A HORA DO PESADELO: NEVER SLEEP AGAIN - BOOK REVIEW

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É necessário que surjam grandes autores (as) para perpetuar a arte com novas, inventivas e criativas ideias. Mesmo que reciclando elementos, por vezes subaproveitados. O diretor Quentin Tarantino faz isto com maestria, pegando filmes esquecidos, repaginando e tornando-os novos clássicos adorados por muitos.

Um autor que inventou (e se reinventou) é Wesley Earl Craven, popularmente conhecido como Wes Craven, nascido em 2 de agosto de 1939 em Cleveland, Ohio. Foi professor de Inglês na faculdade Westminster e professor de Ciências Humanas na Universidade de Clarkson, em Potsdam. Wes se graduou em Inglês, Psicologia, Filosofia e Escrita. Ele começou no cinema no fim dos anos 1960, quando trabalhou como editor de som. Durante os anos 1970, o diretor concentrou-se em roteiros filosóficos que tratavam da natureza humana, o que interessou Sean S. Cunningham que por sua vez deu a Craven a primeira chance na direção em 1972 com "Aniversário Macabro". Mas os anos 1980 dariam mais notoriedade a Craven com o lançamento de "A hora do pesadelo" (1984).


Na história, um grupo de adolescentes tem pesadelos horríveis, onde são atacados por um homem deformado com garras de aço. Ele apenas aparece durante o sono e, para escapar, é preciso acordar. Os crimes vão ocorrendo seguidamente, até que se descobre que o ser misterioso é na verdade Freddy Krueger (Robert Englund), um homem que molestou crianças na rua Elm e que foi queimado vivo pela vizinhança.

Kruger origins

O roteiro do filme foi escrito em 1981, mas foi na infância do diretor que o primeiro elemento de inspiração surgiu, já que em uma noite ele viu, através de janela de sua casa, um homem velho andando do lado de fora que parou e o encarou, para em seguida ir embora caminhando, esse acontecimento deixou Craven muito assustado e serviu de inspiração para a criação de Krueger.


A trama também foi inspirada em vários artigos de jornal, que ele leu sobre as misteriosas mortes de vários refugiados do Sudeste Asiático. Eram dezessete homens e uma mulher, que vieram de uma província montanhosa do Laos chamada Hmong. Eles fugiram para os Estados Unidos em 1975, quando o Pathet Lao, uma ditadura comunista acusada de cometer genocídio em seu próprio povo, assumiu o controle do país. O povo Hmong estava especialmente em risco de represália por parte do Pathet Lao, já que muitos deles serviram como soldados anticomunistas que ajudaram a resgatar pilotos americanos abatidos durante a Guerra do Vietnã.

Eles se refugiaram nos EUA, principalmente em Minnesota e Califórnia. Pelo trauma, eles passaram a ter pesadelos horríveis chegando ao ponto de se recusarem a dormir. Seguindo ordens médicas os pais destas crianças as encorajaram a dormir, contudo, cada uma delas morreu durante o sono, após um novo pesadelo, e as autoridades médicas, na época, noticiaram o fato denominando-o como Síndrome da Morte Súbita Asiática. É uma condição que parece afetar principalmente os homens filipinos, que faz 43 vítimas a cada 100.000 pessoas por ano. Eles parecem literalmente morrer de medo por acreditarem no que acontece em seus sonhos.



Não...Elm Street não existe ...

A casa onde ocorreram as gravações é uma propriedade particular localizada em Los Angeles, Califórnia na Avenida North Genesee (North Genesee Avenue), 1428. Durante as gravações foram usados, aproximadamente, 500 galões de sangue falso para a produção dos efeitos especiais. Para a gravação das cenas da morte de Glen e Tina, os produtores usaram um set rotativo, onde todo o set foi posicionado de ponta cabeça com a câmera permanecendo em sua posição normal, causando o efeito de que o quarto permanecia em sua posição natural. Para a cena do gêiser de sangue, os produtores usaram água vermelha, pois o sangue cinematográfico, normalmente utilizado na produção, não produzia o efeito de gêiser desejado.

- O que quer que faça, não pegue no sono
Nancy

A cena em que Nancy é atacada por Krueger dentro de sua banheira foi realizada com uma banheira especial sem fundo. A banheira foi colocada em um banheiro construído sobre uma piscina. Durante a sequência subaquática Heather Langenkamp foi substituída pela dublê Christina Johnson que também é casada com o responsável pelos efeitos sonoros, Charles Belardinelli. E a cena da escada, onde os degraus afundam como areia movediça, foi realizada utilizando massa para panqueca.


A ideia original de Wes Craven era ter um final mais evocativo com Nancy derrotando Krueger parando de acreditar nele e, conseguindo acordar para descobrir que tudo o que aconteceu no filme foi um longo pesadelo. Entretanto, o chefe da New Line solicitou uma mudança no final, onde Krueger desaparece aparentemente derrotado, sugerindo que todo o filme tinha sido um sonho de Nancy, para os espectadores descobrirem que o que estão vendo é um sonho dentro de um sonho, onde Freddy reaparece na forma de um carro e "sequestra" Nancy, seguido pela aparição de Freddy através da janela da porta frontal da casa e puxando a mãe de Nancy para dentro. Os dois finais foram gravados, mas na versão oficial foi usando apenas o final sugerido pelo chefe da New Line, em consequência disto, Craven (que nunca quis que o filme virasse uma franquia) não esteve ligado à primeira sequência: A hora do pesadelo 2: a vingança de Freddy, de 1985.

Friedrich Wilhelm Kruger era um oficial nazista e membro de alto escalão da SA e da SS. Organizou e supervisionou inúmeros atos de crimes contra a humanidade e teve uma grande responsabilidade pelo Holocausto. No final da guerra, Krüger cometeu suicídio.  

Por pouco a produção do filme não foi finalizada. Quando as filmagens estavam em sua metade a New Line Cinema, produtora do filme teve o contrato de distribuição do filme rompido. Sem dinheiro em caixa, o estúdio ficou duas semanas sem pagar os integrantes do elenco e da equipe de produção do filme, até um novo acordo de distribuição ser fechado. Durante este período as filmagens ocorreram normalmente, com nenhum integrante tendo abandonado a produção. No final, O sucesso de A hora do pesadelo nos cinemas evitou a falência da New Line Cinema.


Seguido por A hora do pesadelo 2 - A Vingança de Freddy (1985), A hora do pesadelo 3 - Os Guerreiros dos Sonhos (1987), A hora do pesadelo 4 - O Mestre dos Sonhos (1988), A hora do pesadelo 5 - O Maior Horror de Freddy (1989), A hora do pesadelo 6 - Pesadelo Final - A Morte de Freddy (1991) e O Novo Pesadelo - O Retorno de Freddy Krueger (1994), e ainda foi refilmado como A hora do pesadelo (2010). Além da série de filmes A hora do pesadelo, o personagem Freddy Krueger aparece também em Freddy x Jason (2003).

Craven escapou das continuações, que foram caindo na qualidade filme a filme, até que ele reinventou a franquia com o genial (e sétimo) O novo pesadelo: O retorno de Freddy Kruger. Na produção, o filme "A Hora do Pesadelo" está perto de completar 10 anos. Uma das estrelas, Heather Langenkamp (Nancy Thompson), fica assustada ao ouvir por telefone uma voz bastante parecida com a de Freddy Krueger (Robert Englund), o vilão do filme. Pouco tempo depois o marido dela morre em um acidente de carro, sendo encontrado com as famosas marcas provocadas pela garra metálica de Freddy. Heather descobre que Wes Craven, diretor do filme original, está escrevendo o roteiro de uma sequência. É quando percebe que, para enfrentar Freddy, precisará voltar a interpretar Nancy Thomson, sua personagem no filme.

Genial, mas como sabemos nada que saiu a seguir fez jus ao legado do personagem no cinema, nem mesmo o embate com Jason Voorheess


O livro

Para quem sempre sonhou em visitar as origens do imortal Freddy Krueger, é hora de acordar gritando. É com mórbido prazer que a DarkSide® Books apresenta A hora do pesadelo: Never sleep again, o mais novo título da Coleção Dissecando.

A hora do pesadelo: Never sleep again tem tudo para se transformar no livro de cabeceira dos fãs mais exigentes. O livro conta a história de como o diretor resgatou uma antiga obsessão de sua infância para criar um dos personagens mais icônicos do cinema moderno.

Em uma produção de baixo orçamento de 1984, Freddy Krueger logo sairia das telas para aterrorizar o inconsciente coletivo das futuras gerações. Mas quem assiste hoje ao primeiro longa-metragem da franquia (que já contabiliza nove títulos, incluindo uma parceria com Jason Voorhees de Sexta-Feira 13) não imagina as dificuldades que o diretor precisou enfrentar para transformar seu pesadelo em realidade.


A hora do pesadelo: Never sleep again é o registro mais completo sobre este slasher movie revolucionário. Para escrevê-lo, o autor Thommy Hutson, que já havia produzido um documentário sobre o filme, voltou a entrevistar membros do elenco e da equipe, incluindo o próprio Wes Craven, que assinou a apresentação do livro, antes de nos deixar, em 2015.

Uma curiosidade: a primeira edição americana de A hora do pesadelo: Never sleep again foi bancada através de financiamento coletivo, e a campanha na plataforma Kickstarter contou com a participação da atriz Heather Langenkamp, que encarnou Nancy Thompson, a jovem atormentada por Freddy nos três primeiros filmes da série.

O autor Thommy Hutson escreveu e produziu documentários sobre alguns dos filmes mais importantes do cinema de terror, incluindo Sexta-Feira 13, Pânico, A Volta dos Mortos-Vivos e, é claro, A hora do pesadelo. Além dos documentários, é um premiado roteirista de tv, com dois especiais de Scooby-Doo no seu currículo.

Características:


Título: A Hora do Pesadelo: Never Sleep Again
Título Original: Never Sleep Again: The Elm Street Legacy
Autor: Thommy Hutson
Tradução: Carlos Primati
Editora: DarkSide Books
Ano: 2017
Páginas: 520


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