SUSPEITA (1941) - FILM REVIEW

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Vencedor de 10 Oscars, incluindo o de melhor filme, Suspeita, do mestre Alfred Hitchcock é lançado pela Classicline. Bom, 2 das três informações são verdadeiras. Um filme dirigido Hitchcock nunca foi agraciado com tantos Oscars. Muito menos ele, que nunca venceu nenhum. "Suspeito" nem fez feio, pois concorreu a melhor filme, mas perdeu. No ano tinha Cidadão Kane então não seria mesmo justo ele vencer. Kane é um filme mais importante. Bom, para quem não sabe, venceu Como era verde meu vale. 

Minha pequena brincadeira ilustra apenas a falta de visão do Oscar. A própria ideia de premiar um filme como melhor do ano é subjetiva. Depende de opiniões, lobby e contexto (e exigência) social. Ou seja, raramente verão o "melhor" filme do ano premiado, porque ele não existe. Seria melhor talvez premiar filmes do passado, como mais importantes ou influenciadores. Afinal, muito colecionador por ai dá total importância aos vencedores, esquecendo dos que concorrem, que na maioria das vezes são melhores.


Joan Fontaine ganhou um Oscar de Melhor Atriz por este filme. Mas muitos especialistas acham que ela venceu porque não ganhou no ano anterior, quando foi indicada para Rebecca, uma Mulher Inesquecível (1940). Esta forma compensatória do Oscar é outra "mania" de Hollywood, pensando que estão, assim, corrigindo injustiças. 

Suspeita é mais uma tacada de gênio do Hitch. No filme, Lina McLaidlaw (Joan Fontaine), é uma moça rica e tímida que se apaixona pelo malandro Johnnie Aysgarth (Cary Grant), um playboy que vive apostando com o dinheiro dos amigos. Os dois se casam, mas logo após a lua de mel Lina começa a conhecer a verdadeira personalidade de Johnnie e passa a desconfiar que o marido é um assassino que fará dela sua próxima vítima.

Originalmente, o filme foi concebido como um filme B, e seriam estrelados por  George Sanders e Anne Shirley . Laurence Olivier e Frances Dee foram as primeiras escolhas de Sir Alfred Hitchcock para interpretar Johnnie e Lina. Cary Grant sempre foi temperamental e invejoso no set, especialmente quando ele percebeu que a protagonista era favorecida pelo diretor. Além do ciúmes, ele não digeriu bem não ter sido a primeira opção para interpretar Johnnie. 


Cary Grant ficou tão descontente com sua experiência com o diretor durante a produção, que jurou publicamente nunca mais trabalhar com Hitchcock. O racha entre ator e diretor durou pouco, e três filmes se seguiram: Interlúdio (1946), Ladrão de Casaca (1955) e Intriga Internacional (1959). Sobrou então para Joan, que para "piorar" roubou os holofotes vencendo o Oscar.

Adaptação do romance "Before The Fact", de Anthony Berkeley sob o pseudônimo "Francis Iles". Os produtores não permitiram que o final do livro fosse reproduzido fielmente no filme. Cary Grant deveria preservar sua figura de mocinho e o desfecho original era trágico demais segundo eles. A solução não foi rápida e a dúvida permaneceu já com as filmagens iniciadas. Muito se cogitou e escreveu até que o fim satisfatório para ambas as partes - diretor e produtores, fosse finalmente encontrado.

Sir Alfred Hitchcock originalmente queria que Johnnie fosse culpado, mas o estúdio insistiu que o público não aceitaria Cary Grant como um assassino. O final original de Hitchcock  (e do livro) seria Johnnie matando Lina envenenada com leite.  A teoria é que o Código Hays não deixaria o filme terminar com o que teria sido essencialmente o suicídio de Lina forçando Hitchcock a inventar outra coisa.


Em entrevistas, Alfred disse que um executivo da RKO ordenou que todas as cenas em que Cary Grant parecesse ameaçador fossem retiradas do filme. Quando o corte foi concluído, o filme durou apenas cinquenta e cinco minutos. As cenas foram restauradas mais tarde, disse Hitchcock, porque ele gravou cada frame para que houvesse apenas uma maneira de editá-los juntos corretamente.

Ao contrário do romance, este filme foca muito mais na psicologia de Lina. Por exemplo, a cena do anagrama não está no romance. Outro exemplo é onde a atmosfera fica muito escura quando Lina chega à casa depois de visitar a terra que Johnnie e Beaky decidiram para a sua corporação. Quando Lina descobre que Beaky está vivo, a atmosfera se torna brilhante e alegre, enquanto "Viena Blood Waltz" está tocando no fundo. Ao contrário do livro, este filme também se concentra no conflito interno de Lina. Outro exemplo: a cena em que Lina fala com o retrato de seu pai: "Ele não foi a Paris. Ele não foi a Paris, eu lhe digo". Ao contrário do romance, o foco do filme no lado psicológico de Lina torna mais ambíguo o fato de Johnnie ser um assassino.

Existem muitas diferenças entre o filme e o romance. A infidelidade de Johnnie Aysgarth não aparece neste filme; a melhor amiga de Lina, com quem Johnnie tem um caso, não aparece; No romance, a empregada Ella tem um filho ilegítimo de Johnnie.


Hitch sempre foi um sábio marqueteiro. Por exemplo,  Joan Fontaine  narra o trailer na tela e fala diretamente para o público. Este filme marcou o primeiro filme de Sir Alfred Hitchcock como produtor, bem como diretor, depois que o produtor original, Harry E. Edington foi demitido.


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