EDU FELISTOQUE - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


Através das 7 perguntas capitais eu conheci o mundo, literalmente. Consegui conversar com pessoas que eu jamais imaginaria que seria possível. Foi um projeto de 100 entrevistas, mas que terminou, depois de vários anos de muito trabalho e persistência. Foi cansativo mas valeu a pena. 

Por isto resolvi iniciar um novo projeto, desta vez com menos entrevistas (50 no total) e com um formato um pouco diferente, mas mantendo a ideia de serem 7 perguntas. Eu sempre fazia uma introdução do(a) entrevistado (a), mas desta vez será diferente. Vão conhecê-lo (a) ou saber mais sobre ele (a) através da entrevista. 

E hoje, com vocês, o cineasta Edu Felistoque
Boa sessão:


1) É natural lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte-nos um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

E.F.: Minha paixão pelo cinema está na realização... Claro, amo ver filmes, mas não sou um cinéfilo, acabo sempre esquecendo um titulo nomes de atores, cenas, etc... Antes eu ficava preocupado com essa minha tamanha "falta de memoria", depois vi que isso funcionava bem, porque sempre que entrava no set tenha a sensação de estar fazendo algo pela primeira vez , porque não bebia em "referências" e "referências" de outras obras...prefiro chamar os filmes de "inspirações" e não de "referências", já que definitivamente o que me envolve, o que me apaixona, e o desejo de criar, de estar no set, juntar equipe, talentos e contar uma historia nova.


2) Muitos adoram fazer listas de filmes preferidos. Outros julgam que é uma lista fluida. Para não te fazer enumerar vários filmes, nos diga qual o filme mais importante da sua vida.

 J.C.: "E la Nave Va", de Fellini...Estudei em Cinecita...E adoro uma "melancolia" cinematográfica!

3) O cinema nacional está hoje em um patamar incrível. Tanto esteticamente como de reconhecimento. Há ótimas histórias sendo contadas. Porém, vejo muito os filmes de comédias sendo exibidos com mais ênfase enquanto ótimas obras passam apenas no Canal Brasil ou em Festivais.  


O que acha que precisa evoluir na divulgação e na distribuição do nosso cinema, para o público geral ter uma percepção melhor (e naturalmente, orgulho) do que é feito no Brasil? 

 J.C.: Todos os gêneros devem ser colocados na mesa... Porém, precisamos mais investimentos na distribuição do que na produção... sim, chegou "a conta", não dá pra produzir 150 filmes por ano e exibir (sem o estratégia) somente 20 ou 30% desses filmes. Também não da para imaginar que todos os filmes precisam ser exibidos nas salas de cinema... Existem outras formas de exibir os filmes, o maior exemplo são as plataformas internacionais de VOD... A tevê Globo já percebeu que a tevê aberta um dia vai perder seu potencial e está investindo na "Globo Play"...Precisamos falar de mercado se estamos pensando em indústria cinematográfica...indústria audiovisual.

Último comentário: Filmes ideológicos precisam existir, mas precisamos também pensar em filmes que não nasçam divorciados do grande publico.


4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e às vezes engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Lembra de alguma história legal que tenha acontecido durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar conosco? 

J.C.: Nossa... são dezenas e dezenas de historias "interessantes" ... posso citar a mais recente... Filmando no meio do centro oeste, Cerrado forte, noite ... uma cena em que o Paulo Miklos é enterrado em uma cova ....O Paulo, não estava nada preocupado, pelo contrário, se divertia com tudo... grande profissional e artista... hummm... o problema era a equipe, toda apaixonada por Milkos, com pena de vê-lo naquela condição ... não deu outra, eu me enterrei primeiro ... pronto acabou o medo. (risos).


5) É muito comum não gostarmos ou não concordarmos com certas resoluções tomadas pelos diretores/produtores/roteiristas em filmes, principalmente os mais reconhecidos. Gostaria de saber: qual clássico do cinema te passou este sentimento, de forma que você, como diretor de cinema, pensasse - "esta cena eu faria completamente diferente".

J.C.: Tudo é muito subjetivo... difícil comentar o que eu faria melhor... mas, só por brincadeira, com certeza eu pensaria duas vezes no cabelo de Tom Hanks em  "O Código da Vinci ".

M.V.: Genial (risos). E curioso como um ator tão bom, que fez alguns dos mais famosos filmes dos últimos tempos como Forrest Gump, Resgate do soldado Ryan e Náufrago, tenha com este Código da Vinci o maior sucesso da sua carreira. 


6) Agora voltando à sua área de atuação. Qual trabalho realizado você ficou profundamente orgulhoso? E em contrapartida, o que você mais se arrependeu de fazer ou faria diferente.

J.C.: Sempre lembro do filme mais recente... O Mais feliz , "Cano Serrado" de Erik de Castro, onde atuei como diretor de fotografia, produtor e montador ... ri muito não me levando a serio.

O filme menos feliz? Acabei optando por não fazer... (risos) pois percebi que não seria bom e declinei do convite... (A gente deveria colocar nos nossos currículos os filmes que não aceitamos fazer !)


7) E para finalizar, deixe uma frase famosa do cinema que te represente.

J.C.: "Cinema... nos realizadores fingimos que o nosso cinema é de verdade ... e o publico faz sua parte, finge que acredita! "

M.V.: Obrigado amigo. Sucesso para você.

J.C.: Abração

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