ROBERT ZUCKERMAN - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

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Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto incrível. São apenas 7 perguntas, mas que fornecem um pequeno mosaico da carreira e paixão do entreviado (a) pelo cinema.

E hoje, com vocês o fotógrafo e câmera, Robert Zuckerman.

Boa sessão:

1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

R.Z.: Eu realmente me apaixonei pelo cinema quando estava na faculdade, primeiro na Universidade de Boston e depois me transferindo no meu primeiro ano para a UC Berkeley. Fui atraído pelo poder do cinema para viajar através do tempo e do espaço, do mundo interior das pessoas e muito mais.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

R.Z.:
 Essa é uma pergunta difícil de responder: destacar um filme como o mais importante. Mas entre os mais importantes para mim estão O Conformista de Bertolucci, 81/2 de Fellini, Asas do Desejo de Wim Wenders, Falcão Maltês de John Huston, Orfeu de Jean Cocteau, Blade Runner di Ridley Scott, Dia de Treinamento do Fuqua, Questão de honra do Rob Reiner, Onde os Homens São Homens do Altman, E o sangue semeou a terra, Três Homens em Conflito, Dr. Fantástico, O sopro no coração por Louis Malle, Corrida Silenciosa, para citar apenas alguns.


3) Eu realmente admiro o seu trabalho. Sua profissão está relacionada à captura da essência dos artistas em uma única foto. Como você entrou para este ramo no cinema?

R.Z.: Ser um fotógrafo não era meu objetivo original. Embora eu goste de fotografia, meu pensamento era que eu seria um cineasta, um diretor. Mas, por quase 10 anos, trabalhei na indústria cinematográfica, mas em outras áreas além da direção, mais nos negócios e vendas. No final dos anos 80, eu era sócio de dois outros homens de uma pequena produtora de Hollywood. Meu papel na empresa era nas vendas, tentando gerar empregos. Depois de um ano, meus dois parceiros me disseram que não gostavam de como eu estava fazendo negócios e não queriam mais estar na empresa. 


Foi um momento muito traumático. Um amigo meu que estava trabalhando para um grande produtor de televisão me perguntou se eu queria tentar fotografar para um piloto de TV que eles estavam produzindo. Eu nunca tinha feito isso antes, mas tive a sorte de ter alguns grandes mentores desde o início, incluindo Joel Levinson, Dean Tokuno, Ben Glass, Stephen Vaughan e David James.


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Lembra de alguma história legal que tenha acontecido  durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? Alguma história de bastidores por exemplo…

R.Z.: Talvez a minha história favorita nos bastidores tenha acontecido durante as filmagens de Exterminador do futuro 3 em Los Angeles em 2002. Estávamos nos bastidores. Arnold Schwarzenegger estava sentado em sua cadeira, com seu sempre presente charuto. Ele olhou para mim e perguntou: "Robert, você esta com seu telefone celular?" Eu respondi que sim. Eu quero falar com sua mãe, ele disse. Então liguei para minha mãe que morava em Miami, na Flórida. Mãe, eu disse, alguém quer falar com você. 

Então, dei meu telefone para Arnold e ouvi minha mãe ter uma boa conversa longa, por cerca de cinco minutos. No final, Arnold disse à minha mãe: seu filho é o melhor fotógrafo que já trabalhei! E então ele disse: "mas ele não recebe o crédito, você sim, porque o fez"! Contei a história para muitos pais ao longo dos anos, porque muitas vezes os pais não são reconhecidos pelo papel que desempenharam no sucesso de seus filhos.


5) Se pudesse, por um dia, ser um diretor (ou diretora) do cinema clássico (de qualquer país) e através deste dia, ver pelos olhos dele (a), uma obra prima sendo realizada, quem seria e qual o filme? E claro…porque?

R.Z.: Wim Wenders  por "Asas do Desejo". Por causa de como este filme transcende a vida e a morte.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhoso? 
E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer, ou caso não tenha se arrependido, teria apenas feito diferente?

R.Z.: Vários filmes, mas o que vem imediatamente à mente é "Dia de treinamento". O primeiro dos seis filmes em que trabalhei com Denzel Washington. Na maioria dos filmes de Hollywood, os estúdios exigem que os fotógrafos fotografem apenas as estrelas do cinema e não desperdice quadros com figurantes ou pessoas não essenciais. No entanto, no “Dia de treinamento”, uma vez que estávamos filmando em algum bairro com gangues barra-pesada de Los Angeles e fui autorizado pela Warner Bros. a me misturar e fotografar os membros para fins de relações com a comunidade. Fotograficamente, essa foi uma experiência incrível.

Em contrapartida, de tempos em tempos, ao longo da minha carreira, eu agia como um idiota por causa da minha própria insegurança. É difícil identificar um (e não havia muitos), mas se eu pudesse voltar e tomar atitudes melhores, eu faria.


7) Para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

R.Z.: Tenho uma, mas não é de um filme. Em uma noite, muitos anos atrás, eu estava jantando com o diretor de iluminação de um filme e estávamos comparando as lições que aprendemos de nossos avós. Contei a ele algo que meu avô havia me dito e pedi que me desse fizesse o mesmo, me passando alguma lição de sabedoria de que seu avô. Ele me disse que seu avô passou para ele a seguinte: “Você pertence a qualquer sala em que você entra.”

Para mim essas palavras são tão poderosas e fortalecedoras, e eu as compartilhei com muitos jovens desde aquela época.

M.V.: Obrigado. Foi um grande prazer.

 
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