FUGA DE SOBIBOR (1987) - FILM REVIEW

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Há um paraíso de filmes feitos para a TV a serem descobertos ou mesmo redescobertos. Geralmente, estas produções são pouco acessíveis com o passar do tempo, e  quando alguma destas produções são lançadas em home vídeo, é motivo de comemoração. O filme em questão é Fuga de Sobibor. 

O destaque vai para o todo. Não só o elenco afinadíssimo, a direção segura, a história tensa e dramática, mas a fusão disto tudo em duas horas de produção que torna esta obra inesquecível para o público que viu nos anos 80 ou 90. A produção é uma mistura autêntica de duas obras: O pianista e Fugindo do inferno. Não que o filme os copie, pelo contrário, até porque o Pianista não tinha nem sinal do horizonte, já que ele é de 2002. Mas citei estes dois apenas para formarem uma noção do que os aguarda. Quando estreou na TV, em 1987, cerca de 31,6 milhões de americanos assistiram ao film, para terem uma ideia do sucesso que foi.


O filme começa com um "carregamento" de judeus poloneses chegando para o inferno em Sobibor. Alguns são selecionados para o abate, outros viram escravos. O comandante (sádico) alemão faz um discurso de boas-vindas, garantindo aos recém-chegados que o local é um campo de trabalho. Até liga uma música para aclimatar o pessoal, que mal podem esperar o horror que estão para vivenciar. Alguns são selecionados para atividades, como costureiras, sapateiros e alfaiates. Os prisioneiros restantes são enviados para uma parte diferente do campo, da qual sobe uma coluna de fumaça dia e noite. Não demora muito para os prisioneiros entenderem que estão num campo de extermínio, onde eles são levados para câmaras de gás e tem seus corpos cremados em grandes fornos. O "trabalho" do grupo pré-selecionado anteriormente seria separar os pertences daqueles que foram mortos, reciclar roupas, consertar sapatos e derreter objetos valiosos para fazer joias para os oficiais.


E como de costume nestes filmes de campos de concentração ou/ extermínio, há um oficial sádico. No caso, Gustav Wagner. Numa cena específica, ele mostra o público a que veio: quando alguns prisioneiros escapam, Wagner impõe sua punição ao grupo: força 13 prisioneiros que pertenciam ao grupo que escaparia a escolher outros 13 no campo para serem fuzilados. Se eles não o fizessem, ele mantaria por conta própria 80 pessoas.

Com o passar do tempo, o líder dos prisioneiros Leon Feldhendler (o fabuloso Alan Arkin), percebe que menos "matérias primas" estão sendo enviadas para o campo e ele pode ficar sem função em breve, entendendo que o destino de todos será o fuzilamento. Nasce assim o plano de fuga do título.


Dos 300 prisioneiros que escaparam, 100 foram recapturados pelos nazistas. Os 200 restantes vagaram pela floresta em busca de esconderijos e muitos deles foram assassinados ao longo dos seus percalços por poloneses civis e poloneses partisans. Entre esses mortos estava Leon Feldhendler.

O filme recebeu o Globo de Ouro de Melhor Minissérie ou Filme para Televisão e Hauer recebeu o Globo de Ouro por Melhor Ator Coadjuvante - Filme ou Minissérie na Televisão.

Fuga de Sobibor é baseado na fuga mais bem-sucedida de um campo de concentração. Um sobrevivente do acampamento chamado Thomas Blatt serviu como consultor técnico na produção.O campo foi localizado na Polônia e aproximadamente 250.000 judeus foram assassinados lá.


Uma das grandes sacadas do evento, tanto no filme quanto na história, é que vemos o poder do revide dos judeus. Em outras grandes obras, os judeus são bastante passivos, o que torna a experiência de assistir Fuga de Sobibor incomum e de repente, inédita. A fuga é emocionante, e até o final, não fazemos ideia de quem vai morrer, e este senso de perigo, pouco usado nos filmes de hoje, é um dos trunfos da história. Mesmo os nomes fortes do elenco, como Hauer, Arkin e Pakula, podem ser ceifados a qualquer momento.

Para os ávidos escavadores de filmes sobre o Holocausto, este é um dos melhores.

Figura real...bem real. Descubra que foi a besta de Sobibor


Em 1911 nasceu Gustav Wagner. Já aos 20 anos se filiou a partido nazista e poucos anos depois, entrou para a lendária e temida SS, que durante a guerra foi responsável por gerir (!!!) os campos de concentração. Além dos judeus, diversas minorias foram exterminadas. Em 1940 ele foi designado para o centro de eutanásia Hartheim. O lugar, que era um castelo, exterminava  pessoas com deficiências físicas ou mentais, negros e idosos, que morriam asfixiados por gás ou com injeção letal. Ele era situado na Áustria. Neste período foram mortas aproximadamente 18.200 pessoas. Os nazistas diziam o castelo que era um local para esterilização da população, ou seja matar os fracos e fazer com que o mundo tivesse apenas uma nação de puros sangue.

Uma vez que seus trabalhos foram reconhecidos, Wagner foi enviado para Sobibor. Ele pré-selecionava as pessoas que iriam imediatamente para câmara de gás e quais iriam trabalhar. Wagner espancava aleatoriamente os judeus e matava sem o menor motivo. Houve relatos de ele espancar até a morte pessoas que não executavam as funções corretamente. Um detalhe: eles não entendiam alemão, ou seja ...


E como de costume em filmes de terror, assaltos e grupos em fuga: se há um lugar para fugir, bora para o Brasil ...E não é que o tal Wagner foi descoberto em São Paulo? E no nosso país viveu até que seu passado o perseguisse. Wagner dizia que não tinha o menor remorso do que fez. Realizava por convicção. Ele foi encontrado morto com facadas no peito em 1980. A situação ficou descrita como suicídio, mas será que ele seria tão frio a ponto de auto infligir facadas contra seu próprio peito? A cena se caracterizou como sendo um assassinato.

De toda forma, já foi tarde. Viveu mais do que mereceu e ainda o fez nas nossas terras. Detalhe: o criminoso foi localizado num lugarejo entre as cidades de Mairiporã e ... Atibaia !!!


Segundo relatos, numa conversa entre Karl Frenzel, Franz Stangl (que também veio para o Brasil) e Gustav Wagner, eles estavam divagando sobre a quantidade pessoas exterminadas aproximadamente, nos campos de Belzec, Treblinka e Sobibor.

Eles lamentaram que Sobibor "tenha ficado em último".

Como diria o Coronel Kurtz: o horror...o horror...


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