SETE SAMURAIS (1954) - FILM REVIEW

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Há filmes no cinema que são únicos, transformadores, inesquecíveis. Estes filmes tem um reflexo diferente em cada pessoa. Só assim para aceitarmos que uma obra pode ser emocionante para um, é monótona para outro. Vide o recente "Milagre na cela 7". Alguns choraram litros e se emocionaram com a história de Memo e Ova. Outros criticaram justamente por ser emocionante. Enfim, vim aqui para falar de um filme extremamente particular. Que figura no top 3 dos filmes da minha vida. E não há como eu falar desta obra prima "Os 7 Samurais", sem contar uma história pessoal, que mudou os rumos da minha vida de cinéfilo. 

Quem me acompanha, sabe que anoto os filmes que já assisti desde os 6 anos. Já vi 20 mil filmes diferentes e mais do dobro disto em revisões. Na adolescência fui submetido a um teste cinéfilo: certa noite, seria exibido "Os 7 Samurais" na TVE. Quem é da época, lembra bem desta cópia chuviscada exibida no canal num sábado (ou domingo) à noite, imagino eu que umas 21:30 ou 22:00.  Eu namorava na época e na mesma noite, tinha uma festa. Resumindo: fui à festa mais a deixei lá com amigas e fui para casa ver o filme.  Perdi a namorada, mas ganhei o filme da minha vida.


Comprei o VHS alguns anos depois (que tenho até hoje). Consegui adquirir o DVD importando uma cópia da Criterion. Da mesma forma, o BLURAY. Uma lástima o filme não ter sido lançado até agora, mas a Versátil Home Vídeo corrigiu este fato histórico. 

Os 7

A história se passa no século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais de outrora estavam com os dias contados, pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores (samurais sem mestre eram chamados de "ronin"). Kambei (Takashi Shimura), um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa que foi saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como devem se defender em troca de comida.


Os aldeões dão boas-vindas aos guerreiros e algumas relações começam. Katsushiro (Ko Kimura) se apaixona por uma das mulheres locais, embora os outros ronins mantenham distância dos camponeses. O último dos guerreiros que chega é Kikuchio (Toshiro Mifune), que finge estar qualificado, mas na realidade é o filho de um camponês que almeja aceitação.

O grupo de samurais era formado por Kambei Shimada vivido por Takashi Shiimura. O sábio e experiente samurai que constrói e lidera o grupo de guerreiros; Isao Kimura (Katsushiro), o jovem impetuoso; Yoshio Inaba (Gorobei),samurai habilidoso em arquearia que age como o imediato no comando na criação do plano mestre de defesa da aldeia; Daisuke Kato (Shichiroji), o samurai que, já tendo lutado outras guerras com Kambei, encontra-se com ele por acaso na cidade e que, convidado por ele, aceita imediatamente assumir este papel; Minoru Chaki (Heihachi Hayashida), o samurai recrutado por Gorobei Kaatyama;Seiji Miyaguchi(Kyūzō), o samurai sério, frio e altamente habilidoso como espadachim e treinado nas artes de guerra que, após ter inicialmente declinado de oferta de trabalho de Kambei, muda de ideia e pede para se juntar ao grupo; e por fim, ele,Toshiro Mifune, com seu inesquecível Kikuchiyo, que quer provar seu valor num mundo estabelecido.


Mestres

A ideia original de Akira Kurosawa para o filme era fazer um dia na vida de um samurai, começando com ele levantando-se da cama, tomando café da manhã, indo ao castelo de seu mestre e terminando com ele cometendo algum erro que exigia que ele fosse embora para casa e se matar para salvar a sua honra. Apesar de muita pesquisa, ele não achava que tinha informações factuais sólidas o suficiente para fazer o filme. Ele então lançou a ideia de um filme que abrangeria uma série de cinco batalhas de samurais, com base na vida de famosos espadachins japoneses. 

Hashimoto começou a escrever esse roteiro, mas Kurosawa também declinou da ideia, preocupando-se com o fato de que um filme que era apenas “uma série de situações limite e que não funcionaria”. Então, o produtor Sôjirô Motoki descobriu, por meio de pesquisas históricas, que os samurais no período dos "Reinos Combatentes" da história japonesa frequentemente se voluntariam para vigiar aldeias camponesas durante a noite em troca de comida e hospedagem.


Kurosawa então se deparou com um conto sobre uma vila que contratava samurais para protegê-los e decidiu usar essa ideia. Kurosawa escreveu um dossiê completo para cada personagem. Nele havia detalhes sobre o que vestiam suas comidas favoritas, sua história passada, seus hábitos de falar, sua reação à batalha e todos os outros detalhes que ele conseguia pensar sobre eles. Nenhum outro diretor japonês havia feito isso antes. Dar tantas camadas a personagens fictícios.

Akira Kurosawa projetou o registro de todos os 101 moradores da vila, criando uma árvore genealógica para ajudar seus extras a construir seus personagens e relacionamentos. Após meses de pesquisa, todos os sete personagens principais do filme foram baseados em samurais históricos. Por exemplo, Kyuzo foi baseado em Miyamoto Musashi, um dos samurais mais famosos que já viveram. Originalmente, Toshirô Mifune foi criado para interpretar Kyuzo, o mestre espadachim extremamente inabalável. No entanto, Akira Kurosawa e seus escritores colaboradores decidiram que precisavam de um personagem com quem pudessem se identificar mais, que não era um samurai de pleno direito, então Kikuchiyo foi criado. Como Kikuchiyo não tinha uma base histórica, Mifune foi autorizado a fazer uma quantidade sem precedentes (para um filme de Kurosawa) de improvisação.


Este foi o primeiro filme em que Akira Kurosawa usou várias câmeras, para que ele não interrompesse o fluxo das cenas e pudesse editar o filme como quisesse na pós-produção. Akira Kurosawa se recusou a filmar a vila camponesa no Toho Studios e construiu um conjunto completo em Tagata, na Península de Izu, Shizuoka. Embora o estúdio tenha protestado contra o aumento dos custos de produção, Kurosawa foi firme em afirmar que "a qualidade do set influenciaria na qualidade das performances dos atores... Por esse motivo, eu tenho os sets feitos exatamente como a coisa real. Isso restringe as filmagens, mas encoraja esse sentimento de autenticidade ".

À medida que o processo de produção foi ficando mais extenso, os produtores ficaram preocupados com o fato de Akira Kurosawa estar gastando muito no filme. Como resultado, a produção foi encerrada "pelo menos duas vezes". Em vez de discutir, Kurosawa simplesmente saia para pescar, acreditando que o estúdio já havia investido tanto dinheiro no filme que eles simplesmente não descartariam o projeto. Ele estava certo. Mas o estúdio passou um aperto, já que no mesmo ano, Godzilla consumia uma boa grana para ser realizado. O estúdio quase "arriou". O filme acabou ultrapassando quatro vezes o orçamento, com produção estendida para 148 dias de filmagem.


A Toho Studios originalmente cortou 50 minutos do filme ao exibi-lo para distribuidores americanos por medo de que nenhuma audiência americana estivesse disposta a assistir toda a obra..

Para a cena em que o moinho de Gisaku é queimado pelos bandidos, a equipe inicialmente cobriu o moinho em tecido para acendê-lo em chamas sem queimar toda a estrutura, com a teoria de que eles poderiam continuar filmando no local sem destruir o moinho. No final, foi reconstruída e queimada três vezes para obter todas as imagens que Akira Kurosawa precisava.

O filme se tornou a obra favorita de Toshirô Mifune, que também atribuiu a Kikuchiyo como seu papel favorito, porque foi capaz de "ser ele mesmo". O ator Seiji Miyaguchi, que interpreta o samurai Kyuzo, nunca havia tocado em uma espada antes de rodar Os Sete Samurais. Foi graças à uma cuidadosa edição usada no filme que o ator pôde passar para o público a impressão de que ele era um mestre na arte espadachim.


Os ancestrais de Akira Kurosawa eram samurais, aproximadamente 100 anos antes de ele fazer este filme. Takashi Shimura também era descendente de samurais.

Nenhum dos sete samurais é superado em combates com espadas, arco e flecha ou lanças pelos bandidos. Todos os quatro samurais mortos no filme são baleados por um mosquete. Porém os únicos três sobreviventes dos samurais, Shichiroji, Katsushiro e Kambei, foram os três primeiros atores a morrer na vida real: Daisuke Katô (Shichiroji) morreu em 1975, Isao Kimura (Katsushiro) em 1981 e Takashi Shimura (Kambei) em 1982. Minoru Chiaki , que interpretou Heihachi, o primeiro samurai morto, foi o último dos atores a morrer na vida real (1999).


A versão original japonesa do filme dura 207 minutos, mais intervalo, que inclui 4 minutos de música entreatos com uma tela em branco. Essa é a versão que geralmente é exibida em todo o mundo desde os anos 80, embora algumas vezes seja exibida sem o intervalo e o entreato, resultando em um tempo de execução listado de 203 minutos. O lançamento inicial nos EUA foi reintitulado 'The Magnificent Seven' e lançado em novembro de 1956, com legendas em inglês, e durou 158 minutos. Alguns lançamentos europeus foram ainda mais reduzidos para 141 minutos. A Landmark Films relançou o filme nos EUA em dezembro de 1982, pela primeira vez fora do Japão o filme teve um grande lançamento com seu tempo de duração intacto (embora o intervalo e o entreato foram removidos). No final das contas, ficaram estas: 207 min, 160 min (international), 202 min (2002 relançamento), 150 min (original) | 190 min (1991 relançamento, 158 min (cut). 203 min (relançamento) | 207 min (restaurado) | 202 min (DVD).

A versão lançada pela Versátil é a de 207 min  restaurada. È só comprar, relaxar e curtir a maior obra prima do cinema japonês da história... e quiçá do cinema mundial.


A Versátil lançou “Os Sete Samurais", a obra máxima do mestre Akira Kurosawa em Edição Definitiva Limitada, que traz, em luva reforçada, a inédita versão restaurada em alta definição deste clássico em Blu-ray (50Gb de dupla camada) e outro disco DVD com cinco horas de vídeos extras legendados, incluindo especiais e documentários, além de um pôster exclusivo para colecionadores.

ESTA EDIÇÃO LIMITADA CONTÉM:

1 disco BD (50Gb de dupla camada)
1 disco DVD
Pôster exclusivo 35 x 43,7 cm

DISCO 1 – Blu-ray

Versão integral restaurada (207 min.)
Documentário e trailers (61 min.)

DISCO 2 – DVD

Especiais sobre o filme (240 min.)

➤INFORMAÇÕES DA CAIXA:

Título: Os Sete Samurais  
Título original: Shichinin no Samurai
País de produção: Japão
Ano de produção: 1954
Gênero: Aventura
Direção: Akira Kurosawa
Elenco: Toshiro Mifune, Takashi Shimura, Ko Kimura, Yoshio Inaba, Daisuke Kato, Minoru Chaki, Seiji Miyaguchi
Resolução: 1080p High Definition
Idioma: Japonês
Áudio: Original LPCM MONO 2.0, MONO 1.0
Legenda: Português
Formato de tela: Fullscreen 1.33:1
Tempo de duração: 207 min.
Região: A
Preto e Branco
Faixa etária: 14 anos

➤EXTRAS:

Documentário e trailers (61 min.), Especiais sobre o filme e Kurosawa (240 min.)

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