BORIS GODUNOV (1986) - FILM REVIEW

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Sergei e Alex

Se há um nome forte no cinema soviético, é o de Sergei Bondarchuk. Além de sua estreia na direção com o grande filme “O destino de um homem”, que faz parte da primeira fase da Nouvelle Vague Soviética. Depois deste início promissor, passou para a história do cinema com seu épico definitivo, o antológico "Guerra e paz", adaptação do romance de Lev Tolstoi. Com poucos filmes no currículo, seu derradeiro trabalho no cinema foi Boris Godunov.

Adaptação da peça de teatro homônima, de Alexander Pushkin, Boris Godunov (1986) se passa na Rússia e na Polônia no começo do século XVII. O épico é inspirado na história do Czar Boris Godunov, que reinou a Rússia entre 1598 e 1605.  Na trama, com a morte do czar Ivan, o Terrível, Boris Godunov se torna regente e 13 anos mais tarde, em 1598, assume o trono, com aparente relutância, assombrado por rumores de que fora responsável pelo envenenamento do legítimo herdeiro de Ivan, o filho Dimitry.  Alguns anos depois, um pretendente posa como o príncipe perdido e lidera uma revolta para derrubar Boris, profundamente dividido entre a ambição e o remorso.


Alexandre Pushkin foi o maior poeta russo da época romântica. Nasceu em 1799 e foi pioneiro em várias vertentes artísticas no país, criando um estilo de narrativa que mesclava drama, romance e sátira associada com a literatura russa, influenciando gerações vindouras. Aleksandr publicou seu primeiro poema com quinze anos de idade. Pertencente à nobreza soviética, Pushkin foi fatalmente ferido em um duelo com seu cunhado (sim, na época as coisas se resolviam assim !!!) porque ele havia flertado com sua esposa .

O ativista social e gênio de sua época, não suportou o escândalo do suposto caso da esposa, que veio a público. No duelo, ambos foram atingidos, mas o ferimento dele foi mais grave, causando uma infecção interna matando-o dias depois, aos 37 anos, mas não sem antes deixar sua marca na história. 


Boris

Boris Fyodorovich Godunov  nasceu em 1551 e foi um estadista russo, principal conselheiro do czar Fyodor I (reinou entre 1584 e 1598) e foi eleito czar da Moscóvia (reinando em 1598 –1605) após a extinção da dinastia Rurik . Seu reinado inaugurou o devastador "Tempo de Dificuldades " (1598–1613) nas terras russas. Nesta época, sob a influência dos grandes nobres que tinham sido contrários à eleição de Godunov, o descontentamento geral tomou a forma de hostilidade chamando o atual czar de usurpador e rumores foram ouvidos de que o irmão mais novo do último czar, supostamente morto, ainda estava vivo e escondido. Em 1603 um homem dizendo-se ser Dimitri e reivindicando o direito ao trono, apareceu na República das Duas Nações. O caos se instalou.

Godunov se infiltrou na família de próximos a Ivan, o terrível. Suas relações, maquinações e traições o levaram ao poder. Algo como Rasputin fez. Tendo controle total sobre as relações exteriores da Moscóvia, Godunov conduziu ações militares bem-sucedidas, promoveu o comércio exterior, construiu inúmeras cidades e fortalezas defensivas, recolonizou a Sibéria Ocidental , que havia escapado do controle de Moscou, e providenciou a elevação do chefe da Igreja Moscovita, de nível metropolitano para patriarca (1589). Domesticamente, Godunov promoveu os interesses da nobreza.


Quando Fyodor morreu sem deixar herdeiros, a nobreza elegeu Boris Godunov sucessor do trono. O czar Boris, provando ser um governante inteligente e capaz, empreendeu uma série de políticas benevolentes, reformando o sistema judicial, enviando estudantes para serem educados na Europa ocidental, permitindo que igrejas luteranas fossem construídas na Rússia, e, para ganhar poder no Mar Báltico, entrando em negociações para a aquisição da Livonia .

Porém, de forma ditatorial, Boris baniu os membros da família Romanov, que eram seus opositores. Ele também instituiu um extenso sistema de espionagem e impiedosamente perseguiu aqueles a quem ele suspeitava de traição. Essas medidas, no entanto, apenas aumentaram a animosidade dos boiardos em relação a ele, e, quando seus esforços para aliviar o sofrimento causado pela fome (1601-03) e epidemias concomitantes se mostraram ineficazes, a insatisfação popular também aumentou.


Assim, quando um pretendente que afirmava ser o príncipe Dmitry (isto é, o meio-irmão mais novo do czar Fyodor, que na realidade, havia morrido em 1591) liderou um exército de cossacos e aventureiros poloneses no sul da Rússia (outubro de 1604), ele obteve apoio substancial. O exército do czar impediu o "falso" Dmitry de avançar em direção a Moscou,  mas com a morte súbita de Boris, a resistência desmoronou e o país mergulhou em um período de caos caracterizado por mudanças rápidas e violentas de regime, guerras civis, intervenção estrangeira e desordem social (o Tempo das Perturbações) que só terminou depois de Michael Romanov, filho de Fyodor Nikitich Romanov , foi eleito czar em 1613.

Godunov

No filme, o próprio diretor Bondarchuk interpreta o papel-título,  (que aliás, ele repetiu o feito em Guerra e paz) o boyar russo que assassinou o filho e herdeiro de Ivan, o Terrível, o menino Dimitri, e usurpou o trono para si mesmo. Mas como Czar, ele sofre com a consciência de seus feitos. Em paralelo, um jovem monge ambicioso afirma ser a criança assassinada, agora  crescida. Ele recebe o nome de Falso Dimitri (bem fiei à história real não?) e levantou um exército na Polônia para atacar Boris. A história se passa em torno do ano de 1600. Bondarchuk é uma figura competente para estes papéis que ele escolhe, passando a angústia necessária para suas cenas, além de dirigir sequências impressionantes.


Entre conspirações, assassinatos e traições pré e pós Godunov, podemos ter uma visão, através do filme, como naquele tempo, pessoas passavam por cima de tudo e de todos para chegar ao poder. Bem diferente dos dias atuais, não?


A parceira CPC Umes filmes lançou mais esta versão do clássico em dvd, imperdível para os fãs da história de Boris.

Como dito acima, o filme traz a direção de Sergei Bondarchuk. Nascido em 1920 na Ucrânia. Depois de combater na Segunda Guerra com o Exército Soviético, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Russa de Cinematografia Gerasimov (VGIK), em 1948. A partir de então trabalhou como ator no Estúdio Mosfilm, debutando em um papel secundário no filme ‘A Jovem Guarda’, dirigido pelo próprio Serguei Gerasimov. Em 1951 protagonizou o drama ‘Cavaleiro da Estrela de Ouro’, dirigido por Yuli Raizman. Em 1955 interpretou o papel principal em uma adaptação de Otelo, de Shakespeare, dirigida por Serguei Yutkevich. Em 1959 estreou na direção. Seu último trabalho foi ‘O Don Tranquilo’ (1992), série de TV que realizou com seu filho, Fyodor. Foi distinguido com o título de Artista Popular da URSS em 1952, com o Prêmio Stalin também em 1952, e como Herói do Trabalho Socialista em 1980.


Alexandr Sergueievitch Pushkin nasceu em Moscou. Fundador da literatura russa moderna, foi pioneiro no uso da linguagem.  Influenciou autores como Gogol, Lermontov e Turgeniev. Pushkin era negro como seu bisavô, o general Abraam Petrovich Gannibal, chefe para a construção de fortes marítimos e canais na Rússia. Aristocrata rebelde, amargou seis anos de exílio no Sul da Rússia. Os insurgentes dezembristas, com os quais manteve múltiplas relações, tentaram em 1825 derrubar a autocracia czarista e inaugurar um regime liberal. Entre suas obras mais conhecidas encontram-se “Ruslan e Ludmila” (1820), “O Prisioneiro do Cáucaso” (1823), “Boris Godunov” (1825), “Evgueny Oneguin” (1825-32), “Os Ciganos” (1827), “O Conto do Czar Saltan” (1832), “O Cavaleiro de Bronze” (1833), “A Dama de Espadas” (1834) e “A Filha do Capitão” (1836).





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