MARGUERITE E JULIEN (2015) - FILM REVIEW

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O incesto é  um dos mais difundidos de todos os tabus culturais, tanto no presente e em muitas sociedades antigas.  A maioria das sociedades modernas têm leis sobre incesto ou restrições sociais em casamentos estreitamente consanguíneos.  A palavra incesto é derivada do Latim incestum, que quer dizer estritamente "sacrilégio". Incestum deriva de incestus que significa "impuro e sujo". Incestus, por sua vez, é forjada a partir do privativo in e cestus, que é uma deformação de castus, que significa "casto" e "puro", assim incestus também tem a definição de "não casto".

Hoje vamos tratar de um caso real, que virou o filme Marguerite e Julien.

O filme é dirigido por Valérie Donzelli, uma atriz francesa que virou diretora, sendo este seu quinto longa metragem. O roteiro da obra foi escrito no início dos anos 1970, deveria ser filmado por François Truffaut. Mas em plena era da liberdade sexual, o cineasta não queria tratar de incesto e fazer um "filme da moda". Por isso, abandonou o projeto.

No filme Julien de Ravalet e Marguerite, filhos do Senhor de Tourlainville, sempre foram muito próximos, desde a infância. O carinho se transforma numa paixão avassaladora quando eles crescem. Esse sentimento escandaliza a sociedade que, então, os persegue, não aceitando o amor incestuoso, buscando meios para afastá-los. Incapazes de resistir, eles decidem fugir.

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Julien de Ravalet nasceu em 1582 e Marguerite de Ravalet,1586, em uma família de onze irmãos e irmãs. Eles cresceram em Le Château des Ravalet, agora mais  conhecido como Château de Tourlaville, localizado em Tourlaville . Eles protagonizam  uma história verdadeira  que "causou" na sociedade do século XVII e manchou o nome de Ravalet para sempre. Como muitas tragédias, esta foi causada pelo amor. 

Um pouco mais velho que Marguerite, Julien se fez protetor de sua irmã bonita, como mostrado no filme.  Ele ensinou-a a andar, falar e foi seu parceiro favorito. À medida que cresciam, sua boa aparência semelhante e sua proximidade causaram comentários, particularmente de um tio, o abade local. Ambos eram amigos e confidentes, e numa era pré internet, sem nada para se ocupar, preferiam passar o tempo juntos.  Quando adolescentes, a amizade de ambos já soava estranha perante a família, que resolveram enviá-la para uma escola em  Coutances. 

Ainda que tenham ficado separados alguns poucos anos, era uma relação intensa demais para se perder no tempo. E no seu retorno, as chamas da paixão se reascenderam. A família continuou articulando para manter seus filhos bem distantes, e como era de se imaginar, começaram a arranjar um casamento para ela. E assim o fizeram. Conseguiram um homem, já nos seus 30 anos, chamado Jean Lèfevre de Haupitois, um novo nobre rico que construiu sua riqueza com a cobrança do imposto real pelo colecionador. Eles foram morar em sua mansão em Valognes. Enquanto isso, Julien foi enviado a Paris para estudar teologia. 


Um ano depois, ela deu a luz a uma filha, Louise, mas fruto de seu casamento armado e infeliz. Seu marido era extremamente ciumento e abusivo. Mas numa época de casamentos de fachada, separação não era opção. Num dia de desespero, ela fugiu, deixando marido, filha, castelo e tudo para trás. E o destino quis que Julien cruzasse seu caminho novamente, e sem que todos soubessem. Mas lógico que , com a volta de Julien e da felicidade de Marguerite ecoando pelos quatro cantos, todos ficariam de olho em qualquer atitude suspeita, o que não demorou a acontecer. 

O ciumento Lefèvre achou justo alertar as autoridades sobre o abandono de sua esposa e enviou uma carta ao castelo, acusando os irmãos de se envolverem em um relacionamento incestuoso.  Ambos negaram as acusações mas Marguertie não resistiu à pressão e  fugiu novamente, com Julien, naturalmente, na sua sombra. Depois disto, passaram a viver juntos como marido e mulher. Ela engravidou. Mas seu marido (oficial) estava no encalço da dupla, e quando chegou a eles esta notícia, fugiram novamente, agora para Paris, porém ficando em residências separadas para facilitar uma fuga e dificultar qualquer identificação. 

Porém  Lefèvre era influente e após denunciá-los, conseguiu que o comissário de polícia os prendesse por adultério e incesto. Ela não conseguia esconder sua gravidez, o que era um escândalo. Este crime era punido com morte na época.

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A crucificação dos pecadores

Setembro de 1603 foi o mês marcado para o julgamento.  Ambos negaram a relação e ela justificou a gravidez dizendo que foi estuprada por um viajante. E disseram que o marido é profundamente ciumento, vendo coisas aonde não tinha. Logo depois, Marguerite deu à luz, e o neném (um menino), foi deixado aos cuidados do seu irmão mais velho.

Quanto aos irmãos, havia muito contra eles. Várias cartas trocadas entre os dois, com conversas íntimas caracterizando a relação de amor e sexual. Elas foram lidas em audiência pública. Havia testemunhas de diversos locais, como servos, conhecidos que indicavam unanimemente que estavam apaixonados. Até mesmo a data provável da concepção do neném batia com o reencontro dos dois.  Em 1º de dezembro, o tribunal considerou-os culpados de todas as acusações e os sentenciou à morte.
Seu pai, Jean de Ravalet, pediu ao rei Henri IV no Louvre por um perdão. Henri era compreensivo, mas Lèfevre estava convencido de que a sentença seria cumprida. Henri rejeitou por fim os pedidos de clemência de Jean de Ravalet porque, como mulher casada, o crime de adultério de Marguerite e sua gravidez eram crimes contra Deus.  No dia seguinte, o casal de irmãos chegaram à Place de Grève para serem executados. Como de costume, seria em praça pública. E mesmo com apelo de muitas pessoas que acompanhava, Julien, com 21 anos e Marguerite aos 17, foram decapitados.

Henri fez uma concessão. Após a execução, seu pai recebeu os cadáveres de seus filhos. Eles não seriam exibidos nas forcas de Montfaucon como era costumeiro.

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