DALMA RIBAS - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

dalma-ribas-7

Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo, mas valeu a pena.

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do (a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista.

E hoje, com vocês, a atriz Dalma Ribas


Boa sessão:

1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é uma apaixonada por cinema? Como começou a trabalhar na indústria? Quando surgiu a primeira oportunidade de atuar?

D.R.: Comecei em 1967 pela indicação do comediante e ator Oscarito. Foi no filme "Na mira do assassino". Um filme de Mário Latini e no elenco Agildo Ribeiro e Wilson Grey.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

D.R.: Cleópatra. Eu sempre fui fã da Elizabeth Taylor, teve uma época que até usava lentes de contato violeta. Mas gosto de filmes clássicos também.
E sempre sonhei em conhecer o Egito, local aonde ocorrem algumas filmagens.


3) "Éramos musas do sexo em uma época reprimida, moralista e desinformada", disse Nicole Puzzi numa entrevista. Como foi ser uma musa? No que isto impactou sua vida?

D.R.: Sempre fui livre para fazer minhas escolhas e sonhos. Ser musa na época foi uma grande conquista, tanto na sétima arte quanto na TV. Foi na TV Tupi que fui eleita o rosto mais bonito da emissora nos anos 70. Mas preconceitos num país tradicional como o Brasil, sofremos até hoje.

Neste período fértil trabalhei muito no eixo Rio e São Paulo, com Chico Cavalcanti (Ivone, A Rainha do Pecado, O cafetão), Ubiratan Gonçalves  (Nuas no asfalto), José Adalto Cardoso (Motorista do Fuscão preto). 

O primeiro em São Paulo fui dirigida por Custódio Gomes chamado "Tara das sete aventureiras". Entre os atores estava Tony Tornado.  E no Rio com diretores Mario Latine, Geraldo Gonzaga. Trabalhei com Jesse Valadão. Vários filmes indicados por Oscarito. Minha estreia  Com Geraldo fiz 3 ou 4 filmes, não me lembro os nomes. Entre eles "Uma cama para três" e "Empregada para todo o serviço" . Com Jece Valadão "O Mau-Caráter" também foi marcante.


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Lembra de alguma história legal que tenha acontecido  durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? Alguma história de bastidores por exemplo…

D.R.: No início dos anos 70 eu fazia shows como dançarina em boates no RJ com o saudoso comediante Tutuca e num determinado show ele me perturbava. Ficava me irritando... Aí ao invés de dizer:  "- Eu vou te dar uma bolsada na sua cara", eu disse "-Eu te dou uma bucetada na sua cara". Ele ficou olhando pra mim parado com aquela cara cômica. Ai o público nessa hora veio ao chão de tanto rir  achando que fazia parte do texto. E não é que entrou para o texto?

Teve uma outra passagem na TV Tupi do RJ anos 70 no programa Almoço com as Estrelas apresentado por Aérton  Perlingeiro com a saudosa Wilza Carla. Lá teve um concurso de beleza interno do rosto mais bonito e eu ganhei. Wilza que acostumada a ganhar todo tipo de concurso não aceitou o resultado e nós discutimos no camarim. Depois, na hora de entrar em cena, meu figurino tinha desaparecido. Nunca ficou comprovado que foi a Wilza Carla, mas só tínhamos nós duas no local.


5) Se pudesse, por um dia, ser uma atriz do cinema clássico (de qualquer país) e através deste dia, ver pelos olhos dela, uma obra prima sendo realizada, qual seria atriz e o filme? E claro…porquê?

D.R.: Elizabeth Taylor sem dúvidas no filme Cleópatra. Imagina só eu no Egito filmando? Sonho.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhosa? 
E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer, ou caso não tenha se arrependido, teria apenas feito diferente?

D.R.: Os melhores filmes na minha opinião são: "As desquitadas" de Élio Vieira de Araújo, Ivone - A Rainha do pecado de Francisco Cavalcanti e Severina Xique-Xique de Celso Falcão.

No cinema não necessariamente tenha me arrependido. Somente acho que eu deveria ter escolhido melhor os roteiros.  Em alguns filmes fui mal  aproveitada e não gosto  dos enxertos que alguns deles ganharam  por exigências dos exibidores e para fazer isso alguns diretores cortavam cenas em que ela aparecia para dar espaço aos tais enxertos. Com isso sua personagem perdia espaço no filme. Detalhe que eu nunca fiz e nem consenti enxertos de sexo explícito em minhas cenas. Quanto aos nomes dos filmes prefire não mencionar para não ter que citar os diretores.


7) Para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

D.R.: "Com humildade você ganha o mundo". 
Ainda arremato: Talento, Determinação e Humildade.

M.V.: Obrigado. Foi um prazer.



Tecnologia do Blogger.