MESTRES DO UNIVERSO (1987) - FILM REVIEW

Falar de filmes dos anos 80 é para mim, como comer Hambúrguer. Um prazer gástrico, já que em ambos os casos, nada mais faço que a ingestão e a digestão destes dois produtos inestimáveis para mim. Confesso que depois de 8 anos, penso seriamente em direcionar meu site para os anos 80, não só filmes, mas tudo da cultura daquela década, além claro, de falar de Hambúrguer. 

Hoje vou falar de Mestres do Universo. E falar ainda de uma produção da Cannon é como falar de um filho: enaltecemos as virtudes e ignoramos os defeitos. Mestres do Universo não é o filme que merecíamos, mas é o presente que recebemos, mesmo com todas as falhas possíveis, se tornou um clássico "B" dos anos 80. 

Assisti no cinema, precisamente no Cinema Excelcior, nas férias de julho do ano de 1988 (sim, eu me lembro).  Na história, Esqueleto (Frank Langella) conseguiu invadir o castelo Grayskull e fez a Feiticeira (Christina Pickles) como sua prisioneira. Sua intenção é drenar sua força de forma a obter os poderes de Grayskull. He-Man (Dolph Lundgren), o homem mais forte do universo, e seus amigos Duncan (Jon Cypher), Teela (Chelsea Field) e Gwildor (Billy Barty) acidentalmente foram enviados à Terra pela chave cósmica, uma invenção de Gwildor que permite a abertura de portais entre quaisquer pontos da galáxia. 

Desejando ter em mãos este objeto, que o ajudará a conquistar o universo, Esqueleto resolve vir à Terra para encontrá-lo. Só que a chave cósmica agora está com Julie Winston (Courteney Cox) e seu namorado Kevin (Robert Duncan McNeill), que não sabem que a Terra está prestes a se tornar palco de uma batalha cósmica.

Baseado na série de animação "He-Man e os Mestres do Universo", exibida entre 1983 e 1985, e que eu assisti freneticamente, inicialmente Mestres do Universo seria produzido por Edward R. Pressman (O barco, Conan, Wall Street, Reverso da fortuna), que o repassou à Cannon Group por ser o único estúdio disposto a realizá-lo.

A Cannon Group pretendia fazer o Homem-Aranha, que seria o grande projeto do estúdio, mas optou por rodar antes Mestres do Universo e Superman IV - Em Busca da Paz (1987). A intenção era faturar alto com ambos, de forma que Homem-Aranha tivesse um alto orçamento disponível. Entretanto, ambos foram mal nas bilheterias e o filme com o herói aracnídeo jamais foi feito por eles.

A ideia inicial era que o filme se passasse em Eternia, planeta onde vive He-Man. A opção por situá-lo na Terra teve a ver com os custos envolvidos, já que desta forma seriam necessários menos sets e personagens alienígenas, que precisariam ser criados. O personagem He-Man foi oferecido a Sylvester Stallone, mas ele optou por Falcão, o campeão dos campeões da própria Cannon e acho até que fez uma melhor escolha, já que Dolph tinha mais "cara" de He-man.

O diretor Gary Goddard tentou convencer os produtores de que Matthew Modine seria perfeito para interpretar He-Man, após vê-lo em Em Busca da Vitória (1985). Entretanto, eles preferiram apostar em Dolph Lundgren devido à popularidade alcançada com Rocky IV (1985).  Ele foi o primeiro ator a ser contratado, enquanto que Frank Langella foi o último. As filmagens ocorreram entre 11 de agosto e novembro de 1986.

Pela ausência de dificuldades, Dolph Lundgren dispensou o uso de dublês ao rodar suas cenas. O diretor Gary Goddard e Dolph Lundgren fizeram algumas modificações no roteiro, de forma a ter mais sequências de ação e aumentar a participação de He-Man na história. Inicialmente a personagem Teela teria uma apresentação diferente no filme. 

Ela surgiria como prisioneira na Montanha da Serpente, de onde escaparia e lideraria a resistência contra Esqueleto. A cena jamais foi rodada, mas está presente em novelizações e mencionada no filme. . A Montanha  seria vista em outro momento, mas foi cortada do filme para que o orçamento não estourasse ainda mais.

Boa parte do filme, incluindo a batalha na loja de música e as cenas dos vilões marchando em triunfo na rua, foi rodada em Whittier, na California. A maioria dos prédios vistos nos subúrbios não existe mais. Eles foram destruídos devido a terremotos ocorridos na década de 90. 

O orçamento de Cannon era tão apertado que a produção não teve permissão para ter uma segunda unidade para filmar tomadas. Portanto, cada tomada e close-ups de adereços tiveram que ser supervisionados pelo próprio Gary Goddard.

Os dentes protéticos do personagem "Fera" eram tão grandes que seu intérprete, Tony Carroll, não conseguia fechar a boca quando os usava. As lentes de contato usadas por Pons Maar (Anfíbio) eram bastante dolorosas e diminuíam consideravelmente sua visão. Durante as cenas de ação, devido à iluminação, teve que interpretar estando praticamente cego.

A atriz Christina Pickles, intérprete da Feiticeira, foi a mãe de Courteney Cox na série de TV "Friends". O personagem Gwildor foi criado para substituir Gorpo, presente na série de animação na qual o filme foi baseado, por razões óbvias: não tinha grana para gastar num personagem que aparece flutuando a todo instante. Pela mesma razão, o personagem Blade foi criado para substituir "Mandíbula", que era um vilão com várias características dispendiosas para serem transportadas para a telona.

A figurinista Julie Weiss ligou para o desenhista de produção William Stout em pânico durante uma prova de figurino com Dolph Lundgren . Weiss disse a Stout que Lundgren estava insistindo em usar botas de kickboxing cortadas no meio da perna para seu traje de He-Man, mas Weiss e Stout queriam que ele usasse as botas de cano alto que eles aprovavam. 

Quando Stout chegou e Lundgren perguntou o que ele achava das novas botas, Stout disse ao ator que as botas de kickboxing pareciam fantásticas, exceto que as botas mais curtas que ele usava faziam Lundgren parecer... gay. De acordo com Stout, Dolph rapidamente tirou as botas curtas e é por isso que Lundgren acabou usando as botas mais altas no filme.

Meg Foster disse que baseou sua personagem em Lady Macbeth, de Shakespeare. No início do filme, ela era uma vilã fantoche, mas obviamente apaixonada por Esqueleto. À medida que a história avança, ela gradualmente percebe que ele não se importa verdadeiramente com ela. No final, ela o abandona ao seu destino, sua retirada de suas forças leva à derrota final dele. Na opinião de Foster, a personagem evolui de malfeitor a mulher desprezada e a heroína trágica.

O diretor Gary Goddard queria contratar Jack Kirby, famoso por seu trabalho nos quadrinhos, como artista conceitual de Mestres do Universo, mas o Cannon Group vetou a ideia. Posteriormente, Goddard admitiu que se inspirou nos Novos Deuses, criados por Kirby para a DC Comics, ao realizar o filme. O cenógrafo William Stout criou o interior do castelo de Grayskull de forma que combinasse elementos do bem e do mal. Até as maquetes em miniaturas de Blade Runner, o Caçador de Androides (1982) e Os Caça-fantasmas (1984) foram usadas para rodar algumas cenas.

A Mattel, fabricante dos brinquedos baseados em He-Man, realizou um concurso nacional onde o ganhador tinha direito a um papel em Mestres do Universo. Entretanto, como o filme já estava com orçamento estourado e cronograma apertado, o diretor Gary Goddard colocou o vencedor, Richard Szponder, em uma cena já prevista no roteiro. Ele é creditado como Pigboy e aparece dando a mão a Esqueleto quando ele retorna à Terra.

Devido a problemas financeiros, o Cannon Cinema resolveu interromper as filmagens restando apenas três dias para o término do cronograma previsto. A situação gerou um grande problema, já que o clímax do filme e a resolução da batalha entre He-Man e Esqueleto ainda estavam incompletas. Dois meses depois, os executivos do estúdio autorizaram o diretor Gary Goddard a rodar as cenas restantes, a “toque de caixa”. 

Na época das filmagens, Dolph Lundgren tinha experiência limitada em atuação, falava com um forte sotaque sueco e ainda não era fluente em inglês. O diretor Gary Goddard planejou ter todas as falas de Lundgren dubladas por outro ator. No entanto, o contrato de Lundgren estipulava que ele teria pelo menos três oportunidades de redobrar suas linhas na pós-produção. Com o filme atrasado, Goddard decidiu usar a voz natural de Lundgren.

Na cena de pós-créditos, a cabeça de Esqueleto emerge da água no fundo do poço, dizendo: "Eu voltarei!" Como sabemos, quem "voltou" foi Arnold Schwarzenegger em Exterminador do futuro 2, mas ai, já é outra história.

O roteiro para uma possível sequência chegou a ser escrito, mas posteriormente foi modificado de forma a se tornar Cyborg - O Dragão do Futuro (1989). E que também, é outra história... No Festival de Cannes de 1987 o produtor Menahem Golan anunciou que Dolph Lundgren tinha assinado um contrato para reprisar He-Man em mais dois filmes. Entretanto, o ator recusou a oferta e ainda declarou, em entrevista dada à Comics Magazine em 1989, que interpretar He-Man foi seu "ponto mais baixo como ator".  A recusa se deu durante as filmagens de Escorpião Vermelho (1988), de Joseph Zito.

Porém, se olharmos sua carreira já estabelecida, ele não poderia estar mais errado. Quando lançou "Os Mercenários", ele disse que voltaria ao papel com certeza, ou mesmo numa participação especial. Confira os melhores filmes do ator no link: DOLPH LUNDGREN ESSENCIAL

Já Frank Langella declarou que Esqueleto foi um dos personagens que mais gostou de interpretar. Ele aceitou o papel devido ao filho, que ficava o tempo todo gritando "pelos poderes de Grayskull" em casa. Considerando que ele tinha feito filmes como A Marca do Zorro  e Drácula na época, conseguimos perceber qual ator é melhor e mais humilde, e qual era grande só nos músculos. 

O diretor Albert Pyun chegou a trabalhar em uma sequência para o filme, na qual o surfista Laird John Hamilton assumiria o personagem He-Man. A ideia era rodá-lo simultaneamente com Homem-Aranha, de forma a diminuir os custos. O elenco dos dois filmes foi contratado, os sets foram construídos e o figurino foi encomendado. O orçamento disponível para seria de  4,5 milhões de dólares e a Mattel já tinha autorizado o uso de alguns personagens. 

O único aspecto conhecido sobre o roteiro da sequência era que He-Man teria retornado à Terra e estava disfarçado como um Quarterback profissional (ainda bem que não vimos isto !!!). Entretanto, pouco antes do início das filmagens, os dois filmes foram cancelados. O motivo foi o não pagamento dos direitos de propriedade para a Mattel e a Marvel, detentoras dos personagens. Pouco tempo depois, o Cannon Group entrou em falência.



A One Movies/Dark Flix lançou mais um volume da COLEÇÃO CANNON FILMS, que pode ser comprado clicando na imagem acima. 

COLEÇÃO CANNON FILMS - VOLUME 3

A Cannon Films iniciou suas atividades em Israel em 1967. Dirigida pelos sócios produtores Menahem Golan e Yoram Globus a companhia mudou-se para os Estados Unidos em 1979 e durante os anos 80, com a explosão do mercado de home-vídeo viveu seu apogeu após produzir uma série de filmes de baixo e médio orçamentos. Cannon tornou populares alguns artistas de filmes de ação como Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris, Michael Dudikoff e Dolph Lundgren. Mas, outros astros já reconhecidos fizeram parte do cast da companhia. Nomes como Sylvester Stallone, Charles Bronson, Richard Chamberlain, Sylvia Kristel, Sharon Stone, Harrison Ford e Christopher Reeve fizeram filmes para Cannon. 

Veja abaixo detalhes da linda edição.


NINJA:A MÁQUINA ASSASSINA
Elenco: Franco Nero, Susan George, Shô Kosugi Direção: Menahem Golam

INVASÃO U.S.A.
Elenco: Chuck Norris, Richard Lynch, Melissa Prophet  Direção: Joseph Zito

O EXTERMINADOR 2
Elenco: Robert Ginty, Mario Van Peebles, Deborah Geffner
Direção: Mark Buntzman

CYBORG: O DRAGÃO DO FUTURO
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Deborah Richter, Vincent Klyn Direção: Albert Pyun

COMANDO DELTA
Elenco: Chuck Norris, Lee Marvin, Martin Balsam Direção: Menahem Golan

MESTRES DO UNIVERSO
Elenco: Dolph Lundgren, Frank Langella, Meg Foster  Direção: Gary Goddard


⇰ Informações técnicas da edição:

Colorido - Formato de Tela: 1.85:1 – Áudio Inglês/Português 2.0 Dolby Digital Estéreo – Legendas: Português

⇰ Acompanha a: 6 cards colecionáveis

⇰ Embalagem: Amaray box translúcido + luva em cartão 350 gramas empastado laminado com aplicação de verniz local.




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