RAFAEL SPACA - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

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Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo mas valeu a pena. 

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do(a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista. 

E hoje, com vocês, o escritor e diretor Rafael Spaca. 
Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa vida cinéfila. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano.  Como foi o nascimento da sua paixão pelo cinema? Lembra de fatos curiosos e maluquices que fazia?

R.S.: Tudo começou na década de 80, quando nasci. Aos seis anos comecei a frequentar salas de cinema e o primeiro filme que assisti foi "Os Trapalhões e o Rei do Futebol". A partir daí comecei a acompanhar todos os lançamentos do grupo, alugava as fitas em VHS de filmes anteriores e revia os que assistia no cinema. Uma paixão avassaladora. Foram os heróis da minha infância, junto com o time do São Paulo da era Telê Santana (1990 a 1996) e o Indiana Jones, série de filmes criado por George Lucas e Steven Spielberg, gostava tanto dele que era sempre o primeiro a assistir no cinema e o primeiro a alugar suas fitas na videolocadora. Posteriormente tive um cachorro que se chamava Indy, em homenagem a ele.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. E há uma razão para a produção que citar ser destacada?

R.S.: Um filme que mexeu comigo foi "Um sonho de liberdade", que tem como base a novela de Stephen King Rita Hayworth and Shawshank Redemption, ele entrou para a história do cinema como um dos filmes mais queridos pelo mesmo público que o rejeitara nas bilheterias. É um caso interessante de filme rejeitado em seu lançamento e reconhecido em VHS. Bateu o recorde de locações de vídeo em 1995 e figura há anos no topo dos 250 melhores filmes do IMDB. A mensagem mais importante é que ele mostra que o estado de espírito pode ser mais limitador do que os muros de uma prisão ou de um problema que eventualmente você o tenha.


3) Os Trapalhões estão entre os grandes comediantes do planeta. Não consigo dissocia-los de nomes como Jerry Lewis, Bud Spencer e Terence Hill, Três Patetas...Mas a crítica inexplicavelmente os ignora. E seu trabalho  com o livro “O Cinema dos Trapalhões – por quem fez e por quem viu”, resgata a obra e a importância destes comediantes para a cultura brasileira.  O que te motivou a fazer este trabalho? Conte-nos como foi este processo.

R.S.: A resposta está na sua pergunta. Como a crítica os ignora, resolvi investigar o quarteto e ouvir os protagonistas da história. Dar voz a eles. E o livro foi uma oportunidade para preencher uma lacuna. É até agora o mais amplo e profundo estudo a respeito do fazer cinematográfico dos Trapalhões. Tem muitas respostas ali e certamente quem o ler enxergará os filmes do grupo com outros olhos.


M.V.: E uma curiosidade: Qual filme do quarteto você considera o melhor?

R.S.: Os Saltimbancos Trapalhões.

M.V.: Eu também sou apaixonado pelo filme.Não sei dizer ao certo o porque, mas é o filme mais emocional dos trapalhões. Lembro do nó na garganta quando assisti a cena (no cinema) das lágrimas nos olhos da cabeça do cavalo. E com aquela música maravilhosa ao fundo. Eu deveria ter uns 8 ou 10 anos na época.


4) Todo cinéfilo tem suas histórias marcantes para contar. Principalmente quem consegue mesclar a paixão, o hobby e ainda trabalhar com o cinema de alguma forma. Lembra de alguma história legal que possa compartilhar durante a execução de algum trabalho seu? 

R.S.: Graças ao livro "O Cinema dos Trapalhões" pude conhecer pessoalmente Renato Aragão e Dedé Santana, algo impensável por uma pessoa nascida e criada na periferia violenta da zona sul de São Paulo, que vive no Brasil, um país que não valoriza o artista e tão pouco o pesquisador, realizar qualquer coisa aqui  beira o milagre. Fui entrevistar o Renato em sua casa, uma das maiores emoções da minha vida vê-lo na minha frente. Com o Dedé eu tive a oportunidade de dividir a mesa do lançamento do livro com ele, mediar seu bate-papo em escola e até participar do The Noite com Danilo Gentili ao seu lado para falar do livro. São momentos que jamais pensaria em viver.


5) Se pudesse, por um dia, ser um diretor(a) famoso (a) do cinema, e através deste dia, ver pelos olhos dele, uma obra prima sendo realizada, qual seria o diretor (a) e o filme?

R.S.: Adoraria ter a oportunidade de ser o J.B.Tanko por um dia e vivenciar o set de "Os Saltimbancos Trapalhões", com o grupo em seu ápice, os quatro juntos, num filme que tem a combinação fatal de música, crítica social e escracho.

6) Agora relacionado às suas áreas de atuação, qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhoso? E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer?

R.S.: Me orgulho de todos os livros que escrevi e/ou organizei. Todos! No âmbito profissional não tenho arrependimentos, agora, em contrapartida, na vida pessoal, alguns... (risos).


7) Agora, para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

R.S.: Fico com uma frase do Rocky Balboa, ouro personagem icônico do cinema, que serve para os Trapalhões, para mim, para você, para todos nós: "Ninguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não se trata de quão forte pode bater, se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquistada. Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar".

M.V.: Obrigado amigo. Sucesso para você.


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