13 CURIOSIDADES SOBRE O FILME "TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO (1957)"

testemunha-de-acusacao

Quando Leonard Vole (Tyrone Power) é preso sob a acusação de ter assassinado uma rica viúva de meia-idade, Sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton), um veterano e astuto advogado, concorda em defendê-lo. Sir Wilfrid está se recuperando de um ataque do coração quase fatal e "supostamente" está em uma dieta, que o proíbe de ingerir bebidas alcoólicas e de se envolver em casos complicados. Mas a atração pelas cortes criminais é algo muito forte para ele, especialmente quando o caso é bem difícil. O único álibi de Vole é o testemunho da sua esposa, Christine Vole (Marlene Dietrich), uma mulher fria e calculista. A tarefa de Sir Wilfrid fica praticamente impossível quando Christine Vole concorda em ser testemunha, não da defesa, mas da acusação.


Assim é a história de uma das grandes obras primas do cinema, um dos melhores filmes de Billy Wilder, e um dos top 7 melhores filmes de tribunais da história do cinema. Bom, não é pouco. Confira abaixo 13 curiosidades sobre este filme inesquecível.

1) Alfred Hitchcock disse: "Muitas vezes, as pessoas me disseram o quanto gostaram de Testemunha de Acusação (1957). Elas pensavam que era meu filme ao invés de Billy Wilder . E Wilder me disse que as pessoas lhe perguntaram sobre Agonia de Amor (1947), pensando que ele tinha feito isso ".
Detalhe é que o filme é com  Charles Laughton, para aumentar a confusão.


2) Charles Laughton , que era bastante temperamental e difícil de lidar, foi aparentemente um sonho de se trabalhar se jogando no papel com dedicação e prazer. Billy Wilder mais tarde lembrou-se de um dia que foi reservado apenas para cenas de reação do júri e da multidão no tribunal (composta de figurantes contratados apenas para o dia). Normalmente, o diretor assistente lia as falas dos atores e os figurantes reagiam. 

No entanto, Laughton, que estava fascinado com todo o processo de filmagem, implorou por ajudar. Então, ele foi em seu dia de folga e leu todos as falas fora das câmeras para os membros do júri. Ele leu não só a sua parte, mas também as do juiz, do promotor e até de Marlene Dietrich. De acordo com o biógrafo Maurice Zolotow em seu livro "Billy Wilder in Hollywood", o autor disse, "foi uma exibição artística como Wilder nunca tinha visto. Ele acredita que Charles Laughton teve o maior alcance técnico de todos os atores e atrizes que trabalhou".


3) Marlene Dietrich estava tão certa de que seria indicada ao Oscar por sua atuação como Christine Vole que gravou uma nova introdução para seu programa em Las Vegas mencionando sua indicação. Ela não foi nomeada e ficou arrasada.  O filme recebeu seis indicações ao Oscar: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Charles Laughton), melhor atriz coadjuvante (Elsa Lachester), melhor edição e melhor som.

Uma injustiça a mais para o Oscar, que faz isto muito bem. Sua única nomeação ao Oscar foi com o filme Marrocos (1930), de  Josef von Sternberg.  Marlene nomeou Billy Wilder como um dos três maiores diretores com quem já trabalhou. Os outros foram Josef von Sternberg e Orson Welles .


4) Quando o filme foi lançado, Agatha Christie disse que foi o único filme baseado em uma de suas histórias de que ela realmente gostou. Mais tarde, com o lançamento de Assassinato no Expresso Oriente (1974),  foram dois.

Para quem não sabe, "Testemunha para a Acusação" é um conto da autora britânica Agatha Christie . A história foi publicada inicialmente como "Mãos do Traidor" na Flynn's, uma revista pulp semanal, na edição de 31 de janeiro de 1925.  Em 1933, a história foi publicada pela primeira vez como "Testemunha para a Acusação" na coleção "O Cão da Morte" que apareceu apenas no Reino Unido. Em 1948, foi finalmente publicado nos Estados Unidos na coleção “Testemunha para a Acusação e outras histórias"..


5) Sem saber se poderia interpretar de forma convincente um homem com problemas cardíacos, Charles Laughton simulou um ataque cardíaco na piscina de sua casa. Sua esposa, Elsa Lanchester, e um hóspede entraram em pânico e o tiraram da água. Minutos de desespero foram logo acalentados pelo ator. Curiosamente, o ator faleceu relativamente cedo, aos 63 anos, apenas 5 anos depois da cena na piscina. Mas o destino não foi irônico e ele faleceu de câncer. E sua esposa não o deixou no episódio citado e ficou com ele até a morte (real) do ator. 


6) A ironia do destino foi para outro ator. A trama lida com o personagem de Charles Laughton se recuperando de um grave ataque cardíaco enquanto defendia o personagem de Tyrone Power. Na realidade, este seria o último filme completo de Power, que morreria de um... ataque cardíaco. O fato ocorreu enquanto estava no set de seu próximo filme, menos de um ano após o lançamento deste.


7) De acordo com Billy Wilder, Charles Laughton tinha uma "queda" por Tyrone Power. Bom, como lido acima, Charles era casado e ficou durante toda sua vida. Mas a vida sexual das grandes personalidades do cinema era uma grande bagunça. Isto porque a maioria não se assumia ou por motivos pessoais ou porque o estúdio fazia de tudo para esconder. 

Eles eram capazes de criar mundos no cinema, não criariam casamentos? Charles Laughton era gay, no máximo bi. Ele tinha diversos casos homossexuais. Power, que se casou duas vezes, era na verdade bissexual. Power, em off,  teve um relacionamento apaixonado Charles Laughton, que tinha alguns fetiches sexuais incomuns como Coprofilia (joga no google, caso não saiba. Não quero quebrar o clima do post) e partilhava dele com Power.


8) William Holden foi a primeira escolha de Leonard, mas ele não estava disponível. Billy Wilder e o produtor Arthur Hornblow Jr. procuraram Tyrone Power, que recusou o papel. Outros atores considerados para o papel incluem Gene Kelly, Kirk Douglas, Glenn Ford , Jack Lemmon e até Roger Moore. Posteriormente, Tyrone Power aceitou o papel quando lhe ofereceram um contrato por dois filmes e ganhando muito (para a época). O outro filme foi Salomão e Rainha de Sabá (1959). Antes que pudesse respirar os ares do filme, no entanto, Power teve um ataque cardíaco fatal (como dito acima) e foi substituído por Yul Brynner. Ava Gardner e Rita Hayworth também foram consideradas para o papel de Christine Helm.

Um detalhe: A produção começou antes mesmo dos protagonistas serem definidos. .


9) Tyrone Power, quase um alcoólatra, fumava até 4 maços de cigarros por dia. Curiosamente, como dito acima, Holden foi a primeira escolha. Ele também era alcoólatra e fumava horrores. Holden também faleceu de forma precoce, por conta do alcoolismo. Um acidente doméstico em seu banheiro causou um traumatismo craniano, mas por conta de estar bêbado, não pediu socorro. Dias se passaram até que seu corpo foi encontrado em seu apartamento no dia 15 de novembro de 1981.


10) Elsa Lanchester e Una O'Connor já haviam aparecido juntas no clássico filme de monstros A Noiva de Frankenstein (1935). Este foi o último filme de Una, que faleceu dois anos depois. Mas não antes de deixar uma marca inconfundível em seus filmes: suas feições, extremamente fortes e marcantes.

11) A caracterização de Marlene Dietrich de uma mulher desesperadamente apaixonada também foi reforçada por sua paixão na vida real por Tyrone Power durante as filmagens. Segundo seu biógrafo, o ator ficou constrangido com os avanços dela, já que sua preferência era por Charles.


Marlene Dietrich disse mais tarde que Christine Vole foi o único papel ao qual ela se sentiu emocionalmente conectada porque "ela não é apenas corajosa, mas ela ama seu homem incondicionalmente". Bom, isto transcendeu as telas, não é?

12) No flashback, a personagem de Marlene Dietrich apresenta-se cantando e tocando acordeom em um cabaré alemão durante a Segunda Guerra. Na época do conflito, a atriz foi convidada por Adolph Hitler para estrelar filmes com propaganda nazista. Marlene não somente recusou o convite como tornou-se cidadã americana, despertando a ira do ditador.

13) Charles Laughton aparece como ele mesmo, falando diretamente para o público, no longo trailer de 4 minutos.



Filmes de Tribunal Vol. 2 - Edição Limitada Com 6 cards 
(Box com 3 DVDs)

A Versátil lançou “Filmes de Tribunal Vol. 2”, caixa em luva reforçada com 3 DVDs que reúne 6 clássicos dramas judiciários, incluindo as inéditas versões recentemente restauradas de duas obras-primas do gênero: “Testemunha de Acusação”, de Billy Wilder (“Farrapo Humano”), e “Estranha Compulsão”, de Richard Fleischer (“Vikings, os Conquistadores”). Uma hora e meia de extras, com documentários e especiais. Edição Limitada com 6 cards.

Disco 1

☛TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO
(Witness for the Prosecution, 1957, 116 min.)
De Billy Wilder. Com Tyrone Power, Marlene Dietrich, Charles Laughton.

Um veterano advogado defende um homem aparentemente dócil da acusação de assassinato. Baseando-se em Agatha Christie, Wilder faz uma obra-prima do cinema de tribunal. Quase uma hora de extras, opção de dublagem em português.

☛ESTRANHOS EM CASA
(Les inconnus dans la maison, 1942, 95 min.)
De Henri Decoin. Com Raimu, Juliette Faber, Gabrielle Fontan.

Hector Loursat, um grande advogado que afundou no alcoolismo, precisa voltar a advogar para defender o namorado da filha, acusado injustamente de assassinato. Roteiro de Henri-Georges Clouzot (“As Diabólicas”) baseado em obra de Georges Simenon. 


Disco 2

☛O DIREITO DE MATAR
(Justice est faite, 1950, 107 min.)
De André Cayatte. Com Michel Auclair, Antoine Balpêtré, Raymond Bussières.

Uma jovem mulher é julgada pela eutanásia do seu amante. Obra-prima do francês André Cayatte (“Dois São Culpados”), advogado que se tornou um diretor especializado em filmes de tribunal. Vencedor do Urso de Ouro em Berlim e do Leão de Ouro no Festival de Veneza.

☛OS ASSASSINOS DA ORDEM
(Les assassins de l’ordre, 1971, 110 min.)
De Marcel Carné. Com Jacques Brel, Catherine Rouvel, Paola Pitagora.

Um juiz de instrução investiga a morte de um homem interrogado e espancado pela polícia. Um dos últimos trabalhos do mestre Marcel Carné (“O Boulevard do Crime”), este filme é uma impactante denúncia contra o sistema policial francês. 

”Versátil

Disco 3

☛ESTRANHA COMPULSÃO
(Compulsion, 1959, 103 min.)
De Richard Fleischer. Com Orson Welles, Dean Stockwell, Bradford Dillman.

Chicago, anos 20, dois ricos e arrogantes universitários pensam ter cometido o crime perfeito ao matar um rapaz. Baseando-se no caso Leopold-Loeb, que inspirou também “Festim Diabólico” de Alfred Hitchcock, o mestre Richard Fleischer (“Mandingo”) faz uma obra-prima. Prêmio de Melhor Ator em Cannes.

☛O CASO MAURIZIUS
(L’affaire Maurizius, 1954, 110 min.)
De Julien Duvivier. Com Daniel Gélin, Madeleine Robinson, Anton Walbrook.

Filho de um famoso procurador decide investigar o processo que consagrou o pai e que pode ter condenado um homem inocente. Excelente filme de tribunal de Julien Duvivier (“Pânico”, “Sedução Fatal”) baseado em “O Processo Maurizius”, de Jakob Wassermann.

”Versátil

Informações sobre a edição:

Títulos em português: Testemunha de Acusação, Estranhos na Casa, O Direito de Matar, Os Assassinos da Ordem, Estranha Compulsão, O Caso Maurizius
Títulos originais: Witness for the Prosecution, Les inconnus dans la maison, Justice est faite, Les assassins de l’ordre, Compulsion, L’affaire Maurizius,
País de produção: Estados Unidos, França
Ano de produção: 1942-1971
Gênero: Drama, Policial
Direção: Billy Wilder, Henri Decoin, Richard Fleischer, Marcel Carné, André Cayatte, Julien Duvivier
Elenco: Tyrone Power, Orson Welles, Charles Laughton, Marlene Dietrich, Dean Stockwell, Bradford Dillman, Jacques Brel, Daniel Gélin, Madeleine Robinson, Anton Walbrook, Michel Auclair, Antoine Balpêtré, Raymond Bussières, Raimu, Juliette Faber, Gabrielle Fontan
Idioma: Inglês, Francês
Áudio: Dolby Digital 2.0
Legenda: Português
Formato de tela: Fullscreen 1.33:1, Widescreen Anamórfico 1.66:1
Tempo de duração: 641 min.
Região: All (0)
Preto e Branco, Colorido
Faixa etária: 14 anos

Extras: 

Especiais sobre “Testemunha de Acusação” (50 min.) Especial sobre “O Direito de Matar” (27 min.), Especiais sobre “Estranha Compulsão” (15 min.)



Tecnologia do Blogger.