ELES LUTARAM PELA PÁTRIA (1975) - FILM REVIEW

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A carreira de Sergei Bondarchuk no cinema foi curta como diretor (ele também era ator e fez bem mais filmes). Porém, mesmo com poucos filmes, o diretor marcou o cinema soviético. Sua carreira pode ser resumida em duas linhas: O destino de um homem, Guerra e Paz, Waterloo, Eles lutaram pela Pátria, Step, México em Chamas (Parte 1 e 1) e Boris Godunov. Além destas obras, ele findou sua carreira  com o filme "O Don Silencioso", lançado em um festival em 1993. Porém, o filme ganhou o público somente em 2006, como minissérie editada por Fedor Bondarchuk (seu filho), que havia estreado no cinema justamente em Boris Godunov (1986), que foi o último filme lançado do diretor Sergei.

Este fato confuso provavelmente aconteceu porque Sergei, ao final das filmagens, pouco antes da pós-produção, ficou sabendo de alguns detalhes desfavoráveis ​​de seu contrato, causando uma acirrada disputa com os produtores pelos direitos do filme e trazendo muita dor para ele. Em meio a essa batalha legal, o processo de finalização foi interrompido e o filme armazenado em um cofre de banco, permanecendo sem edição por quase quatorze anos.


Com este episódio, podemos dizer que Sergei foi marcante como diretor, literalmente, do primeiro ao último filme. Mas a obra em questão hoje é o excelente "Eles lutaram pela Pátria", que se passa em julho de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. No filme, a retaguarda do exército russo protege a ponte River Don contra o exército alemão enquanto as tropas russas em retirada atravessam a ponte. Enquanto eles voltam para o território russo através do campo, os soldados da companhia mostram seu companheirismo, sentimentos, medos e heroísmo para defender a pátria russa.

Esta reconstituição dos três dias de retirada de um regimento do Exército Vermelho em direção à Stalingrado  foi baseada no romance do Nobel de Literatura Mikhail Sholokhov.  O filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1975. Sergei gostou tanto de adaptá-lo para o cinema (já havia feito seu primeiro filme também baseado em Sholokhov) que repetiu a dose mais uma vez no filme citado acima, "O Don Silencioso".  O Autor do livro (Scholokhov), o diretor (Bondarchuk) e a maior parte do elenco principal eram verdadeiros veteranos da Segunda Guerra Mundial.


De certa forma, a intensidade do sofrimento militar, o suor e o sangue dos soldados reproduzidos na tela estão relacionados com a intimidade dos envolvidos na produção com o próprio conflito. A crueldade retratada na linha de frente é, ao mesmo tempo, uma forma de encarar novamente a violência gráfica vivida e exorcizar os demônios criados pelo conflito.

Sholokhov foi um dos maiores escritores soviéticos. Nascido em Kruzhilinsky, no território cossaco de Vyoshenskaya, fronteira da Rússia com a Ucrânia. Filho de camponeses, frequentou escolas em Kargin, Moscou, Boguchar e Vyoshenskaya até 1918, quando se juntou aos bolcheviques na Guerra Civil Russa, com a idade de 13 anos. Em 1922 se uniu aos escritores revolucionários do grupo A Jovem Guarda, e ingressou na Associação Russa de Escritores Proletários. Em 1926 publicou os “Contos do Don”, sobre os acontecimentos da guerra civil após a Revolução de 1917 e os primeiros anos da consolidação do poder soviético na Ucrânia. Em 1925 começou a escrever “O Don Silencioso”. 


Só na URSS foram vendidos 40 milhões de exemplares do livro. Ingressou no Partido Comunista em 1932. Em 1940 publicou “Campos Lavrados”, sobre a coletivização de terras nos primeiros meses de 1930. Entre 1940 e 1945 trabalhou como correspondente de guerra. Como fruto dessa experiência escreveu as novelas “Eles Lutaram pela Pátria” (1943) e “O Destino de Um Homem” (1967). Recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1965.

Durante a produção, o ator (e também diretor e roteirista)  Vasily Shukshin, que faz o papel de Pyotr Lopakhi, faleceu, com apenas 45 anos, vitimado por um ataque cardíaco. Seu trabalho foi concluído por um dublê, fato que ocorreu em alguns filmes na história do cinema como em Velozes e furiosos (Paul Walker foi digitalizado e seus irmãos fizeram o dublê de corpo), O Corvo (as cenas em que Brandon Lee apareceria foram substituídas por perspectivas diferentes para o público não notar ) e Gladiador (Oliver Reed foi digitalizado).


Sergei consegue fazer uma obra humanista, mesmo diante de um conflito irracional. As perdas são sentidas pelo público e os personagens não estão ali só para fazer número. A produção alterna momentos bélicos (muitas TNTs são utilizadas na produção) com drama pós-conflito e divagações sobre a vida e seu sentido (ou a falta dele). Há momentos que não sabemos exatamente se é interpretação ou o ator contando suas dores, traumas e lembranças desconcertantes. 

A cena final mesmo (sem spoilers). As lembranças podem ser sentidas no olhar dos combatentes. Parece que estamos diante de um momento dirigido por Andrei Tarkovski. Repare na imagem do vento sobre a vegetação.

Uma obra para ser vista, revista e além de tudo, sentida.



A CPC Umes filmes lançou o filme em DVD. O filme pode ser adquirido no próprio site da empresa, que abastece o mercado com grandes obras soviéticas. É só clicar na imagem acima e ser feliz...

Informações sobre a edição:

Elenco:  VASSILY SHUKSHIN, GUEORGY BURKOV
Diretor: SERGEI BONDARCHUK
Distribuidora: CPC UMES FILMES
Legendas: PORTUGUÊS
Idioma: RUSSO
Formato: DVD Região:  4
Sistema de Cores: COLORIDO
Quantidade de Discos:  1
Formato da Tela:  1:33.1
Sistema:  NTSC
Duração: 151 minutos


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