LUIGI COZZI - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo, mas valeu a pena.

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do (a) entrevistado (a), mas desta vez será sendo diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista.

E hoje, com vocês o realizador Luigi Cozzi

Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

L.C.: Adoro filmes desde criança. Quando eu tinha 12 anos, comecei a atravessar a cidade a pé ou de ônibus para ir a cinemas distantes e sozinho... E por muitos anos vi nos cinemas dois filmes por dia. Na verdade, sou fã de cinema desde os 7 anos e ainda sou. E desde os 16 anos, comecei a escrever artigos de crítica e história sobre cinema fantástico... tendo publicado agora mais de 40 livros sobre ficção científica, filmes de terror e diretores aqui da Itália.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga qual o filme mais importante da sua vida. E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

L.C.: O primeiro filme fantástico que vi em um cinema foi 20.000 léguas submarinas, da Disney. Isso aconteceu em 1954, quando eu tinha 7 anos. Desde então, fiquei viciado para sempre em filmes de ficção científica e fantasia.


3) Como foi trabalhar com Dario Argento e o quanto do trabalho dele influenciou sua carreira.

L.C.: Para mim, começar a trabalhar com Dario Argento em 1970 foi como um sonho tornado realidade. Dario tinha apenas 7 anos a mais do que eu e compartilhamos juventude, gostos e paixões. Ele tinha uma vontade incrível de fazer ótimos filmes e, obviamente, ele me influenciou bastante. Aprendi a escrever roteiros e como se comportar no set enquanto trabalhava com ele...


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Lembra-se de alguma história legal que tenha acontecido durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? 
Alguma história de bastidores, por exemplo…

L.C.: Já fiz muitos filmes... alguns deles bastante estranhos e incomuns, até experimentais. Bem, muitas coisas engraçadas e curiosas certamente aconteceram ao fazê-los: mas cada filme meu tem uma história diferente, considerando que eu sempre gostei de fazer técnica e artisticamente coisas que ninguém mais havia feito antes de mim aqui na Itália. Apesar de serem muitas, não me lembro de uma específica que tenha nos marcado.


5) Se pudesse, por um dia, ser um diretor (ou diretora) do cinema clássico (de qualquer país) e através deste dia, ver pelos olhos dele (a), uma obra prima sendo realizada, quem seria e qual o filme? E claro…porque?

L.C.: Admiro muitos diretores e muitos filmes, tanto mudos quanto falados... O mais impressionante que já vi até agora é 2001: Uma odisseia no espaço... Mas eu amo Rastros de ódio de John Ford e Legião Invencível também... Fahrenheit 451 de Truffaut. O Incrível homem que encolheu, A marca da maldade e Guerra dos mundos de Pal. Os Primeiros homens na Lua com os efeitos de Harryhausen ... e muitos outros títulos, para que seja impossível eu escolher apenas um único ...Mas fico com 2001 num eventual primeiro lugar.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhoso? E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer, ou caso não tenha se arrependido, teria apenas feito diferente?

L.C.: Todo filme que eu fiz até agora contém muito de mim, eles pertencem somente a mim e parecem que eu estou inserido neles. Alguns desses filmes são bem conhecidos em todo o mundo, outros não, mas eu ainda gosto de todos da mesma maneira, porque acho que são todos diferentes dos filmes de outras pessoas. Apenas diferentes e não melhores. E afirmo que não gosto de imitar, mesmo que frequentemente tenha que trabalhar com gêneros, porque essa foi a única maneira de produzir meus trabalhos. Mas em todos os meus filmes, conhecidos ou desconhecidos para a maioria dos espectadores, há algo de mim.


7) Para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

L.C.: "Eu não faço filmes de gênero, mas filmes irônicos sobre gêneros."

M.V.: Obrigado amigo. Foi uma honra

L.C.: Eu quem agradeço o espaço. Fique ligado nos meus últimos filmes, Sangue na Lua de Méliès, Pequenos mágicos de Oz e o recém finalizado 1849 - A batalha de Roma que eu lançarei em algum ponto de 2020.

M.V.: Não perderia por nada.



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