AS CRÔNICAS MARCIANAS (1980) - SÉRIE REVIEW

as-cronicas-marcianas-1980-serie-review

O criador

Ray Bradbury foi certamente o responsável por muitos descobrirem que o número 451 (em sua obra e adaptação para o cinema "Fahrenheit 451") é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius. Sua obra e seu legado o transcendem. Marcou a história como escritor, poeta e roteirista em ao menos ter segundo grau completo. Sua "formação" foi trabalhar como jornaleiro  e frequentar a biblioteca pública nas horas vagas. 

Sua década mais importante foi a de 50. Em 1951 Ray publicou “O homem ilustrado”, que se tornou o filmão com Rod Steiger e em 1953 publicou “Fahrenheit 451”, considerado por muitos a sua obra-prima, que viraria um filme pelas mãos de François Truffaut (além do remake mais tarde, com  Michael B. Jordan, Michael Shannon em 2018).


Mas o tema do post de hoje nasceu na esquina anterior. Em 1949, Bradbury e sua esposa estavam esperando seu primeiro filho. Ele pegou um ônibus da Greyhound para Nova York e se hospedou em um quarto na YMCA . Ele levou seus contos para uma dúzia de editoras e ninguém os queria. Pouco antes de se preparar para ir para casa, Bradbury jantou com um editor na Doubleday. Quando Bradbury contou que todo mundo queria um romance e ele não tinha um, o editor, coincidentemente chamado Walter Bradbury, perguntou se os contos poderiam estar ligados a uma coleção de livros. 

O título foi ideia do editor. Ele sugeriu: "- Você poderia chamar de As Crônicas Marcianas". Bradbury gostou da ideia e acabou se lembrando de que havia feito anotações por volta de 1944 para fazer um livro em Marte. Naquela noite, ele ficou acordado a noite toda na ACM e escreveu um esboço. Ele o levou ao editor da Doubleday na manhã seguinte, que aprovou imediatamente. Quando Bradbury retornou a Los Angeles, ele conectou todos os contos no que se tornou "As Crônicas Marcianas". 

Ele se tornou uma minissérie de três partes estrelada por Rock Hudson, que foi transmitida pela NBC pela primeira vez em 1980.


A criatura

Como dito, as histórias se tornaram um livro de contos de ficção científica com 222 páginas cujo tema recorrente é a colonização de Marte por humanos. O estilo do livro varia de contos a novela episódica, com histórias de Bradbury originariamente publicadas nos anos de 1940 em revistas de ficção científica.  A obra é similar em sua estrutura a outro livro de contos de Bradbury, chamado "O homem ilustrado", que também usa uma história para ligar várias outras entrelaçadas.

A estrutura geral é dividida em três partes, pontuadas por duas catástrofes: a quase extinção dos marcianos e a quase extinção paralela da raça humana. O primeiro terço é estabelecido no período de janeiro de 1999 a abril de 2000. O segundo, de dezembro de 2001 a novembro de 2005 e o terceiro ato de dezembro de 2005 a outubro de 2026. Curiosamente, uma edição de 1997 do livro avança todas as datas em 31 anos.


A minissérie

A minissérie estava originalmente programada para ser lançada em setembro de 1979, como um grande começo para a temporada 1979-80. Infelizmente, foi vítima de alguma publicidade negativa do próprio Ray Bradbury. Embora Bradbury tenha trabalhado com o roteirista Richard Matheson na adaptação de seu livro para a telinha, ele ficou pouco empolgado com o resultado final. A certa altura, pouco antes do lançamento programado da minissérie, Bradbury se viu o único representante da produção em uma conferência de imprensa. Quando um repórter perguntou o que ele achava da minissérie, ele respondeu abertamente: "Booooooooring!" (Chatooooo). A NBC logo arquivou a minissérie e não foi ao ar até janeiro de 1980.

Uma versão cinematográfica foi discutida anteriormente em 1964, com Gregory Peck no papel principal. Alan J. Pakula e Robert Mulligan deveriam produzir e dirigir, respectivamente. Uma versão de 90 minutos, editando os três episódios da série, foi lançada nos cinemas franceses um ano antes de a versão completa ser exibida  na televisão.


Com o passar dos anos, a produção ganhou camadas, principalmente se avaliarmos as condições em que o ser humano está deixando nosso planeta. Nunca fez tanto sentido como agora. O próprio "Interestelar", de Christopher Nolan, trata do tema. Na primeira parte, a série propõe discussões sobre as nocivas consequências das colonizações bem como a inevitabilidade dos atos humanos terem os mesmos resultados me Marte.

O segundo episódio busca uma discussão bastante interessante envolvendo religião. Já começando pela figura de dois padres em Marte querendo abrir uma igreja. Religião, como sabemos, adora ídolos. Na série, durante uma conversa entre o padre Peregrine e três esferas azuis, que nada mais são que marcianos espiritualizados, em apenas um minuto de conversa, o padre se convence que vai abrir a igreja, mas vai trocar a cruz pela esfera azul!!! E o marciano responde de forma sublime e contundente que não precisam de adorações. Cada um faz para si sua própria igreja. Um tapa na cara dos fanáticos religiosos...


O terceiro mostra o fechamento da história bem como as relações dos marcianos e as consequências dos primeiros episódios. O roteiro de Richard Matheson se desvia significativamente do enredo do romance original, até para torná-la mais comercial, o que como dito, não agradou Bradbury. A direção ficou na mão do hábil  Michael Anderson, que fez vários filmes marcantes como "A volta ao mundo em 80 dias" e "Fuga do século 23". E o papel principal ficou com Rock Hudson, que veio a falecer pouco tempo depois.

Hudson tinha sido diagnosticado com HIV em 5 de junho de 1984. Durante a maior parte de 1984 e 1985, Hudson manteve sua doença em segredo, continuando a trabalhar e ao mesmo tempo viajar para a França e outros países em busca de uma cura, ou pelo menos um tratamento para retardar o avanço da doença. Em 16 de julho de 1985, Hudson se juntou à sua velha amiga Doris Day para uma conferência de imprensa para anunciar o lançamento de seu novo programa na televisão a cabo Doris Day's Best Friends, no qual Hudson foi filmado visitando o rancho de Day em Carmel, Califórnia poucos dias antes.


Sua aparência esquelética e padrão de fala quase incoerente foram tão chocantes que o encontro foi transmitido repetidamente nos noticiários nacionais naquela noite e por vários dias seguintes. Ele faleceu em 2 de outubro de 1985.

Entre erros e acertos, "Ac Crônicas Marcianas" é uma obra que vale a pena ser conhecida, entendida e admirada. E mesmo seus equívocos, relevados.


.

A One Movies/Dark Flix lançou mais uma série clássica completa que pode adquirida no link acime e nas melhores lojas.

DVD As Crônicas Marcianas - A Série Completa (3 DVDs)

Veja abaixo detalhes da linda edição.


⇰ Informações técnicas da edição:

Formato:  DVD
Título Original:  RAY BRADBURY´S THE MARTIAN CHRONICLES
Origem:  NACIONAL
Legendas: ESPANHOL, INGLÊS, PORTUGUÊS
Ano de Produção:  1980
Idioma Original: INGLÊS - 2.0 DOLBY DIGITAL
País de Produção: ESTADOS UNIDOS DA AMERICA
Classificação Indicativa: 14 anos
Região:  4
Quantidade de Discos:  3
Sistema de Cores:  Colorido
Duração: 281 minutos
Sistema:  NTSC


Tecnologia do Blogger.