UM LUGAR AO SOL (1951) - FILM REVIEW

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Clyde Griffiths (Phillips Holmes) cresce na miséria, mas não sem ambições. Numa empresa em que consegue trabalho é atraído por Roberta Alden (Sylvia Sidney), conhecida como "Bert", e então começam um namoro secreto. Mas a chama parece não durar muito e logo ele quer se envolver com Sondra Finchley (Frances Dee), filha de uma família rica. Antes que consiga se desprender, Bert informa a Clyde que está grávida, e com a mente perturbada coloca um plano em mente.

Ao ler esta sinopse acima, notará que, ainda que a história seja de "Um lugar ao Sol", os atores são diferentes. Isto porque é de um filme chamado Uma tragédia americana, dirigido em 1931 por Josef von Sternberg.  O filme é baseado no romance de 1925 de Theodore Dreiser , An American Tragedy, que faz alusão ao assassinato de Grace Brown na vida real em 1906 por Chester Gillette.


A Paramount Pictures comprou os direitos para filmar o romance em 1925. O aclamado diretor russo Sergei Eisenstein foi contratado para filmar a adaptação, com o apoio entusiasmado de Dreiser. Quando Eisenstein não conseguiu obter a aprovação do estúdio por conta de sua visão  marxista, ele abandonou o projeto. Então o estúdio contratou  Josef von Sternberg. Dreiser foi garantido por contrato como revisor do roteiro antes da produção. Porém  Sternberg deu um tratamento bastante pessoal, suprimindo diversos elementos chave da trama por julgar que eles não tinham ligação com a morte da personagem.  Dreiser inclusive processou a Paramount Pictures por conta disto (e perdeu).

Por conta deste histórico problemático, George Stevens quis dissociar as versões, e conseguiu chegar ao emblemático título "Um lugar ao Sol" por conta de uma brincadeira de bastidores. Ele disse que ia recompensar quem trouxesse a melhor ideia, e um associado chamado  Ivan Moffat veio com a ideia. Lógico, ele não recebeu qualquer recompensa...


Mas enfim, Um lugar ao Sol tomou um rumo similar, porém com as nuances do livro. Na história, George Eastman (Montgomery Clift) é um jovem ambicioso que vai trabalhar na fábrica de um rico tio. Ele acredita que esta oportunidade pode levá-lo a um futuro melhor, mas apesar de ter sido avisado para não se envolver com nenhuma funcionária, ele começa a se encontrar com Alice Tripp (Shelley Winters), uma humilde moça que trabalha na linha de montagem. Ele é finalmente introduzido na alta sociedade e se apaixona por Angela Vickers (Elizabeth Taylor), uma rica, bela e sofisticada jovem e é correspondido. Assim, decide se distanciar de Alice, mas a pobre funcionária não aceita esta situação com passividade, principalmente quando descobre que está grávida. Ele se conscientiza que a operária pode frustrar seus planos de ascensão social e assim surge a ideia de matá-la.

 O melhor filme já feito sobre a América.
Disse Charles Chaplin ao assisti-lo

A estratégia de Stevens aparentemente deu certo, já que o filme foi aclamado como um dos mais importantes da história. Ganhou 6 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Diretor, Melhor Fotografia - Preto e Branco, Melhor Figurino - Preto e Branco, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. Recebeu ainda três indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme (Perdeu para Sinfonia de Paris!!!), Melhor Ator (Montgomery Clift) e Melhor Atriz (Shelley Winters). 

É filme favorito do diretor Mike Nichols , que disse tê-lo visto mais de cinquenta vezes, além de ter sido sua maior influência ao dirigir A Primeira Noite de um Homem (1967).

George Stevens era um diretor genial e não à toa, foi tão reconhecido em premiações. Ele concorreu a 7 Oscares, entre filme e direção. Extremamente meticuloso, se atentava aos detalhes. Certa vez, durante as gravações da cena em que Winters vai ao médico solicitar o aborto, a atriz chorou. Após a cena rodada, Stevens pediu para repetirem, agora sem o choro do personagem. O diretor disse a ela:  " - Não se entregue ! Faça o público chorar ". Esta foi uma das grandes lições aprendidas pela atriz para aplicar em sua brilhante carreira. 

Há uma situação bastante curiosa relacionando o filme a Crepúsculo dos Deuses.  O filme, que é de 1950, concorreu a 11 Oscares, ganhando 3. Os produtores apostaram que tanto Crepúsculo dos Deuses quanto Um lugar ao Sol seriam filmes dominantes no Oscar (tinham razão, inclusive). Por isto, Um lugar ao Sol foi lançado em 1951. O que muitos não sabem é que ele foi filmado antes do filme de Billy Wilder, em 1949, ficando na geladeira todo este tempo. 


E para os espectadores mais atentos, a mansão dos Eastman em Um lugar ao Sol é a mesma de Crepúsculo dos Deuses, com pequenas alterações na cor e detalhes no estilo  mediterrâneo.  A  escada de Norma Desmond é proeminente, especialmente durante a cena da festa. 

Podemos dizer que a mansão foi pivô de dois dos maiores filmes da história do cinema.

Conheçam o caso real que inspirou os filmes:

Chester Ellsworth Gillette nasceu em Montana, mas passou parte de sua infância em Spokane, Washington. Seus pais tinham boas condições financeiras além de serem muito religiosos. Sua família renunciou a riqueza material para participar do Exército da Salvação. Chester frequentou a Oberlin College com ajuda de um tio rico, mas saiu depois de dois anos, em 1903. Após deixar a escola, trabalhou em diversos empregos até 1905, quando assumiu um cargo na fábrica de saias de um tio em Cortland, Nova Iorque.

Na fábrica ele  conheceu Grace Brown, outra funcionária. Gillette e Brown logo começaram uma relação com Brown acreditando que Gillette se casaria com ela. Na primavera de 1906, Brown revelou que estava grávida. Ela continuou a pressionar Gillette para se casarem, escrevendo-lhe cartas pedindo frequentemente. Brown voltou para casa de seus pais por um tempo, mas voltou a Cortland quando ela descobriu que  Gillette namorava outras garotas. 


Pressionado,  Gillette fez arranjos para uma viagem para Adirondack Mountains em Nova Iorque. O casal parou e permaneceu por uma noite em Utica, Nova York e, em seguida, foi para Big Moose Lake no Condado de Herkimer. Em um hotel próximo, Gillette registrou sob um nome falso (embora ele tenha usado suas próprias iniciais, para coincidir com sua mala). Dentro dela havia uma raquete de tênis.

Na manhã de 11 de julho, Gillette levou Brown em um barco a remo em Big Moose Lake, onde ele golpeou-a com sua raquete. Brown caiu ná água e ele deixou-a a se afogar. Gillette voltou sozinho e deu baixa no hotel. Mais tarde, testemunhas diriam que  Gillette parecia calmo e perfeitamente à vontade, como se nada estivesse errado. O corpo ferido e espancado de Brown foi encontrado no fundo do lago no dia seguinte. 


Longe de ser profissional, Gillette planejou tudo muito mal e foi rapidamente detido nas proximidades de Inlet, Nova York.

O julgamento ocorreu no Condado de Herkimer e  chamou a atenção de todo o país. O advogado de defesa de Gillette alegou que seu cliente era inocente, que Brown havia cometido suicídio e que Gillette era um espectador impotente. O júri não comprou a ideia e condenou Gillette por assassinato. O Tribunal de Apelações de Nova Iorque manteve o veredicto e Governador Charles Evans Hughes se recusou a conceder clemência. Em 30 de março de 1908, Chester Gillette morreu na cadeira elétrica na prisão de Auburn, Nova York.

Na realidade, Gillette, George Eastman ou mesmo Montgomery Clift pareciam figuras antagônicas de suas próprias vidas.  No fundo, eles só queriam um lugar ao Sol. E da pior forma, todos conseguiram ...


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