A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO (1964) FILM REVIEW

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O sucesso do filme Ben Hur, arrebatando público e crítica, promoveu uma avalanche de filmes épicos contando histórias que, na maioria delas, eram do tempo de Jesus ou dos Romanos. Vieram por exemplo, Spartacus (1960), El Cid (1961), Rei dos reis (1961), Cleópatra (1963) e claro, o tema do post de hoje: A queda do Império Romano de 1964.

No filme, no auge da expansão geográfica do império romano, o general Lívio (Stephen Boyd) comanda a nova política do imperador Marco Aurélio (Alec Guinness), que quer a pacificação de fronteiras e a adoção para os povos conquistados de certa autonomia. Mas Marco Aurélio acaba envenenado por Commodus (Christopher Plummer), filho ilegítimo que assume o trono e mergulha Roma no caos político e administrativo, o que dá origem à... queda do Império Romano.

Os filmes citados acima, de certa forma, guardam algumas relações. O produtor deste, de El Cid (1961) e Rei dos reis (1961) é o mesmo: Samuel Bronston, que era sobrinho de ninguém menos que Leon Trotsky. Kirk Douglas (de Spartacus) recusou um papel no filme, embora quisesse trabalhar com Sophia Loren (que também fez El Cid). Stephen Boyd substituiu Charlton Heston (eles estrelaram Ben-Hur). Boyd culpou o enorme fracasso comercial deste filme por arruinar sua carreira no cinema. Ele faleceu não muito tempo depois, de ataque cardíaco, aos 45 anos.

De fato, o custo da produção e o fracasso de bilheteria deixou até mesmo o produtor Bronston em dificuldades financeiras e, em 1964, ele teve que interromper todas as atividades comerciais. Samuel Bronston Productions entrou com pedido de concordata e falência em junho daquele ano. 

Este filme foi originalmente planejado para ser feito após El Cid (1961), e para reunir Charlton Heston e Sophia Loren. O cenário do Forum Romanum estava sendo construído quando Heston rejeitou o roteiro e manifestou interesse em 55 Dias em Pequim (1963), do próprio Samuel Bronston. Heston se deu muito mal com Loren naquele filme e se recusou a trabalhar com ela novamente. Leia o review de El Cid, que escrevi sobre esta história.

Samuel Bronston imediatamente ordenou que o trabalho no Fórum fosse interrompido e o paisagismo e as fundações fossem adaptados para o cenário de Pequim. Após as filmagens, o cenário de Pequim foi demolido e substituído pelo Fórum. Se você olhar com atenção, ambos os conjuntos compartilham uma topografia muito semelhante. Os vários cenários da Roma antiga cobriam cinquenta e cinco acres (duzentos e vinte e dois mil quinhentos e setenta e sete metros quadrados).

O salário de Sophia Loren para este filme foi de um milhão de dólares. Ela foi a segunda atriz, atrás de Elizabeth Taylor , a receber essa quantia por um único filme. Christopher Plummer (recém-falecido) ficou surpreso com as inovações e a produção sem economia das despesas. Um Rolls-Royce estava à sua disposição durante toda filmagem. Se compararmos com outro épico de Bronston, Rei dos Reis, o carro que levava  Jeffrey Hunter e Robert Ryan quebrou, e eles tiveram que empurrá-lo para começar a rodar a cena, com os figurinos de Jesus Cristo e João Batista.

O diretor Anthony Mann filmou por cento e quarenta e três dias, enquanto os diretores da segunda unidade Yakima Canutt e Andrew Marton filmaram as cenas de ação simultaneamente em sessenta e nove dias. Filmado em Roma e Madrid, este foi um dos filmes mais caros da década de 1960, custando vinte milhões de dólares. O valor não parece tão alto, se compararmos com filmes atuais ou mesmo alguns sucessos da época, como Ben-Hur que custou 15 milhões. 

A diferença fica por conta do retorno. Ben Hur venceu 11 Oscars, foi um enorme sucesso. Entre fontes oficiais e não oficiais, ele rendeu 150 milhões de dólares, enquanto "A queda do Império Romano" rendeu 5 milhões. Mesmo com este prejuízo todo, o filme se mantém marcante, e com uma das cenas mais memoráveis e tensas do cinema épico, que é a corrida entre Boyd e Plummer, com bigas. 

Aliás, o lendário dublê Yakima Canutt dirigiu a espetacular corrida. Canutt já havia dirigido a famosa corrida de bigas em Ben-Hur (1959), onde Boyd foi um dos dois principais competidores, junto com Charlton Heston 

Veniero Colasanti e John Moore atuaram como diretores de arte supervisionando o design de produção com a orientação de Will Durant (um filósofo, historiador, que fez com sua esposa a coleção  A História da Civilização). A construção real começou em 1º de outubro de 1962 usando 1.100 homens que trabalharam durante sete meses. Cerca de 400 estudantes de arte e artesãos de toda a Espanha trabalharam na estatuária, nos azulejos, nos afrescos e nos detalhes do cenário. 

O Templo de Júpiter foi construído em uma colina de 30 metros de altura ao longo das planícies de Las Matas, por artesãos que construíram o templo de 50 metros. As figuras equestres de bronze no topo do templo estavam a 260 pés acima do pavimento do conjunto do fórum. Para a estatuária, 350 estátuas tiveram que ser construídas. Havia 76 estátuas em tamanho natural, mais de mil bases esculpidas para as figuras e colunas de vitória restantes e uma série das estátuas equestres acima mencionadas com 25 pés de altura. No final das contas, mais de 3.000 esboços foram desenhados para ilustrar as 27 estruturas que formariam os conjuntos. As várias configurações da Roma antiga cobriam 55 acres. 

A "Batalha dos Quatro Exércitos" envolveu oito mil soldados, incluindo mil e duzentos cavaleiros, e foi filmada em uma planície  em Manzanares el Real (um município de Madrid, na Espanha), o que permitiu que um grande número de soldados fossem visíveis a longa distância. 

Richard Harris foi originalmente escalado como Commodus. Ele se retirou por causa de diferenças artísticas com o diretor Anthony Mann. Curiosamente, ele foi escalado como o pai de Commodus, Marcus Aurelius, em Gladiador (2000). Outro fato interessante é notar que tanto Harris quanto Douglas recusaram papéis no filme. E ambos fizeram "Heróis da Telemark", lançado um ano depois, com o próprio Anthony Mann.

Mann foi escalado para dirigir Spartacus, alguns anos antes. Mas ele foi "convidado" a sair porque não se adaptou à grandiosidade da história (ele acabou fazendo dois para Bronston, El Cid e este filme do post). Mas Douglas não entendeu que foi algo certo, se sentindo mal pela saída do diretor. Sendo assim, prometeu a Mann que trabalharia com ele novamente. Não aconteceu em "A queda do Império Romano", mas veio com "Heróis da Telemark". Detalhe: o produtor responsável por dispensar Mann foi... Kirk Douglas. 

O nome do filme não se refere à queda do Império Romano propriamente dita, que de fato sobreviveu por séculos após o período retratado no filme, mas sim ao início da corrupção e decadência. Ele lida extensivamente com o problema da sucessão imperial e examina tanto a relação entre pai e filho no pano de fundo da política imperial quanto a natureza e os limites da lealdade e da amizade. 


Talvez resida aí o motivo pelo qual o filme não tenha sido tão bem apreciado: um épico, em que as pessoas esperavam altas emoções, mas que mostrou o lado corrupto da política que nos gere até hoje. E já naquela época, o pessoal não se entusiasmava com o assunto. 

E tantos anos depois, entendemos bem o motivo: divergências políticas segregam mais que as religiões, gerando uma irracional fúria capaz dos atos mais estapafúrdios e das crenças mais absurdas. Tempos difíceis vivemos. Mas ainda assim, podemos apreciar um épico cujo orçamento foi equivalente ao salário atual de muito ator superestimado e a corrupção não parece tão grave quanto às de hoje.


E fazendo esta comparação entre a época e hoje, proponho uma pequena viagem, para olharmos algumas paisagens marcantes da época e como elas estão hoje. 

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A edição é especial e remasterizada. A Queda do Império Romano é um colossal épico de Hollywood. No meio desse extraordinário espetáculo, o lindo e trágico romance entre os personagens de Sophia Lorem e Stephen Boyd. A Queda do Império Romano captura toda a glória, grandeza e luxúria desta turbulenta civilização, e trás a vida uma história de amor eterno.

Informações técnicas da edição:

Elenco: Sophia Loren, Stephen Boyd, Alec Guinness, James Mason, Christopher Plummer, Anthony Quayle, John Ireland, Omar Sharif, Mel Ferrer, Eric Porter, Finlay Currie, Andrew Keir, Douglas Wilmer, George Murcell, Norman Wooland, Michael Gwynn, Virgilio Teixeira,
Direção: Anthony Mann
Produtor: Samuel Bronston
Roteiro: Ben Barzman, Basilio Franchina, Philip Yordan
Fotografia: Robert Krasker
Ano de produção: 1964
Pais de Produção: Estados Unidos
Gênero: Épico
Classificação indicativa: Livre
Cor: Colorido
Idioma: Inglês / Português
Legenda: Português
Mídia: Blu-ray



E veja agora o confronto entre passado e presente:


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