TERREMOTO (2018) - FILM REVIEW


A frieza do cinema Norueguês em contraste com situações criadas por filmes mais tensos cria uma atmosfera quase insuportável. Você torce para que o filme acabe logo para saber o que de bom vai acontecer no final. Quem assistiu "Utoya 22 de julho" sabe bem como é. O olhar atônito dos personagens mostra a magnitude de um evento aparentemente inevitável. Não há chance de fuga, apenas esperar o acontecimento e tentar sobreviver em meio ao caos. Esta é a proposta de Terremoto. 

A história do filme cita o terremoto de magnitude 5,4 na escala Richter de 1904 que sacudiu Oslo e arredores. O terremoto teve seu epicentro na região Oslo-Graben, atravessando a capital norueguesa. Os geólogos não podem ter certeza, mas estudos indicam que se pode esperar para o futuro grandes terremotos nesta área. Quando eles, eventualmente, acontecerão ninguém pode dizer com certeza. No entanto, sabe-se que a densidade populacional e a infraestrutura em Oslo são significativamente mais vulneráveis hoje do que em 1904. O que esperar se acontecer um terremoto significativamente maior?


Voltando um pouco na história...

O Cinema Catástrofe desperta interesse no público desde sempre. Talvez por uma curiosidade mórbida inerente ao ser humano, vide que aonde acontece uma tragédia, há mais pessoas dispostas a filmar e fotografar (ou simplesmente olhar) que ajudar.  A força que move o filme se chama Kristoffer Joner. O geólogo interpretado por Kristoffer Joner retoma aqui seu papel de "A onda", filme dirigido por  Roar Uthaug. Nesta obra de 2015, ele tenta alertar um vilarejo que fuja para uma montanha antes que uma grande onda arrase o lugar. Em Terremoto, seu papel é menos decisivo, já que ele não consegue quase nada de positivo em suas tentativas de salvar seus entes queridos. O evento é bem maior, e ele não é um Dwayne Johnson. Aliás, o grande trunfo deste Terremoto, se comparado com Falha de San Andreas de 2015 é justamente a falta do heroísmo exacerbado americano. Os personagens são humanos, falhos e mortais. Não há espaço para grandes feitos o que transmite uma veracidade latente. 


A história se passa poucos anos depois dos eventos ocorridos em "A onda". Kristian Eikjord  foi aclamado como herói por ter salvado muitas vidas. Mas não salvou seu casamento com Idun (Ane Dahl Torp). Ele vive recluso em Geiranger, já reconstruída,  enquanto sua família se muda para Oslo. Idun tem um novo emprego no hotel Radisson Blu Plaza, aonde acontecerão as cenas mais tensas do longa. 

O diretor John Andersen faz um excelente trabalho, ainda que seja apenas seu segundo filme (e o primeiro bom, já que seu “Aventura dos Sete Mares” de 2014 é bem fraco). Ele já era escolado na fotografia, trabalhando na área desde 1996. No seu currículo há o excelente "Inferno na ilha", disponível no catálogo da Amazon Prime, dirigido por Marius Holst e estrelado pelo sempre marcante Stellan Skarsgård. Na história, que se passa na ilha Bastoy, localizada em Oslo, vivem um grupo de delinquentes, jovens garotos que estão sobre um regime sádico em um reformatório, comandado por um diretor e vigiados por guardas que abusam deles psicologicamente e fisicamente. Ao invés de serem educados, os meninos são usados como mãe de obra barata em um meio desumano de trabalho. Um dia, Erling, novo no local, chega a instituição com o plano de escapar da ilha, liderando mais tarde uma rebelião entre os garotos. O que parecia um plano perfeito se torna uma confusão em que o alcance da liberdade parece cada vez mais tênue com o perigo. Não perca.


História realmente... real?

Em 2015 a BBC fez uma matéria sobre Cinco razões para não ser tão fã da Noruega, o 'melhor país para se viver', já que ela está sempre no topo dos rankings globais de qualidade de vida.  Os 5 grandes problemas foram  Impostos, impostos e mais impostos (39%), cerveja caríssima (R$41,6 na época da pesquisa, em 2015),  drogas letais, gasolina cara (assim como a cerveja, está ligada ao primeiro item da lista) e caçadores de lobos em extinção. Não houve terremoto de 1904 (o catastrófico foi em San Francisco em 1906, com a falha de San Andreas) e não há uma expectativa de nenhum devastador em vista. 

No máximo, um terremoto de magnitude 6,2 atingiu o mar da Noruega, a 602 km da cidade de Tromso. Esta informação mostra o esforço dos roteiristas em proporcionarem ao expectador uma atmosfera mais real possível. Inclusive o terremoto, que ocorre só depois de 1 hora de projeção, é bastante realista. Na verdade, de tão perfeito, parece que aquela sacudida do solo é realmente... real.


Detalhe 1: E um filme deste, lançado pela Califórnia filmes, não deixa de ser no mínimo irônico, já que em algum momento do futuro, o temido tremor conhecido como "Big One" (O Grande) chegará na Califória, EUA e é esperado uma destruição completa. 

Para quem não sabe, trata-se do esperado mega terremoto potencialmente devastador que, em algum momento, pode atingir o oeste americano a partir de uma gigantesca e famosa rachadura chamada falha de San Andreas, resultado da movimentação de duas placas tectônicas que trazem instabilidade sísmica à região.

"(O Big One) não é sobre se ele vai acontecer, mas quando ele vai ocorrer", dizem os geólogos que estudaram a área. Nos cinemas, ele apavora o público faz tempo. E pelo visto, continuará seu trabalho de forma exemplar, como neste caso do filme Norueguês. 


Detalhe 2: A direção do filme, como citado acima, é de John Andreas Andersen. 

Que tal uma lista com 13 filmes de Terremoto? Clique na imagem abaixo...

E não, não coloquei 2012


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