KAREN SUZANE - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo mas valeu a pena. 

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do(a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista. 

E hoje, com vocês, a  técnica de som, assistente de som e cineasta Karen Suzane.
Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é uma apaixonada por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

K.S.: Sou apaixonada por cinema. Desde meus 14 anos, quando descobri que eu conseguia gerar imagem em movimento em um programa chamado Movie Maker comecei a estabelecer uma conexão do “fazer cinema” com minhas próprias ideias e ferramentas, mas sem conhecimento teórico sobre linguagem cinematográfica. Meu capital cultural no que tange a sétima arte, foi pautado nos filmes da sessão da tarde, filmes de comédia romântica com a Julia Roberts e Sandra Bullock que minha mãe escolhia e filmes de ação estrelados pelo Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. Confesso que amava assistir esses gêneros, mas reconheço que no fundo eu gostava era da forma como os criadores me apresentavam os universos.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

K.S.: "A história da eternidade" de Camilo Cavalcante é um filme que me marcou muito, por ser um trabalho tão artístico e de uma sensibilidade absurda para construir os sentimentos/emoções que permeiam os personagens. Me encantou a forma como ele ilustra o sertão, a tristeza, o desejo, a religiosidade, o machismo e a morte.


3) Quem trabalha com cinema no nosso país, certamente o faz por amor. Você esta sempre ligada ao áudio visual, sendo trabalhando em curtas ou no seu canal do you tube. Conte-nos um pouco como é esta vida...

K.S.: Eu acabei de abrir uma produtora audiovisual a Filtro Filmes, estou distribuindo o curta metragem que dirigi chamado  “A mulher que eu era” e  trabalhando com assistência de som direto em um longa metragem, coproduzido com a Argentina. O trabalho na área de cinema costuma ser exaustivo, temos turnos de 12 horas por dia com apenas uma folga na semana e dependendo do departamento que você trabalha essa jornada costuma ser maior.

 M.V.: Resumindo: é uma vida loka que precisa de muito amor e determinação para seguir em frente.


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Se lembra de alguma história legal que tenha acontecido  durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? Alguma história de bastidores por exemplo…

K.S.: Nossa e como existem pérolas no cinema nacional. Uma vez fui colocar um microfone em uma cantora, era um programa de culinária e ela precisava de um cinto para complementar o look, daí ela olhou pra mim, olhou pro meu cinto (que é muito velho e eu uso todos os dias no set, faça chuva, faça sol) e me pediu, eu obviamente emprestei, mas achei impressionante aquilo acontecendo.

Teve uma vez, quando estava trabalhando em São Paulo, estávamos rodando a quarta temporada de Psi, uma série do canal HBO, eu fui tirar meu celular do bolso e estava em frente ao vídeo assiste com os diretores, continuísta, maquiadora, figurinista, todos sentados revisando o plano que eles tinham acabado de rodar,  daí encostei a ponta do meu cotovelo no quadro que tinha na parede. Milésimos de segundos depois todo mundo parou e escutou o barulho olhando na minha direção. E sim, quebrei um quadro, quer dizer o vidro do quadro, foi horrível e detalhe o desenho do quadro custava quinze mil reais, e seria usado para a segunda cena do dia, mas como isso aconteceu a assistente de direção passou a cena para o próximo dia e a produção de arte conseguiu consertar o vidro em tempo hábil.


5) Se pudesse, por um dia, ser um diretor(a) dos (as) mais famosos (as) do cinema, e através deste dia, ver pelos olhos dele (a), uma obra prima sendo realizada, qual seria o diretor (a) e o filme? E claro…porquê?

K.S.: Steven Allan Spielberg, Jurassic Park. Por que eu adoro a forma como o Steven cria suas narrativas, ele está sempre a frente do tempo, quando digo isso, digo no sentido da tecnologia, dos efeitos especiais.

M.V.: Verdade. Ele tem uma maneira muito pessoal de passar seu cinema para o público. Apesar de obviamente ser carregado de influências de outros grandes mestres, ele conseguiu dissolver tudo que aprendeu e moldou seu próprio cinema.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhosa? E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu de fazer, ou caso não tenha se arrependido, teria apenas feito diferente?

K.S.: “A mulher que eu era” é meu melhor trabalho em termos de criação cinematográfica, eu gosto da forma como pensei o curta e como todos os departamentos trabalharam para construirmos juntos aquele universo surrealista fantástico. Eu desenvolvi uma série para meu canal no you tube sobre café, mas acredito que ela foi mal distribuída, não consegui  tantas visualizações quanto gostaria de ter alcançado.

7)Para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

K.S.: “Não deixe as circunstâncias controlarem você. Você que tem que mudar as suas circunstâncias.“

M.V.: Muito obrigado. Sucesso para você.



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