RUMO AO INFERNO (1952) - FILM REVIEW

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Richard Fleisher é um diretor que joga nas 11. Realiza filmes acima da média em gêneros completamente diferentes. E com êxito. Visto este Rumo ao inferno, que foi o hit da RKO em 1952. E detalhe: filmado em apenas 13 dias !! 

A única cena realmente rodada em um trem foi a da chegada em Los Angeles, que dura alguns poucos segundos. Para economizar, os sets do trem estavam presos de forma rígida ao chão, com a câmera sendo mexida de forma a passar ao espectador a sensação do trem em movimento.

É um filme "B" policial com pedigree de "A". Howard Hughes, o proprietário da RKO na época, gostou tanto do filme, que ele queria melhorá-lo (torná-lo "A") colocando a dupla  Robert Mitchum e Jane Russell em cena, substituindo cenas e refilmando algumas com eles.  A ideia não foi para a frente (ainda bem !!!).


No filme, Walter Brown (Charles McGraw), um determinado detetive, é designado para proteger Frankie Neall (Marie Windsor), a viúva de um gângster, que decide depor contra o crime organizado. Para tanto ela precisa pegar um trem de Chicago para Los Angeles, onde deporá no Grande Júri. Para ajudá-lo nesta missão, Brown iria contar com a ajuda de Gus Forbe (Don Beddoe), seu parceiro, mas este é morto por membros da quadrilha quando salvava Neall de uma tentativa de assassinato. No trem, Brown faz amizade com Ann Sinclair (Jacqueline White), que se mostra bem gentil. Ela viaja com Tommy (Gordon Gebert), seu filho. Walter também conhece um gorducho, que pode ser um assassino da quadrilha. 

Logo após o trem partir para a Califórnia, um membro da gangue, Vincent Yost (Peter Brocco), se aproxima de Walter e lhe oferece uma grande soma se deixar que Neall seja silenciada.


Charles McGraw parece ter saído de um filme do Dick Tracy de tão impressionante a semelhança dele com o personagem. A produção tem um plot twist final estilo os filmes dirigido por M. Night Shyamalan, que fazem tanto sucesso desde "Sexto sentido". Rumo ao inferno foi refilmado com um resultado bastante favorável por Peter Hyams, sendo chamado no Brasil de  "De frente para o perigo" e com a dupla afinadíssima  Gene Hackman e Anne Archer. Para quem duvida que remakes possam ser bons, basta olhar a própria filmografia de Hyams, que fez um remake de  "Suplício de uma alma", de Fritz Lang; um remake de Matar ou morrer, com Sean Connery e no espaço (!!!!); e ainda teve a coragem de fazer uma continuação de 2001, de Kubrick.

Margem estreita

Sempre que assisto filmes envolvendo trens, me surpreendo como os roteiristas conseguem fazer obras interessantes em um espaço tão pequeno. E passagens em trens são sempre marcantes. Alguns vem à mente imediatamente, como Assassinato no expresso Oriente, Pacto sinistro, Expresso para o inferno, Incontrolável ou mesmo Trem desgovernado, clássico eficiente da sessão da tarde. Até mesmo a cena de Gene Hackman correndo em cima do trem em "De frente para o perigo". Mas porque será que um dos melhores, Rumo ao inferno, é menos lembrado?


Talvez porque o cinema Noir é mais popular entre os admiradores do cinema clássico, mas pouco revisitado em filmes atuais, deixando de trazer a estética para atualidade. Para quem não sabe, em 1946, o crítico francês Nino Frank identificou semelhanças estéticas em filmes norte-americanos dos anos 1930 e 1940 e os batizou de filmes noir (do francês, filme preto). Estes filmes teriam surgido no final da década de 30, pouco tempo depois da crise da bolsa em 1929, como um reflexo da recessão que assolava os EUA e criava um ambiente propicio para o crime. Os jovens críticos franceses da revista Cahiers du Cinema (entre eles Godard e Truffaut) adoraram o termo e passaram a utilizá-lo com frequência, levando o conceito de film noir para os EUA, onde eram muito respeitados.

Hoje em dia, mesmo os musicais e os faroestes, característicos do cinema clássico, são atualizados e alguns muito reconhecidos, como Chicago, Imperdoáveis, La la Landa, Rei do Show e Dança com lobos. Mas o Noir é pouco lembrado, infelizmente.

Mas enquanto houver cinéfilos, colecionadores e criadores de sites que trazem sempre estes filmes para a mídia e enquanto houver distribuidoras dispostas a colocar estes filmes no mercado para serem relembrados ou mesmo conhecidos, o cinema clássico jamais morrerá. 




A Versátil lançou A ARTE DE RICHARD FLEISCHER, digistack com 2 DVDs que reúne 4 filmes em inéditas versões restauradas do grande diretor Richard Fleischer (1916-2006), que nos últimos anos vem sendo redescoberto como um cineasta-autor pelos críticos e cinéfilos, sobretudo na França. Quase uma hora de vídeos extras, incluindo comentários em áudio de William Friedkin (“O Exorcista”). Edição Limitada com 4 cards.

Disco 1:

OS NOVOS CENTURIÕES (The New Centurions, 1972, 103 min.)
Com George C. Scott, Stacy Keach, Jane Alexander.

⇨ Sinopse: A rotina e os dramas pessoais de dois policiais, um novato e um veterano, em patrulha pelas ruas de Los Angeles. Obra-prima de Fleischer e um dos grandes filmes policiais da década de 70. Grande atuação de George C. Scott.

TERROR CEGO (See no Evil / Blind Terror, 1971, 89 min.)
Com Mia Farrow, Dorothy Alison, Robin Bailey.

⇨ SinopseNuma linda casa de campo, uma jovem, que ficou cega numa queda de cavalo, é perseguida por um brutal psicopata. No mesmo estilo de “Um Clarão nas Trevas”, esta é uma aula de suspense e tensão de Fleischer.

Disco 2:

MANDINGO – O FRUTO DA VINGANÇA (Mandingo, 1975, 127 min.)
Com James Mason, Susan George, Perry King.

⇨ SinopseNa época da escravidão, numa fazenda do sul dos EUA, o proprietário obriga seus escravos a lutarem. Porém, sua sobrinha se apaixona por um deles. O anti-“E o Vento Levou” de Fleischer, esse polêmico filme foi uma das inspirações de “Django Livre”, de Quentin Tarantino.

RUMO AO INFERNO (The Narrow Margin, 1952, 71 min.)
Com Charles McGraw, Marie Windsor, Jacqueline White.

⇨ SinopseDurante uma viagem de Chicago a Los Angeles, detetive precisa proteger uma testemunha de vários assassinos. Excelente filme noir de trem, acompanhado aqui por comentários em áudio do mestre William Friedkin (“Comboio do Medo”).


Informações técnicas da edição:

Títulos em português: Os Novos Centuriões, Terror Cego, Mandingo – O Fruto da Vingança, Rumo ao Inferno
Títulos originais: The New Centurions, See no Evil / Blind Terror, Mandingo, The Narrow Margin
País de produção: França
Ano de produção: 1952-1975
Gênero: Policial, Suspense, Drama
Direção: Richard Fleischer
Elenco: George C. Scott, Stacy Keach, Jane Alexander, Mia Farrow, Dorothy Alison, Robin Bailey, James Mason, Susan George, Perry King, Charles McGraw, Marie Windsor, Jacqueline White
Idioma: Inglês
Áudio: Dolby Digital 2.0
Legenda: Português
Formato de tela: Widescreen anamórfico 1.85:1
Tempo de duração: 390 min.
Região: 4
Colorido e Preto & Branco
Faixa etária: 14 anos
Extras: Especiais sobre os filmes da coleção (53 min.), Comentários em áudio de William Friedkin para “Rumo ao Inferno” (71 min.)






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