AVES DE RAPINA: ARLEQUINA E SUA EMANCIPAÇÃO FANTABULOSA (2020) - FILM REVIEW

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Penso que há certa preocupação do público para com os filmes da D.C. É sabido que a Marvel encontrou uma fórmula de sucesso enquanto a D.C. patinou no mesmo momento. Não vou aqui voltar toda a história, que se você gosta e acompanha este universo, já conhece. Mas, basicamente, a D.C. é responsável por alguns dos grandes filmes baseados em heróis da história: Superman (1978) e Cavaleiro das trevas (2008), além dos queridos Superman 2 (1980), Batman (1989) e Batman - o retorno (1992). Não há como negar: os personagens deles são muito mais conhecidos do grande público e um filme da Liga da Justiça era um sonho. 

A Emancipação fabulosa da Marvel "apavorou" a D.C. e meio mundo com esta ideia de Universo compartilhado. Vieram filmes como Batman vs Superman e a Múmia e mostraram como a Marvel tinha méritos em sua fórmula. Neste imbróglio, Esquadrão suicida foi quase uma bomba pintada de ouro. Um filme HORRROROSO (se gostou, problema seu !!) e que serviu de tapete vermelho para a Liga da justiça chegar e implodir tudo.


Por pior que tenha sido, Esquadrão suicida fez muita grana e talvez a responsável fosse exatamente uma criatura que necessitava de emancipação: Arlequina, principalmente por se relacionar com o pior Coringa da história do cinema e Tevê. E dissociar desta imagem fez bem à personagem. 

Aves de rapina: Arlequina e sua emancipação fabulosa.

Uma vez que a D.C. tenha encontrado os trilhos, ficou tudo certo. Só que não. Veio Aquaman, que foi um bom filme e fez sucesso. Daí, eis que surge o ótimo Shazam, mas o público não correspondeu. E para piorar, Aves de rapina nem vai conseguir se pagar. O que, se por um lado, não faz o menor sentido, já que são filmes para curtir no cinema com um belo balde de pipoca, por outro lado, talvez seja a sentença de morte dada pelo próprio público, que cansou de criar expectativas. Uma pena, pois cada filme é uma nova chance de tudo funcionar.


Na trama, uma variação do humor descolado de Deadpool, Arlequina nos situa, o tempo todo, que está na fossa por ter sido "chutada" pelo pudinzinho, vulgo Coringa. Entre idas e vidas, ela nos mostra como conheceu 4 personagens, aonde 3 delas formarão as Aves de rapina do título. O filme recorre a vários flashbacks para narrar a história de forma interessante, ao mesmo tempo em que tenta, até o final da projeção, colocar um ponto final na história de que a personagem principal é uma vilã. Ela na verdade, quer mudar isto e em diversos momentos se esforça para tal. A trama também coloca um vilão picareta, daqueles gays enrustidos histéricos que o cinema costuma nos mostrar. Eu, particularmente, cansei do Ewan McGregor. Seu vilão é estereotipado e parece que o ator faz ele mesmo há uns 15 anos. Sharlto Copley e Sam Rockwell foram considerados para o papel e é uma grande perda não ter algum dos dois no elenco.


Aves de rapina

Inicialmente, seria um filme solo da Arlequina, interpretada por Margot Robbie, que iluminou o Esquadrão suicida em cada cena. Robbie também produziu. Porém, entenderam que o filme seria focado no grupo. Contudo, ao final do filme, temos a sensação que o título não faz qualquer sentido, afinal, é um filme da Arlequina. Todas as Aves de rapina são importantes na trama, mas é Margot Robbie que rege a orquestra. O filme inclusive, sabiamente, não é jogado na linha do tempo dos filmes da D.C. de forma irresponsável. Ele se situa pós-eventos de Esquadrão e só não mostra o rosto de Jared Leto para não queimar o filme, literalmente.


E afinal, qual é o propósito do filme?

Além de fazer rios de dinheiro (o que, francamente, não esperava uma seca completa, fracassando neste propósito), era mostrar o ponto de virada das personagens. O roteiro não estabeleceu nenhuma ameaça global para o supergrupo, apenas "pingar os 'is' " de suas vidas e traçar rumos para novos episódios. E o resultado, como dito acima, foi bastante satisfatório.

"HAHAHAHAHAH"

Arlequina adota uma hiena neste filme como animal de estimação. Nos quadrinhos, ela mantinha duas hienas chamadas Bud e Lou (em homenagem à dupla de quadrinhos Bud Abbott e Lou Costello). No filme, a hiena foi chamada de Bruce, uma "homenagem" ao Batman. Nos quadrinhos, nem Cassandra Cain ou Renee Montoya são membros da equipe. Barbara Gordon, na realidade, foi uma das fundadoras do grupo,  primeiro como Oracle e depois como Batgirl. Enquanto Gordon não aparece no filme, Cassandra Cain, que atuou como Batgirl nos quadrinhos por um tempo, ​​aparece, sugerindo que no segundo filme ela tomará conta do uniforme. Quando Cassandra Cain está na delegacia, Montoya pergunta se ela pode falar. Nos quadrinhos do Batman, Cassandra não fala porque foi criada pelos pais para se concentrar na linguagem dos movimentos do corpo para torná-la uma lutadora mais habilidosa.


O Pinguim foi originalmente planejado para ser o principal antagonista do filme, mas foi descartado devido à sua aparição em  Batman, interpretada por Colin Farrell e dirigido por Matt Reeves. Quando Harley está saindo da delegacia, ela aponta para um cartaz de procurado e diz "Ei, eu conheço esse cara!". O cartaz de procurado é o do capitão Boomerang, com quem ela trabalhou no filme Esquadrão Suicida. O personagem voltará em Esquadrão suicida 2, com o mesmo ator no papel. o sem expressão Jai Courtney.

Cathy Yan é a primeira mulher asiática a dirigir um filme de super-herói. Ela é a segunda mulher a dirigir um filme de DC depois de Patty Jenkins . A diretora não tinha muita experiência na direção, mas fez um trabalho muito bem realizado. Aliás, 2020 foi o ano em que isto se tornou uma contante. Mulher Maravilha 1984 foi dirigido novamente por Patty Jenkins. Viúva Negra por Cate Shortland. Os Eternos por Chloé Zhao, mostrando que, pelos menos neste universo, as mulheres estão começando a direcionar os acontecimentos, o que é um gigantesco progresso.


Há uma mega curiosidade, que em parte é coincidência: a certa altura, Arlequina sofre uma concussão e sonha com um interlúdio musical clássico, no qual interpreta Marilyn Monroe cantando "Diamonds are a Girl's Best Friend". A coisa toda é uma homenagem ao "Os homens preferem as loiras" de 1953, dirigido por  Howard Hawks. Na cena, ela dança com Ewan McGregor, mas a atmosfera lembra muito o filme de Baz Luhrmann, em que Ewan  contracena com Nicole Kidman sob a mesma música. Mais curioso ainda é o fato de que Kidman fez Batman eternamente, que é o malfadado filme com cores berrantes de Joel Schumacher, que se assemelha muito ao visual de Arlequina.

Mary Elizabeth Winstead também tem sua aura de coincidências: Ela interpreta "A caçadora", mas antes ela atuou com  Brie Larson  (Capitão Marvel) e Chris Evans (Capitão América) em Scott Pilgrim contra o mundo, além de ter namorado com o Superman (Brandon Routh). Ela também fez par com Ewan em Fargo. Por sua vez, McGregor interpreta um bissexual em O golpista do Ano (2009) com Jim Carrey, que interpreta o Charada no mesmo Batman Eternamente citado acima. Bugou?


Detalhe:

Há uma cena de áudio pós-créditos, Arlequina faz uma piada sobre as pessoas estarem esperando alguma coisa e aproveita para revelar um segredo sobre Batman para o público, mas o filme termina no meio da frase. Bem Deadpool não acham? Mais curioso ainda é que há uma cena pós-crédito assim com o Capitão América e há também uma cena pós créditos no Homem-Aranha: longe de casa em que o vilão conta um segredo do Homem-Aranha. São exemplos de como nada se cria nesta Sétima Arte: tudo se copia.


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