WESTWORLD - ONDE NINGUÉM TEM ALMA (1973) - FILM REVIEW


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Do Westworld a Jurassic World: o futuro controlado segundo Michael Crichton.

Alguns escritores (e roteiristas) são visionários. São inúmeros casos na literatura e no cinema. Vou citar dois para exemplificar: O primeiro, George Orwell com do seu 1984, publicado em 1949. O que move sua história é a sociedade controladora. Paralelo a este exemplo, a sociedade do futuro criada pelos roteiristas do filme Minority Report, de 2002.

Em ambos os casos, o escritor e os roteiristas foram extremamente visionários. Alguns detalhes chegam a impressionar. Mas, muito além de serem obras de arte à frente do seu tempo, são casos que mostram a tentativa de controle do ser humano sobre uma espécie ou evento. E esta tentativa rompe as barreiras do tempo. O ser humano sempre quer controlar seu ambiente. Enjaula animais, cria seres em frascos, controla avanço de doenças causadas por insetos como o mosquito da dengue, soltando novos mosquitos, só que inférteis no meio ambiente. 

“A evolução nos ensinou que a vida não pode ser contida. (...) A vida encontra um meio.”

Tanto Westworld (roteirizado e dirigido por  Michael Crichton) quanto Jurassic World (que é continuação de uma história baseada num dos livros do Michael, chamado Jurassic Park, publicado em 1990 e levado às telas em 1993) são produtos de uma mente que entendia muito bem o que era uma sociedade controladora e proporciona em suas obras, uma vaga ideia das consequências. 

Em Jurassic World, por exemplo, mostra a situação mais absurda possível: não só eles transformaram dinossauros em atrações num parque, como deu errado duas vezes e tempos depois, insistiram na mesma ideia, forçando um controle inexistente.


Westworld funciona da mesma forma. Só que no lugar de dinossauros, estão robôs. Na trama, dois amigos, Peter Martin (Richard Benjamin) e John Blane (James Brolin), resolvem passar as férias no hipermoderno centro de diversões de Delos, que cobra US$ 1000 por pessoa ao dia. Lá foram criados os ambientes da Roma Imperial, Idade Média e do Velho Oeste, todos povoados por robôs perfeitos. 

Eles optam por este último "mundo", onde enfrentariam em duelos "terríveis bandidos" e seduziriam "belas mulheres". Os androides foram programados para satisfazer os clientes e nunca os ferir, mas devido a problemas técnicos os robôs dos três "mundos" se tornam assassinos. Enquanto vários visitantes são mortos a dupla de amigos tenta fugir dos robôs, principalmente de um pistoleiro que quer matá-los de qualquer jeito.

Questões morais e seu legado

Além do entretenimento de qualidade, o filme provoca inúmeras discussões, residindo ai sua longevidade em despertar atenção do público. Não á toa, Westworld deu origem à uma continuação chamada FutureWorld, uma série de 1980, Beyond Westworld e a mais recente grande obra da HBO, que atualmente está na terceira temporada.

Por exemplo, o quão amoral seria se um personagem estuprasse um robô? O personagem de James Brolin dorme com uma mulher. Caso ele fosse casado fora da Delos, seria considerada uma traição? Pode-se pensar numa infinidade de situações. O próprio pistoleiro, cuja inteligência artificial aparentemente supera as expectativas dos controladores, demonstra consciência ao querer se vingar de suas mortes.

Se pensarmos que foi um filme com orçamento baixíssimo imposto pela MGM, filmado em apenas 30 dias  e rejeitado por vários estúdios, Michael conseguiu fazer um entretenimento de primeira. 

Michael Crichton

O diretor teve uma participação relevante no cinema, dirigindo filmes como O primeiro assalto de trem, Coma e Runaway: fora de controle. Uma pena que um câncer o levou em 2006.  

Ele se inspirou para escrever este filme depois de uma viagem à Disneylândia, onde ele viu o a atração "Piratas do Caribe" e ficou impressionado com os personagens animatrônicos. Além disso, o passeio é mencionado no Jurassic Park: O parque dos dinossauros (1993), quando Ian Malcolm diz:  "- Quando os piratas do Caribe quebram, eles não comem os turistas", ao contrário do que acontece neste filme. Para quem não sabe, o filme é baseado num romance de Michael.

Jurassic Park e Westworld tratam o tema de forma semelhante, já que são parques temáticos, onde os cientistas acham que tem o controle de tudo, mas que a certa altura, os robôs/dinossauros se rebelam.
O parque recria três eras na história: Império Romano, Idade Média e o Velho Oeste. É uma homenagem ao  início do cinema, que mostrava costumeiramente, gladiadores, cavaleiros e cowboys. 

O filme foi primeiro que fez uso de imagens digitalizadas em computador como parte da narrativa (não apenas monitorar gráficos). A cena em particular é a do ponto de vista do Pistoleiro (Brynner). Levaram oito horas para produzir cada dez segundos de filmagem para a imagem pixelada do personagem (imagem acima). 

O robô é uma homenagem do próprio personagem de Brynner em  Sete homens e um destino, de 1960. Eles inclusive usam o mesmo traje. No terceiro embate entre o Pistoleiro e a dupla, a forma que Brynner utiliza sua arma é exatamente a mesma do filme Sete homens e um destino.

 O desempenho do ator influenciou personagens importantes do cinema, como  a natureza "indestrutível" de Michael Myers em Halloween e  Arnold Schwarzenegger  em O exterminador do futuro.



Versátil lançou “Clássicos Sci-Fi Vol. 5”, digistack com 3 DVDs que reúne 6 filmes de ficção-científica, incluindo as inéditas versões restauradas dos excelentes “Alphaville” e “eXistenZ”, dos mestres Jean-Luc Godard e David Cronenberg, além de uma hora e meia hora de extras, com destaque para muitos especiais sobre esses dois cults do cinema. Edição Limitada com 6 cards.

Disco 1:

Alphaville
(Alphaville, une Étrange Aventure de Lemmy Caution, 1965, 99 min.)
De Jean-Luc Godard. Com Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff.
O agente Lemmy Caution chega a Alphaville, com a missão de destruir a inteligência artificial que comanda a cidade. Em sua única incursão pela ficção-científica, Godard realiza um fascinante tech noir (filme noir futurista).

Westeworld - onde ninguém tem alma
(Westworld, 1973, 89 min.)
De Michael Crichton. Com Yul Brynner, Richard Benjamin, James Brolin.
Dois amigos vão passar férias num parque temático que recria, com robôs, o Velho Oeste. Tudo vai bem até que uma das máquinas sai do controle... O escritor Michael Crichton ("Jurassic Park") dirigiu esse clássico que deu origem à série de TV.

Disco 2:

ExistenZ
(Idem, 1999, 97 min.)
De David Cronenberg. Com Jude Law, Jennifer Jason Leigh, Ian Holm.
Perseguida por fanáticos religiosos, uma designer de games de realidade virtual precisa se refugiar no seu revolucionário jogo eXistenZ. Cronenberg mais uma vez explora magistralmente as fronteiras natural/artificial e humano/mecânico.


É proibido procriar
(Z.P.G., 1972, 95 min.).
De Michael Campus. Com Oliver Reed, Geraldine Chaplin, Don Gordon.
Num futuro distante, o mundo está superpovoado e poluído. Desesperados, os países proíbem nascimentos por 30 anos. Porém, um casal tem um bebê. Interessante distopia inglesa que antecipa "Fuga no Século 23".

Disco 3:

A decadência de uma espécie
(The Handmaid’s Tale, 1990, 109 min.)
De Volker Schlöndorff. Com Natasha Richardson, Faye Dunaway, Aidan  Quinn.
A poluição tornou 99% da população da Terra estéril. Uma jovem fértil é forçada a servir sexualmente um comandante, que deseja engravidá-la. Primeira adaptação de "O Conto da Aia" ("The Handmaid’s Tale"), de Margaret Atwood.

O diabo, a carne e o mundo
(The World, the Flesh and the Devil, 1959, 94 min.)
De Ranald MacDougall. Com Harry Belafonte, Inger Stevens, Mel Ferrer.
Após ficar dias preso numa mina devido a um deslizamento, homem descobre, ao sair, que a humanidade foi dizimada por um holocausto nuclear. Com forte comentário racial, este é um dos primeiros filmes pós-apocalípticos do cinema.

Informações técnicas da edição:

Títulos em português: Alphaville, Westworld – Onde Ninguém Tem Alma, eXistenZ, É Proibido Procriar, A Decadência de uma Espécie, O Diabo, a Carne e o Mundo
Títulos originais: Alphaville, une Étrange Aventure de Lemmy Caution, Westworld, eXistenZ, Z.P.G., The Handmaid’s Tale, The World, the Flesh and the Devil
Un Flic, Touchez pas au Grisbi, La Désordre et la Nuit, Classe Tous Risques, Mort d’un Pourri, Série Noire
País de produção: Estados Unidos, Inglaterra, França, Canadá
Ano de produção: 1959-1999
Gênero: Ficção-científica
Direção: Jean-Luc Godard, Michael Crichton, David Cronenberg, Michael Campus, Volker Schlöndorff, Ranald MacDougall
Elenco: Eddie Constantine, Anna Karina, Akim Tamiroff, Yul Brynner, Richard Benjamin, James Brolin, Jude Law, Jennifer Jason Leigh, Ian Holm, Oliver Reed, Geraldine Chaplin, Don Gordon, Natasha Richardson, Faye Dunaway, Aidan  Quinn, Harry Belafonte, Inger Stevens, Mel Ferrer
Idioma: Inglês, Francês
Áudio: Dolby Digital 2.0
Legenda: Português
Formato de tela: Widescreen Anamórfico 1.78:1, Fullscreen 1.37:1
Tempo de duração: 583 min.
Região: 0 (multizonal)
Colorido e Preto e Branco
Faixa etária: 14 anos

Extras: 

Especiais sobre os filmes (82 min.), Trailers (10 min.)

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