot", que nada mais era que os efeitos especiais dos anos 20. A técnica consiste em combinar dois ou mais elementos de imagem em uma única imagem final. 

Normalmente, são usados ​​para combinar uma imagem de primeiro plano (por exemplo, atores em um cenário ou uma nave espacial) com uma imagem de fundo (por exemplo, uma vista panorâmica ou um campo estelar com planetas). 

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A evolução do sistema foi chamada Chroma Key e é usada hoje de forma universal. No filme, o "Matte Shot" fez parecer que o ator Buster Keaton estava dirigindo por uma ponte faltando um trecho. A parte inferior do quadro estava negra, alinhando-se com o topo da ponte, e Keaton foi filmado enquanto a ponte ainda estava intacta. A filmagem dos caminhões foi filmada separadamente com parte da ponte removida.


Em uma  das minhas primeiras incursões no cinema de "Arte" (nomenclatura usada nas locadoras de VHS, 30 anos atrás), me deparei com um filme dirigido por  Luis Buñuel e com roteiro de  Salvador Dali. Obviamente, não entendi nada. Mas uma cena me chocou e todos que conhecem um pouco de cinema sabem qual é. Na época pensei como diabos filmaram aquilo? 

Bom, hoje, visivelmente, há um corte na cena, sugerindo a substituição da atriz, mas era VHS, baixa qualidade de imagem, o que fazia tudo ser muito real. O filme, totalmente surrealista, teve sua origem num sonho. 


Luis Buñuel contou a Salvador Dalí sobre esta tal sonho em que uma nuvem cortava a lua ao meio "como uma lâmina de barbear cortando um olho". Dalí por sua vez, respondeu que tinha sonhado com uma mão cheia de formigas. Destes dois sonhos nasceu este filme.

A tal cena que me causou espanto (o filme é de 1929) foi feita com o olho de um bezerro morto, daí ele parecer tão real. E dizem as más línguas, que a mão decepada usada na cena de rua era uma mão real, e Dali convenceu um homem a cortá-la em troca de dinheiro suficiente para comprar o almoço. Mas pode muito bem ser a primeira fake news da história do cinema.


Tempos Modernos foi uma das mais memoráveis obras dirigidas e protagonizadas por Charles Chaplin. O filme tem várias sequências antológicas. Na história, Um operário de uma linha de montagem, que testou uma "máquina revolucionária" para evitar a hora do almoço, é levado à loucura pela "monotonia frenética" do seu trabalho. Após um longo período em um sanatório ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. 


Ele deixa o hospital para começar sua nova vida, mas encontra uma crise generalizada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que liderava uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente uma jovem rouba comida para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. Elas não têm mãe e o pai delas está desempregado, mas o pior ainda está por vir, pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das órfãs, mas enquanto as menores são levadas a jovem consegue escapar.


Uma das cenas mais incríveis e incompreensíveis (até agora) foi a que Chaplin está de patins, de costas, e quase cai de um prédio. A cena inacreditável, nada mais foi que uma filmagem em perspectiva, sem o menor risco para o ator/diretor.


Era uma vez no Oeste é um dos grandes clássicos do western mundial, além de ser o meu favorito de todos os tempos. Assisti ele mais de 100 vezes, desde que o conheci nos anos 90. Na trama, um pai e todos os filhos são brutalmente assassinados por um matador profissional, em virtude das terras que possuía serem futuramente a rota da estrada de ferro.  


Entretanto, ninguém sabia que ele, viúvo há seis anos, tinha se casado com um prostituta de Nova Orleans, que passa ser a dona do local e recebe a proteção de um hábil atirador, que tem contas a ajustar com o frio matador. 

Logo no  início, ocorre a cena mais memorável do filme, onde os três pistoleiros esperam por Charles Bronson. E durante a cena, há uma curiosíssima cena em que um mosquito perturba o personagem de Jake Elam. Inesquecível. 


Mas obviamente, quando assisti, pensei: como raios fizeram aquilo? Não havia efeitos na época capazes de fazer um mosquito com perfeição. Para a cena, o pessoal da equipe cobriu levemente o rosto de Jack Elam com geleia e começaram a filmar close-ups enquanto soltavam uma mosca por vez de uma jarra cheia de moscas, tentando obter a reação certa do ator enquanto ela pousava em sua bochecha.


Profissão: Repórter é o filme que me motivou a fazer este post. Sempre me intrigou o incrível “plano sequência”, feito aparentemente sem recursos, que Antonioni nos proporcionou na última cena de sua obra. 

Para quem não se lembra, Jack Nicholson e Maria Schneider estrelam o filme, que mostra  um jornalista em viagem ao Deserto do Saara para reportar sobre as guerrilhas que acontecem no local. No hotel, ele conhece um homem muito parecido com ele que morre repentinamente. Querendo livrar-se dos seus problemas e mudar sua vida, David resolve assumir a identidade do falecido na espera de levar uma vida mais interessante. Aceitando as consequências, logo ele descobre que o homem era um traficante de armas.


A sequência em questão me tomou anos, intrigado, como ele teria feito aquela cena magistral. A câmera sai do quarto pela grade da janela, dá uma volta no cenário e retorna para nos mostrar o que se passa naquele mesmo quarto. 


A cena é desvendada por imagens da produção. As barras da grade foram afastadas com o auxílio de dobradiças, dando espaço para a câmera que seria captada por um gancho. Antonioni escolheu esta locação porque antes havia existido ali uma igreja e sua janela dava para uma arena de touradas.  A sequencia foi  filmada ao entardecer, para que não sofresse diferenças entre a iluminação natural exterior e interior do quarto. Com a ventania da atmosfera local ainda surgiu a dificuldade de não balançar a câmera, presa a uma estrutura, conforme na foto.


Stanley Kubrick foi um gênio do cinema. Mas ainda assim, há filmes mais bem vistos pelo público, como Iluminado, Nascido para matar e De olhos bem fechados. Barry Lyndon é uma daquelas obras que costumamos assistir menos vezes que ela merecia. 

Na história, o aventureiro irlandês Redmond Barry transgride a lei e é obrigado a deixar sua cidade. Ele junta-se ao exército para logo em seguida tornar-se espião e traidor. Seu principal objetivo é chegar até a aristocracia através do casamento. Ele consegue casar-se com a milionária Lady Lyndon, mas após um breve período de felicidade, um triste destino o aguarda.


A grande sacada do filme, que nos faz perguntar como Kubrick a filmou, foi filmá-lo como se fosse uma sucessão de pinturas do século XVIII, especialmente as de Thomas Gainsborough. Estamos falando de uma obra dos anos 70. 

As filmagens duraram 300 dias em um período de dois anos, começando por volta de maio ou junho de 1973. A produção sofreu duas grandes paralisações, resultando no que foi considerado um orçamento inflado de US$ 11 milhões. Finalmente foi lançado em dezembro de 1975.


Kubrick encomendou lentes especiais para a realização do longa: uma trinca única de lentes ultrarrápidas 50 mm f /0.7 originalmente criada pela Carl Zeiss Company  para o programa lunar da NASA e modificada com o adaptador Kollmorgen usado em câmeras estáticas, foi usada para filmar cenas iluminadas apenas por velas.

Para fornecer o máximo de luz possível nas cenas à luz de velas, Stanley Kubrick usou velas feitas sob medida. Cada vela tinha três pavios em vez de um e usava uma cera altamente volátil. Isso resultou em velas queimando muito rapidamente, razão pela qual muitas das velas vistas são tão curtas.


O cinema do horror também tem um representante de peso nesta lista. É o magistral "A profecia" de Richard Donner. Lançado em 1976, contava o início da trajetória da besta, desde o seu nascimento cercado de mistérios e mortes. No filme há uma cena em questão, que dá um nó na cabeça. Nela vemos sua mãe (Lee Remick), caindo do segundo andar da casa num acidente provocado por Damien. Vendo a cena, sem cortes, ainda hoje é impressionante. Muitas coisas passam pela nossa cabeça. O famoso "back projetion" é descartado já de cara. Efeitos digitais não poderiam atingir àquele nível de precisão. Afinal, como diabos filmaram aquilo?


Bom, Lee Remick recusou-se a filmar a cena conforme originalmente concebida: ela iria cair da varanda, com dublês e equipe por baixo para evitar a queda. Embora Richard Donner tenha implorado a ela, ela recusou terminantemente, permitindo que seus próprios medos levassem o melhor dela na cena. Foi ai que Donner repensou a cena para que ela não caísse. Foi construindo o "chão" em uma parede (vertical) que viria de encontro com Lee, dando a ilusão que ela estava caindo. 

Genial, não?


O regresso é uma obra prima. Mas se tornou o filme em que Leo DiCaprio finalmente venceu o Oscar após ser impiedosamente atacado por um urso. A cena, que duros poucos, mas insuportáveis minutos traz um impressionante CG, inspirado em ursos reais de um santuário. A empresa não poderia ser outra que a Industrial Light & Magic, responsável pelos melhores efeitos visuais possíveis de serem realizados. 

A sequência foi filmada num período de quatro dias em uma floresta tropical perto do rio Squamish na Colúmbia Britânica. DiCaprio executou quase toda a sequência sozinho, em apenas alguns instantes, durante a queda colina abaixo, um dublê o substituiu. A tomada foi filmada para criar a ilusão de ser contínua, mas os cortes são brilhantemente "escondidos" pela equipe dos efeitos. 


Um dublê agarrava o ator da forma que a equipe imaginava que seria um ataque de urso. A produção usou como referência  um ataque real de um urso em um zoológico alemão, no qual um homem embriagado caiu dentro da jaula. A equipe procurou enfatizar que não se tratava de um monstro, mas um animal selvagem em seu habitat natural. 

Além do dublê, que fazia o urso, uma série de fios ligados a DiCaprio permitiu que o ator fosse jogado para os lados, como vemos no filme, durante o ataque.


1917 é um filme curioso. Sam Mendes fez escolhas sábias para transformar algo pequeno em algo grande. Gigantesco, na verdade. A trama do filme é simples. Dois soldados atravessam áreas que podem ou não ter inimigos a fim de levar um recado. É isto. Mas o fato de sair do lugar comum (que seria Segunda Guerra e levar a trama para a menos explorada Primeira Guerra) e filmar em “plano sequência” elevou o filme a outro patamar. 

Assisti ao filme no cinema e é uma tensão inacreditável. Tudo em função do “plano sequência”. Curioso como a falta de cortes nos leva a uma sensação pouco explorada. Sem as tradicionais pausas, somem também os alívios de tensão, e ela vai se acumulando com o passar do tempo. 

Porém, na obra há uma cena específica que causa um nó mental no espectador atento aos detalhes: é a cena da queda do avião, em que um dos soldados morre. É inacreditável. O avião é atingido, cai perto deles, um dos soldados retira o piloto inimigo, que atira nele e o soldado vai morrendo e ficando pálido diante dos nossos olhos. 

É uma sequência de pendurar no mural das mais incríveis já filmadas. Mas como diabos filmaram ela? Foi uma combinação de várias técnicas diferentes. Quando os aviões estão voando, é CG e conforme o avião desce em direção aos personagens e bate no celeiro, é também um avião CG, mas então o avião muda para uma réplica co uso de efeitos especiais em tela azul.

Eles construíram a réplica e uma pequena seção do celeiro e então filmaram os elementos.  Separadamente, filmaram os atores para inserir no contexto da queda do avião. E foi filmada também uma terceira sequência, com o avião pegando fogo e o piloto dentro. No vídeo acima pode ser visto o processo sendo feito. 

Surpreendente não?

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