MARCOS DEBRITO - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS



Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo mas valeu a pena. 

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do(a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista. 

E hoje, com vocês, o escritor, roteirista e cineasta brasileiro Marcos DeBrito. 
Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

M.deB.: Sou um apaixonado, tanto que nunca pensei em fazer outra coisa da vida além de escrever e dirigir filmes. Desde pequeno eu soube o que iria cursar na faculdade e trabalhar quando adulto. Sempre frequentei o cinema, inclusive assistia a filmes que não eram para minha idade. Também vivi uma época de ouros dos filmes dos Trapalhões. Não acredito que eles tenham moldado minha forma de pensar cinema, mas serviram pra mostrar que era possível viver disso no Brasil.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga  qual o filme mais importante da sua vida. E  há uma razão para a produção que citar ser destacada?

M.deB.: Não sei se conseguiria dizer apenas um. Tenho uma lista de favoritos, que sofre mudanças constantemente, na qual o primeiro lugar hoje é ocupado pelo Enter the Void, do Gaspar Noé. No entanto não o considero o filme mais importante da minha vida. Os longas que me fizeram, de fato, querer ser um profissional da área foram Pulp Fiction, do Quentin Tarantino e Estada perdida, do David Lynch. Ambos ocuparam o posto de primeiro por muito tempo, até perderem o lugar para Clube da luta, do David Fincher.


3) Você é diretor de cinema, escritor, roteirista, produtor, editor e apaixonado por filmes de horror. Seu (ótimo) Condado macabro venceu o concorrido festival de Fantaspoa em 2015. Qual o conselho deixaria para a geração que está começando na área? Quais são os erros mais comuns que um diretor iniciante deveria evitar?

M.deB.:: Obrigado! Condado Macabro foi um grito de desespero para o mercado, que não enxerga o terror com o mesmo cuidado que tem com as comédias ou filmes românticos. Fizemos sem grana, mas felizmente ganhamos o Proac de finalização depois e conseguimos a façanha de estrear comercialmente nos cinemas em 2015 e fazer de parte da grade da rede Telecine. Minha dica para os iniciantes é investir na carreira o máximo que puderem enquanto ainda são jovens. Ser um diretor velho sem currículo irá dificultar o acesso às verbas. Façam curtas-metragens, formem uma equipe de gente que quer crescer junto, participem de festivais, estudem bastante o tema que forem abordar e gastem dinheiro na sua formação como cineasta. Dificilmente alguém investirá em você e na sua ideia enquanto iniciante. É preciso mostrar suas qualidades para o mercado, e isso só irá acontecer com muita dedicação e filmes prontos. Pegue o equipamento que tiver a mão, chame os amigos e faça seu filme como der.


A vantagem do início é se permitir errar. É uma estágio que se pode arriscar mais e quebrar a cara, tornando tudo em aprendizado. Seria bom evitar erros técnicos, porque isso resulta em aumento de custo da produção ou em críticas ferrenhas ao trabalho pronto, mas acredito que faça parte de todo cineasta passar por isso. Agora, um comportamento muito comum aos iniciantes é achar que seu primeiro curta é uma obra-prima. Se ele ganha festival, ainda por cima, existe uma tendência de o diretor se tornar arrogante. Evite isso, pois será cobrado lá na frente. O mercado é pequeno e todos se conhecem de algum modo. Continue trabalhando, com humildade, porque ser cineasta é uma profissão como qualquer outra. Talvez até mais sofrida.


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Lembra-se de alguma história legal que tenha acontecido  durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? Alguma história de bastidores, por exemplo

M.deB.: Todo set tem. No Uninverso, que construímos cenários de ponta cabeça, tivemos gente quase despencando de cima, computador caindo na cabeça do Diretor de Fotografia... Mas no do Condado Macabro foi o que teve mais, por estarmos todos lá filmando por pouco mais de um mês: ator que pegou insolação, atriz que foi parar no hospital por ser alérgica a pimenta, dor de barriga fatal que não poupou nem as paredes de um dos quartos... Teve um caso que eu adoraria contar, mas ficará restrito às mentes de quem estava no set na hora de filmarmos a cena do strip. Sempre gargalho quando lembro.


5) Se pudesse, por um dia, ser um diretor(a) dos (as) mais famosos (as) do cinema, e através deste dia, ver pelos olhos dele (a), uma obra prima sendo realizada, qual seria o diretor (a) e o filme? E claro…porquê?

M.deB.: Puxa... é difícil. Talvez Magnólia, do Paul Thomas Anderson. Acho a chuva de sapos uma das cenas mais belas da História do cinema. Mas tem um filme nacional que considero o melhor da nossa cinematografia. Lavoura Arcaica, do Luiz Fernando Carvalho. Gostaria de ter feito parte desse set para entender a mente do diretor na hora de algumas passagens. Acho esse o filme mais bonito que o Brasil já fez.


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhoso? E em contrapartida, o que você  mais se arrependeu  de fazer?

M.deB.: Mais orgulhoso? Não sei... Todos tiveram sua importância. Tenho um apego maior ao Uninverso, O.D. Overdose Digital e aos Apóstolos. Vejo muito de mim e do meu jeito de pensar nesses filmes. O Vídeo Sobre Tela foi meu primeiro que ganhou Kikito em Gramado e foi meu primeiro curta em festivais, por isso minha dica de “não fique prepotente” (risos), portanto guardo um lugar especial para ele no coração. Não tenho arrependimento com nenhum. Gosto de todos os meus filmes. Condado Macabro, apesar de ser meu primeiro longa e o que mais atingiu pessoas mundo afora, é o que mais difere do meu verdadeiro estilo. Mas também já tenho outros projetos da mesma natureza pensados para o futuro.

7) Agora, para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

M.deB.: “I’ll be back.” Arnold Schwarzenegger

M.V.: Obrigado amigo. Sucesso para você.


Tecnologia do Blogger.