M - O VAMPIRO DE DUSSELDORF (1931) - FILM REVIEW

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Alguns acontecimentos extremamente negativos e tristes na história da humanidade são costumeiramente adaptados para o cinema e não incomum, se tornam obras primas, algumas de importância ímpar para o cinema.

M, o vampiro de Dusseldrof é um destes casos. Ele figura em qualquer lista dos 100 mais importantes filmes da história. Seja pela história contada, pela atuação monstruosa de Peter Lorre, seja pela direção singular do alemão Fritz Lang ou até mesmo pelo ineditismo de uma história como esta contada em pleno anos 30.  

Na história, um misterioso infanticida leva o terror a Dusseldorf. A polícia local não consegue capturar o serial killer então um grupo de foras-da-lei se une para encontrar o assassino. Capturado pelos marginais, ele é julgado por um tribunal de criminosos e é acusado de ter quebrado a ética do submundo. 


A crueldade de Fritz Lang com os atores foi lendária. Peter Lorre foi jogado pelas escadas para o porão mais de uma dúzia de vezes. Quando Lang quis contratar Lorre para Desejo Humano (1954) mais de duas décadas depois, o ator recusou.  Embora Lorre tenha se orgulhado de um papel tão importante, ele chegou a odiá-lo mais tarde, pois as pessoas tendiam a associá-lo a ser um assassino de crianças na vida real.

Peter Lorre era judeu e teve que fugir da Alemanha por medo da perseguição nazista logo depois que o filme foi lançado. Fritz Lang, que era metade judeu, também fugiu dois anos depois, principalmente após Hitler o chamar para fazer parte da equipe cinematográfica do fuhrer. Ele negou, e já imaginando a retaliação, fugiu. Não à toa, os nazistas proibiram o filme em julho de 1934 (o filme estreou em 1931. Adolf Hitler e seu partido nazista tomaram o poder em 1933, e proibiram o filme no ano seguinte. Foi então armazenado em um cofre, onde ficou por muitos anos. O público não teve a chance de ver a obra novamente até 1966. Por seu lançamento em vídeo 30 anos depois, ele passou por uma restauração que incluiu a adição de música e efeitos sonoros que não teriam sido autorizados por Fritz Lang e o corte de certas cenas. A imagem também foi alterada para caber no tamanho da tela 4: 3. Essas "injustiças" foram alteradas em 2009 para o lançamento do filme em Blu-ray).


Ao contrário da crença popular, Fritz Lang NÃO alterou o título de "Os assassinos estão entre nós" para "M" devido ao medo de perseguição pelos nazistas. Ele mudou o título durante as filmagens, influenciado pela cena em que um dos criminosos escreve a carta em sua mão. Lang achava que "M" era um título mais interessante. O "M" é a abreviação de Mörder, a palavra alemã que significa Assassino.
Apesar da interpretação primorosa de Peter, ele curiosamente não sabia assobiar. Foi o próprio Lang que o "dublava". Dois terços do filme foram filmados com som, o terço restante foi filmado em silêncio. Na época, as taxas de licenciamento para equipamentos de som eram bastante proibitivas, de modo que esse era uma forma para tentar manter os custos baixos. No entanto, Fritz Lang gostou da misteriosa e enervante que esta situação proporcionou ao filme, indo do som ao mais profundo silêncio. 


Este é o último filme em que Fritz Lang e Thea von Harbou, então marido e mulher, fizeram. Devido à infidelidade de Thea e suas conexões com o Partido Nazista, Lang terminou seu relacionamento pessoal e profissional antes de seu próximo projeto, O Testamento do Dr. Mabuse (1933), estar completo. Lang terminou o filme, mas deixou de trabalhar com ela no meio da produção. Ambos escreveram o roteiro de M. De acordo com Lang, o casal queria criar um filme baseado no "crime mais horrendo e repugnante possível". O primeiro roteiro que eles imaginaram foi sobre um homem que enviava cartas vulgares e anônimas; no entanto, tanto Lang quanto von Harbou desistiram da história pois acharam muito branda. Por fim eles decidiram que o crime mais horrível possível era o de um assassino de crianças.

Fritz declarou que o elenco da cena do tribunal no final do filme é formado por verdadeiros criminosos. De acordo com o biógrafo de Paul Jensen, 24 figurantes foram presos durante as filmagens. Não por acaso, o lendário filme foi escolhido pela Association of German Cinémathèques como o filme alemão mais importante de todos os tempos.


Como ele havia dirigido vários thrillers policiais no passado, Fritz Lang havia desenvolvido um relacionamento positivo com a polícia de Berlim e havia feito vários contatos influentes. Ele foi capaz de explorar essas conexões, particularmente aquelas no departamento de homicídios, a fim de conhecer e entrevistar vários assassinos reais em preparação para este filme. O filme inclusive é baseado na história de Peter Kürten, o tal vampiro de Düsseldorf (sim, este era seu apelido). 

Kürten praticou uma série de crimes, entre estes, assaltos, assassinatos e abuso sexual contra adultos e crianças, entre fevereiro a novembro de 1929 na cidade de Düsseldorf. Sua sentença foi morte por decapitação, executada em 2 de julho de 1931. Sua cabeça foi conservada para estudos. Posteriormente foi dissecada e mumificada e faz parte do acervo do museu "Ripley's Believe It or Not!" na cidade de Wisconsin Dells, nos Estados Unidos. 

O executivo do estúdio da MGM, Irving Thalberg, reuniu seus roteiristas e diretores para uma exibição particular do filme, dizendo que eles precisavam fazer filmes com esse poder e calibre. Ele também admitiu que se alguém trouxesse uma história de um assassino de crianças para ele na época, ele teria rejeitado.

Lang era uma visionário e merece toda a reverência com um dos diretores mais importantes para a formação do cinema como nós conhecemos.



A Versátil lançou as inéditas versões recentemente restauradas de “M, O Vampiro de Düsseldorf” (1931), o clássico do mestre Fritz Lang (“Metropolis”) e um dos maiores filmes de todos os tempos, e “M – O Maldito” (1951), o remake noir do mestre Joseph Losey (“O Mensageiro”), nessa caixa com 2 DVDs em luva reforçada, incluindo quase quatro horas de vídeos extras, entre documentários e entrevistas. Edição Definitiva Limitada com 4 cards.

Disco 1:

M, o vampiro de Dusseldorf (M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931, 110 min.)
De Fritz Lang.  Com Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut.

⇨ SinopseAlemanha, anos 20. Um psicopata mata várias crianças, espalhando o terror entre os moradores de Düsseldorf. Com a ineficácia da polícia em capturá-lo, os criminosos locais começam a caçá-lo implacavelmente. Baseando-se na história real do serial killer Peter Kürten, Fritz Lang criou uma obra-prima do suspense, com elementos expressionistas e forte comentário social sobre a Alemanha à beira do Nazismo. A atuação de Peter Lorre (“Casablanca”) no papel-título é uma das mais impressionantes da história do cinema.


Disco 2:

M - o maldito (M, 1951, 88 min.)
De Joseph Losey. Com David Wayne, Howard Da Silva, Martin Gabel.

⇨ SinopseMartin, um serial killer de meninas, desperta pânico numa cidadezinha dos Estados Unidos no início dos anos 50. A polícia se vê pressionada a prendê-lo e, com suas inúmeras batidas, prejudica os criminosos, que decidem capturá-lo. Nesta obra-prima do filme noir, Losey transpõe a trama do clássico de Lang para o coração da América, a fim de tecer uma crítica feroz à paranoia do Macarthismo, com sua caça aos “comunistas” de Hollywood. Ótima atuação de David Wayne no papel de Peter Lorre.



Informações técnicas da edição:

Títulos em português: M, O Vampiro de Düsseldorf, M – O Maldito
Títulos originais: M, Eine Stadt sucht einen Mörder, M
País de produção: Alemanha, Estados Unidos
Ano de produção: 1931-1951
Gênero: Suspense
Direção: Fritz Lang, Joseph Losey
Elenco: Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut, David Wayne, Howard Da Silva, Martin Gabel.
Idioma: Alemão, Inglês
Áudio: Dolby Digital 2.0
Legenda: Português
Formato de tela: Fullscreen 1.33:1
Tempo de duração:  198 min.
Região: 4
Preto e Branco
Faixa etária: 14 anos
Extras: A Restauração de “M” (26 min.), Conversa com Fritz Lang (50 min.), Fritz Lang fala de seus filmes alemães (21 min.), Chabrol comenta o “M” de Lang (18 min.), Entrevista sobre o “M” de Lang (15 min.), Análises e depoimentos sobre “M – O Maldito” (83 min.)


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