ALCIONE MAZZEO - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

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Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo mas valeu a pena. 

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do(a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista. 

E hoje, com vocês a atriz Alcione Mazzeo

Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano.  Você é uma apaixonada por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

A.M.: Guardo com o maior carinho sim, o início da minha relação com o cinema. Eu morava em Santos, tinha uns 7 anos e quando ficava sozinha em casa, eu me vestia com as roupas da minha mãe, calçava seus sapatos de salto e com uma cestinha de flores ia cantando pela casa “La Violetera”. Certamente, inventava uma letra diferente da cantada pela Sarita Montiel, já que era muito criança. Nem me recordo como assisti ao filme, mas me lembro que mais tarde, já adolescente, eu falsificava documento para entrar em filmes de adultos. Morava numa rua que ficava entre 2 cinemas e era pra lá que eu ia nas tardes de domingo.


Tinha álbum de figurinhas de artistas de cinema, admirava Cláudia Cardinale, Gina Lollobrigida, Marilyn, entre outras, mas minha predileta era a Brigitte Bardot; talvez porque todos me achavam parecida com ela; Mais tarde, após assistir Can Can, me tornei fã da Shirley MacLaine, que atriz fantástica! Vai do humor para o drama com a maior credibilidade. Canta, dança, é genial. Quando comecei a me interessar pela espiritualidade, li todos os seus livros.

Já os filmes ruins eu preferi apagar da memória. É Muito triste não termos mais os cinemas de rua: RIEN, o PAISSANDU (aonde assistia aos festivais), BRUNI COPACABANA, CINEMA 1, na Prado Júnior e o SÃO LUIZ, no Largo do Machado eram os que eu frequentava.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. 

E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

A.M.: Não tem o mais importante, gostei de vários, como: Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976), A noite americana (François Truffaut), Beleza Americana (Sam Mendes), O fabuloso destino de Amélie Poulain, Era uma vez no oeste (Sergio Leone), La La Land. Praticamente todos do Almodóvar, pela sensibilidade melodramática e do Woody Allen. Fellini é maravilhoso! Flerta com a fantasia, o sonho, sem perder a mão das crônicas sociais; mostra a miserabilidade humana. Adoro A doce vida e 8 e meio!


3) Sua carreira começou com  editoriais de moda. Depois fez vários filmes, trabalhou na Tv em alguns dos mais importantes programas da época, seriados, novelas, peças de teatro.   Baseado em suas experiências, qual o conselho deixaria para quem está começando na área? Quais são os erros mais comuns que um ator ou atriz iniciante deveria evitar?

A.M.: Estudar, estudar, estudar! Assistir peças de teatro e ler! Ter garra, acreditar em si mesmo e não desistir! 
Evitar: não se preocupar com fama, com o estrelato! Sucesso é consequência!


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com atuação, tem suas pérolas. Lembra-se de alguma história legal que possa compartilhar durante a execução de algum trabalho seu? Alguma história de bastidores, por exemplo, ou algum fã maluco por você...

A.M.: Início da carreira na TV, programa SATIRICON, não me davam falas, eu era só uma modelo bonita, ilustrando os quadros, geralmente muda. Reclamei tanto com o diretor que ele resolveu me dar uma oportunidade, o desfecho da piada de 2 atores; então um fala, outro responde, o primeiro fala, o segundo responde etc. até que a câmera fecha em mim para eu dizer o final da piada. Acredita que esqueci? Deu branco!

Tive problemas com um fã também. Ele vivia me seguindo e depois deixava bilhetes em minha portaria contando todos os meus passos, o que eu tinha feito e como estava vestida... Era assustador!


5) Todos temos atores ou atrizes de nossa preferência. Como atriz, há algum papel que gostaria de ter interpretado no cinema? Pode ser de um filme de qualquer época ou País. 

A.M.: Gostaria de ter interpretado muitos dos filmes da Meryl Streep, tão brilhante e versátil!  Certamente Manhattan do Allen, que é maravilhoso! E os da  Susan Sarandon, como Thelma e Louise.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhosa? E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer?

A.M.: Tenho muito orgulho de ter criado com Chico Anysio, a Maria Angélica, namorada do Bozó, pois até então só me davam papeis de mulher bonita, sexy. Foi a oportunidade de sair daquele estereótipo. Também tenho orgulho da minha participação num “Caso verdade” sobre a Irmã Dulce, pois foi um dos meus primeiros papeis que não era voltado para o humor. Não me arrependo de nada que fiz, pois o que não fez sucesso, certamente acrescentou em meu crescimento como atriz e como pessoa.


7) Para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

A.M.: A da Bette Davis é uma das que me representam:  “Eu amo minha profissão. Eu nunca pararia. Relaxar? Eu relaxo enquanto trabalho. Essa é minha vida.“

M.V.: Obrigado pela entrevista. Sucesso para você.



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