FILHINHO DO PAPAI (1951) - FILM REVIEW

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Incrível como nenhum filme pode ser desprezado, principalmente um filme "menor" de algum dos gênios do cinema. Filhinho do papai é um destes casos. O filme é bem menos conhecido do que outras obras inesquecíveis do comediante, como Mensageiro trapalhão ou Professor aloprado, o que é uma pena. Mas não se engane, Filhinho do papai é um filme que há muito o que dizer para o telespectador.

No filme Junior Jackson (Jerry Lewis) é um tímido jovem e filho único de Jack “Terremoto” Jackson (Eddie Mayehoff), uma lenda do futebol americano. Por Junior ser tímido, seu pai carrega um grande medo de seu filho não seguir os seu passos, ou seja, ser um grande jogador no futuro como ele. Sendo assim, Jack chega a contratar Bill Baker (Dean Martin), um grande jogador, com o objetivo de treinar Junior e fazer com que ele deixe essa timidez de lado. Como Junior além de ser tímido, também é atrapalhado, a missão de Bill vai ser um pouco difícil de ser completada mas independentemente de pagamento, nada vai lhe impedir de se tornar um grande amigo de Junior e acabar lhe ajudando a superar todas as suas limitações para ser um grande jogador.


O sub texto do filme é sobre a dominação imposta ao filho, que por sua vez cresce infantilizado e sem vontade própria. Os pais super protetores pensam somente no bem de seus filhos, mas não percebem que este comportamento pode trazer consequências negativas. Os filhos de pais super protetores podem ter dificuldades em se tornarem pessoas autônomas e independentes, que é o que ocorre com Jackson (Lewis). Que espera um filme de comédia, daqueles de "rachar o bico", tem aqui em mãos uma obra interessante para levar a discussão da relação entre pais e filhos à mesa. 

As consequências desta dominação é, infelizmente, grave. As crianças não conseguem explorar o mundo, algo básico desta fase da vida, pois os pais não lhes dão o espaço, num esforço constante de protegê-las, até mesmo de perigos inexistentes. É comum, quando discutimos o assunto, pessoas dizerem: - mas perdoa a pessoa, é excesso de amor. Bom, perdoar não é a questão, até porque a criança dificilmente ficaria com ódio a ponto de não perdoar.  O que deve ser compreendido são os efeitos irreversíveis na vida da pessoa. Elas crescem com dificuldade em lidar sozinhos com seus problemas já que não aprenderam a resolver seus problemas de forma independente.


A discussão toma uma conotação mais complicada, se olharmos a opinião de quem entende do assunto. Especialistas dizem que os pais tentam proteger seus filhos para que estes tenham uma vida mais fácil, mas eles acabam por obter o efeito exatamente oposto. Os filhos de pais super protetores podem sofrer de ansiedade e depressão. Ou seja, o excesso de amor faz mal. Lembro de um caso (que eu mesmo vi), e que representa bem este caso. Um passarinho estava com um filhote no alto de um poste. Após dias do nascimento deles, ele começou a ensinar um deles a voar. Ao ver a dificuldade de um deles, empurrou o pequeno do ninho, que na queda, saiu voando. Certamente, se ele fosse super protetor com a cria, ele não voaria e possivelmente, morreria no ninho.

No filme, há também outra discussão interessante: a obrigação imposta pelo pai do seu filho seguir sua profissão. Este também é um peso tremendo em cima da pessoa, que perde o direito de seguir seus próprios passos. O que move a história é o fato de que o pai contrata um jogador (Martin) para dar um empurrão em Jackson. Ou seja, um pai incapaz de atacar a origem do problema.  


Em uma época não tão distante, as profissões eram passadas de geração por geração. Por exemplo, o pai se formava em Direito ou Medicina e, por estas serem profissões de renome, era de bom tom que o filho seguisse os mesmos passos. Além dessa questão cultural, há jovens que optam por seguir a mesma carreira dos pais por se espelhar na trajetória já realizada por eles. Isso se reforça quando a profissão é associada ao sucesso, como a estabilidade financeira e carreira de prestígio social.  E claro, está sub entendido a superproteção dos pais ai, já que eles já tem uma estrutura montada, "facilitando" a vida dos seus filhos quanto à fazer o nome no meio.

Treinador Wheeler : Você deve usar óculos?
'Junior' Jackson : Não, senhor. Somente quando eu quero ver. 

Trazendo este problema para os nossos dias, a coisa fica bem mais complicada, já que as profissões do novo milênio, são bem mais atrativas aos jovens, rendem mais dinheiro num primeiro momento e sem qualquer especialização sendo que elas nem existiam há 15 anos, ou seja, os filhos ainda tem que confrontar os pais por apostar numa ideia que eles nem compreendem.


A genialidade de Jerry Lewis está ai. Discutir temas tão atuais, lá nos anos 50, sempre usando o humor para passar sua mensagem.  A premissa do filme se transformou em uma série de TV com o mesmo nome em 1954, com Eddie Mayehoff recriando seu papel como pai e Gil Stratton no papel de Junior.



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