ÁTILA, O REI DOS HUNOS (1954) - FILM REVIEW

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No cinema há diretores que são sempre associados a certos gêneros. O exemplo mais notório é Alfred Hitchcock. No filme em questão, é difícil de imaginar um realizador mais inusitado para dirigir Átila, o rei dos Hunos que Douglas Sirk, considerado pai do melodrama.

Douglas Sirk, que não tinha nada de americano, se chamava Hans Detlef Sierck e nasceu em  1897. Sua carreira foi basicamente construída na América, com melodramas que ofereciam visões cínicas dos valores americanos. Embora Sirk também tenha dirigido comédias, faroestes e filmes de guerra, ele era mais conhecido por seus complicados melodramas familiares que mostravam uma guerra emocional de pessoas que normalmente viviam de fachada, na década de 1950.


Seu início de carreira foi um pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Antes disto, ele estudou Direito na Universidade de Munique a partir de 1919, depois transferiu-se para a Universidade de Hamburgo, onde lia filosofia e história da arte. Seguindo na veia de seu pai, ele escreveu para os jornais para ganhar dinheiro, e também começou a trabalhar no teatro. Foi em sua terra natal, Hamburgo, que ele fez sua estréia profissional como diretor teatral, com "Bahnmeister Tod", de Hermann Bossdorf, em 1922. Até ser forçado a deixar a Alemanha com a ascensão da ditadura nazista, Sirk tornou-se um dos principais diretores teatrais da República de Weimar. Ele começou a dirigir curtas na UFA Studios em 1934 e fez seu primeiro longa-metragem, April, April! (1935), filmando primeiro em holandês e depois em alemão.

Ele morreu em Lugano, na Suíça quase trinta anos depois, com apenas um breve retorno ao trabalho de cinegrafista, na Alemanha, na década de 1970.


Átila é certamente, um dos casos mais improváveis filmes que Sirk dirigiu. Ele se passa no século V, onde o Império Romano encontra-se dividido em duas partes, uma com capital em Roma, governada pelo Imperador Valentiniano III (Walter Coy), e a outra com sua capital em Constantinopla, governada pelo Imperador Teodósio II (George Dolenz). O estado enfraquecido é atacado pelo chefe dos bárbaros, Átila (Jack Palance), que captura o guarda imperial, Marciano (Jeff Chandler), que trazia uma mensagem do Imperador romano alertando Teodósio contra os hunos. 

Nos dias que se seguem, Átila mantém Marciano em cativeiro, na esperança de aprender mais sobre os planos dos romanos. Tempos depois, Marciano o rouba o cavalo de Átila e foge para Constantinopla, para alertar Teodósio dos planos dos hunos, mas descobre que o Imperador e Átila já estão conspirando contra Roma.


O filme foi baseado na vida do personagem homônimo, que foi um dos líderes guerreiros mais violentos e temidos da antiguidade. Viveu no século V e liderou a tribo bárbara dos hunos. Esta tribo habitava a região onde hoje se localiza a Hungria. 

Durante sua passagem como líder daquele povo, ele comandou várias ações no continente europeu. Saqueou e destruiu várias cidades romanas. ´Átila era um daquelas pessoas que  matam o irmão de manhã e de tarde tenta dominar Constantinopla (que era um completo absurdo já que o exército do Império Bizantino era bem maior). Ele exigiu do papa Leão I uma quantia de dinheiro para deixar de invadir e destruir cidades italianas. Autêntico vilão dos filmes do personagem James Bond.

Fez seu nome como um comandante militar muito cruel e violento. Foi apelidado em sua época de “o flagelo de Deus”. Quando entrava nas cidades, ordenava a destruição de casas e construções, além de exigir a execução de várias pessoas, com objetivo de demonstrar poder e despertar o medo nos inimigos (parece que Daenerys Targaryen viu este filme ante do ataque do Porto Real em Game of Thrones).


No ano de 451 sofreu uma grande derrota durante as batalhas para invadir a região da Gália, em função da união entre os bárbaros godos e romanos. Morreu dois anos depois quando se preparava para invadir regiões da Itália de hemorragia.

A morte, quase banal de uma figura tão temida, deu vasão a "versões" de sua morte, mais glamourizadas. Uma delas, a mostrada no filme, veio pelo cronista romano Conde Marcelino: "Átila, rei dos hunos e saqueador das províncias da Europa, foi atravessado pela mão e adaga de sua mulher". 

Imprima-se a lenda, como diz a frase famosa do clássico de John Ford, "O homem que matou o facínora".



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