O PRISIONEIRO (1967- 68) - SÉRIE REVIEW

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Para que não conhecia a série O Prisioneiro (como eu), tem um choque já na primeira cena. O tema tocado é quase idêntico ao de Ultima esperança da Terra, um filme que amo, feito pouco tempo depois e lançado em 1971. Ambos os trabalhos de Ron Grainer (1922–1981). Este é um fato comum entre compositores, pois quando fazem trabalhos similares pouco tempo depois, algumas notas ficam bem parecidas.  Inclusive a cena da abertura, em que Patrick anda com seu KAR 120C amarelo, preto e laranja é parecida com a de Chartlon Heston, ambos com seus veículos, atravessando a cidade.

O choque número dois (agora relativo a acontecimentos da série) vem logo a seguir, quando uma pessoa é punida através de um sistema de autodefesa do lugar chamado "Rover". Uma bola branca gigante, meio que uma Bolha assassina, que persegue e sufoca que comete insurreição. Nada me preparou para 17 horas de uma sociedade utópica fascista que, contudo, até a mente.


A série, bastante intricada, mostra Patrick Mcgoohan, após ser misteriosamente demitido de suas funções, um agente secreto britânico é sequestrado e desperta em uma comunidade aparentemente pacífica e feliz conhecida como “A Vila”, um local onde as pessoas não têm nome e são identificadas apenas com números. Ele é o número 6 e tenta desesperadamente fugir de um mundo surreal e sufocante. "O Prisioneiro" aborda questões como identidade pessoal e liberdade, democracia, educação, progresso científico, arte e tecnologia, enquanto ainda permanece uma divertida série dramática e fantástica. Ao longo de dezessete episódios, assistimos a uma guerra de atrito entre as forças sem rosto por trás de "A Vila" e seu candidato mais forte, o número 6, que luta incessantemente para afirmar sua individualidade enquanto planeja fugir de seus captores.  

-Quem é o número 1?


O Prisioneiro foi filmado na vila de Portmeirion, no norte de Gales, ao longo de um ano. Patrick McGoohan ficou encantado com o lugar e quis filmar sua série lá depois de fazer alguns episódios de Danger Man (1960) no mesmo local. Para quem não conhece, na série ele é Drake, um detetive da Otan que, munido de ferramentas engenhosas, encara os cenários mais exóticos e perigosos a fim de solucionar misteriosos casos criminais. Dessa forma, este homem com uma determinação implacável se lança em uma vida repleta de aventura, mulheres e muitos desafios.


Já em o Prisioneiro, Patrick McGoohan foi inflexível quanto ao número seis não se envolver romanticamente com ninguém justamente pelo seu personagem de "Danger man". No entanto, os roteiristas colocaram o personagem com protagonistas femininas em algumas ocasiões, apenas para ter seus esforços vetados por Patrick McGoohan . Os personagens interpretados por Nadia Gray em "Badaladas do Big Ben" e Angela Browneem "Mudança de ideia" foram escritos para serem suas "Bond Girls", incluindo uma cena na cama, mas McGoohan não aceitou. 

Aliás, Patrick McGoohan era tão avesso ao romance na tela, que em uma das cenas que ele passa o braço em volta de Nadia e está acariciando seus cabelos, é na verdade a filha de McGoohan de peruca.

-Você é o número 6 ...



O "Rover", o ameaçador balão branco que atua como uma sentinela surreal deveria ter sido uma grande máquina robótica. Durante as filmagens do primeiro episódio, ele deveria viajar através da água em um par de trilhos escondidos sob a superfície. A máquina caiu dos trilhos e entrou na água, danificando os motores internos. Nesse momento, um balão meteorológico passou e Patrick McGoohan deu a ideia do que viria a se tornar o "Rover". Para criar seu movimento característico, os "Rovers" foram preenchidos com uma mistura de ar, hélio e água.

A razão pela qual o elenco fica parado quando Rover passa é porque o balão está sendo puxado por um fio. As tomadas foram executadas ao contrário e editadas no filme (em um episódio, a fumaça pode ser vista flutuando de volta para uma chaminé à distância, à medida que Rover passa). Impressionante para uma improvisação de última hora, o Rover permaneceu inquietante, ameaçador e futurista, como um drone sentinela.


As cenas internas foram filmadas em um estúdio localizado ao lado do usado para as filmagens de 2001: Uma odisseia no espaço (1968). Uma cena com efeitos especiais mostrando um céu estrelado, que foi criada para o filme, foi emprestada pelos produtores à série de TV para ser usada no episódio "As badaladas do Big Ben". Embora cortada da versão televisionada, a edição inicial do episódio, incluindo as cenas de 2001, foi lançada posteriormente em vídeo e DVD. (A cena noturna estrelada aparece na sequência em que o número 6 usa um dispositivo para estudar o céu na esperança de determinar a localização da vila).

Peter Swanwick, que interpretou o Supervisor, morreu antes da série terminar sua temporada. Patrick McGoohan e "O número 6" nasceram no mesmo dia, 19 de março de 1928, de acordo com o episódio "A chegada".


Patrick McGoohan queria fazer uma série de 7 episódios (o que convenhamos, seria melhor), mas os executivos discordaram, e eles chegaram num acordo de fazer duas temporadas de 13 episódios. No final das contas, ficou no formato que conhecemos: uma temporada com 17 episódios. 

Há muito debate sobre a ordem correta em que os episódios devem ser vistos, pois nem a ITV na Grã-Bretanha nem a CBS nos EUA transmitiram os episódios originalmente em ordem de produção. O lançamento do DVD da A&E em 2001 colocou os episódios na ordem descrita como "preferida pelos fãs" (embora isso esteja aberto a debate). A ordem de visualização do episódio sugerida pela A&E é a seguinte: 1. A Chegada 2. Liberdade para todos 3. A dança dos Mortos 4. Xeque-mate 5. As Badaladas do Big Ben 6. A, B e C 7. O General 8. Mudança de Personalidade 9. Um Retorno Inesperado 10. É o seu funeral 11. Mudança de ideia 12. O Martelo na Bigornia 13. Não me esqueça, querida 14. Vivendo em harmonia 15. A Menina que estava morta 16. Era uma vez 17. Caindo fora


Sob o domino do mal

O ator Derren Nesbitt ficou bastante furioso com o roteiro que recebeu. Ele apareceu como o número 2 e afirmou que partes da história faziam pouco sentido e que Patrick McGoohan não era muito útil quando solicitado a explicar o que tudo aquilo significava. Inclusive, o personagem, que sempre se apresentava como “novo número 2”, era trocado sistematicamente a cada episódio e por isto fala o "novo". 

Annette Andre não escondeu sua profunda aversão por ter trabalhado na série. Ela odiava o design dos cenários e não se dava bem com Patrick McGoohan.

George Markstein, co-criador da série e editor do roteiro faz uma ponta nos créditos de abertura.  Ele e Patrick McGoohan se estranharam tanto durante as filmagens que George tocou o barco, saindo da série. Até hoje, os fãs contestam quem foi quem desenvolveu a série durante a pré-produção. 


A resposta mais precisa é que Patrick McGoohan criou o conceito e, em seguida, George Markstein e o diretor David Tomblin se tornaram instrumentais no desenvolvimento da série.

Num certo momento, McGoohan arranjou outro ator parecido com ele para interpretar o número 6 em um episódio para que ele pudesse tirar uma folga para filmar "Estação Polar Zebra (1968)".

No final das contas, temos a sensação que estamos numa mistura heterogênea da série Lost, com os filmes Sob o domínio do mal e Show de Truman. Para o bem e para o mal.




A One Movies/Dark Flix lançou mais uma série clássica completa que pode ser comprado clicando na imagem acima. 

O PRISIONEIRO - A SÉRIE CLÁSSICA COMPLETA
(The Prisoner)

Veja abaixo detalhes da linda edição.


⇰ Informações técnicas da edição:

850 minutos  – Colorido - Formato de Tela:  1.33:1 – Áudio Inglês 5.1 Dolby Digital Estéreo – Legendas: Português/Inglês

⇰ Embalagem: Embalagem: Digipak em 3 painéis + 2 bandejas duplas em acrílico + luva em cartão 350 gramas empastado + verniz


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