O ZUMBI (1933) - FILM REVIEW

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O professor e egiptólogo Henry Morlant (Boris Karloff) acha que uma joia antiga  que em teoria dará poderes de rejuvenescimento se for oferecida ao deus Anúbis. Mas quando Morlant morre, seu assistente Laing (Ernest Thesiger) rouba a joia.  Morlant assim retorna dos mortos  para se vingar.

O filme se baseia no romance de Frank King, que posteriormente virou uma peça, dele mesmo com Leonard J. Hines. O filme foi produzido pela lendária Gaumont British Picture Corporation e lançado no Reino Unido em meados de 1933 e nos EUA um anos depois. A GBPC era controlada pela Gaumont e fundada em 1912 em Londres pelo inventor francês Léon Gaumont. Em 1922, a empresa se tornou independente, de propriedade britânica e em 1927 adquiriu a Gainsborough Pictures. Sócio fundador da Gainsborough (antiga Victory Motion Pictures), Michael Balcon foi encarregado dos dois estúdios, atribuindo a eles filmes de prestígio da Gaumont e com preço popular.


A produção é importantíssima por diversos aspectos. Este foi o primeiro filme de terror britânico da era do som. Foi o primeiro longa-metragem britânico de Karloff . Quando Boris viajou para a Inglaterra para filmar a obra, foi a primeira vez em quase vinte e cinco anos que ele retornou ao seu país de origem e se reuniu com os membros sobreviventes de sua família.  Foi a estréia nos cinemas  Ralph Richardson (Nigel Hartley).

Embora Boris Karloff tenha recebido o melhor salário, seu tempo real em cena é menor que o do elenco de apoio. Além disso, ele não tem nenhum diálogo após sua cena de abertura. Curiosamente, em A Casa Sinistra (1932), Karloff interpretou o mordomo de Ernest Thesiger . Neste filme, Thesiger interpretou o mordomo de Karloff.

Filme perdido

Filmes podem ser perdidos por inúmeras razões. Um dos grandes fatores era o uso comum de filmes de nitrato até o começo dos anos 1950. Este tipo de filme é altamente inflamável. Dá para imaginar que houve diversos incêndios devastadores, tais como o da Universal Pictures em 1924, da Fox em 1937 e o da MGM em 1967 . Cópias de filmes em preto e branco julgadas, às vezes, inúteis, eram incineradas para salvar o valor das escassas partículas de prata encontradas em suas emulsões. Filmes mudos em particular eram vistos como não tendo mais valor comercial e eram simplesmente jogados fora para ter mais espaço de armazenamento. E "The ghoul" estava nesta estatística.


O colecionador William K. Everson localizou uma cópia legendada em 1969, na Checoslováquia.  Esta impressão foi uma versão editada com legendas que estava em más condições e continha várias emendas. Ela tinha basicamente 8 minutos de filmagens a menos.  Everson fez uma cópia de 16mm e durante anos disponibilizou-o para exibições. Uma das mais marcantes foi uma sessão tripla, incluindo ele, O Homem Gorila, com Bela Lugosi e  O monstro do circo, com Lon Chaney. 

"Nigel Hartley : Por acaso eu fiquei na vizinhança e, ao saber da doença do seu senhor, tomei a liberdade de telefonar. Como ele esta noite?
Laing : Ele nunca verá a manhã. "

No início dos anos 80, enquanto os homens estavam limpando um depósito de filmes abandonado da Shepperton Studios, na Inglaterra, que tinham, basicamente,  cenários antigos e outros resíduos e detritos, encontraram uma porta trancada bloqueada por madeira empilhada. Atrás da porta havia um cofre de filmes abandonado desde meados da década de 1930. Foi limpo, e entre as muitas latas de filme antigos, estava este filme em perfeitas condições. O British Film Institute adquiriu cópias e finalmente, a versão completa foi ao ar no Canal 4 do  Reino Unido em 1984.


Na década de 1960, o produtor Alex Gordon abordou Boris Karloff sobre a reconstrução desse filme, imaginando que como Karloff já estava com setenta anos, poderia desempenhar o papel sem a pesada idade que ele usara em 1933. Mas o remake projetado não deu certo. Ao invés dele, saiu What a Carve Up!,  dirigido por Pat Jackson e estrelado por Sid James, Kenneth Connor e Shirley Eaton. Foi lançado nos EUA em 1962 como No Place Like Homicide. 

A produção

As filmagens começaram no Lime Grove Studios, no subúrbio de Shepherd's Bush, no oeste de Londres. O produtor confiou a direção do projeto a um americano, Thomas Hayes Hunter. O sucessor de DW Griffith como diretor na Biograph Studios nasceu na Filadélfia e veio para a Inglaterra em 1927 .Michael Balcon (o produtor) completou sua equipe com alemães. O diretor de fotografia, Gnther Krampf, serviu como operador de câmera no set de Nosferatu de FW Murnau (1922) e filmou a Caixa de Pandora de GW Pabst (1929). Krampf teve bastante dificuldade na Grã-Bretanha, onde a mise-en-scne e a iluminação eram superficiais.


O diretor de arte Alfred Junge tinha começado na UFA trabalhando sob o comando de Paul Leni em Gabinete das figuras de Cera (1924). Embora pouco se lembre do maquiador Heinrich Heitfeld, que fez apenas 9 filmes, suas horrendas aplicações em Karloff foram em grande parte responsáveis pelo sucesso do filme.

Obra imperdível.


Obras-Primas do Cinema lançou BORIS KARLOFF. Edição especial em digipak com quatro filmes acomodados em 2 DVD’s de um dos grandes ícones do terror clássico! Todos em versões remasterizadas e mais de 30 minutos de vídeos extras sobre os filmes “Corredores de Sangue e The Haunted Strangler”! Edição limitada com 4 cards!

Disco 01:

O Zumbi (The Ghoul, 1933, 1.33:1, 80min)
Direção: T. Hayes Hunter. Outras estrelas: Cedric Hardwicke, Ernest Thesiger

U+21F0.gif Sinopse:

Professor Morlant, um egiptólogo, é obcecado pelos poderes dos antigos deuses do Egito. Em seu leito de morte, ele ordena para que seu serviçal coloque uma joia sagrada em sua mão, prevenindo-o de que, caso ela seja removida dali, ele se transformará num zumbi assassino.

Corredores de Sangue (Corridors of Blood, 1958, 1.33:1, 86min)
Direção: Robert Day. Outras estrelas: Betta St. John, Christopher Lee

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Em 1840, o doutor Thomas Bolton luta pelo o uso de anestesia nas cirurgias, mas ele mesmo se vê viciado.


Disco 02:

The Haunted Strangler (Grip of the Strangler, 1958, 1,33:1, 78min)
Direção: Robert Day. Outras estrelas: Anthony Dawson, Jean Kent

U+21F0.gif Sinopse:

Um investigador a procura de um conhecido serial killer enforcado há 20 anos, aparentemente torna-se possuído pelo falecido estrangulador.

Morte Para Um Monstro (Die, Monster, Die!, 1965, 2.35:1, 80min)
Direção: Daniel Haller. Outras estrelas: Nick Adams, Freda Jackson

U+21F0.gif Sinopse:

Um jovem visita a propriedade do pai de sua noiva e descobre que o homem acabou de encontrar um meteorito que emite raios de radiação que transformaram as plantas de sua estufa. Quando a esposa do cientista é vítima desse misterioso poder, o velho assume a tarefa de destruir o objeto brilhante. Baseado no conto "A Cor que Veio do Espaço", de H.P. Lovecraft.


U+21F0.gif Extras:

Entrevista com o diretor Robert Day e os atores Francis Matthews e Yvonne Romain (14 minutos)
Entrevista com Robert Day, o roteirista Jan Read e os atores Jean Kent e Vera Day (12 minutos)
Cenas deletadas de Corredores de Sangue (3 minutos)
Trailer de Corredores de Sangue (2 minutos)
Trailer de The Haunted Strangler (2 minutos)
"Close Your Eyes" – Videoclipe especial utilizando cenas do filme Santa Sangre. (5 minutos)

U+21F0.gif Informações Técnicas:

Título: Boris Karloff
País de Produção: Inglaterra - Estados Unidos
Ano de Produção: 1933 - 1965
Gênero: Horror - Sci-Fi
Direção: T. Hayes Hunter; Robert Day; Daniel Haller.
Elenco: Christopher Lee, Cedric Hardwicke, Anthony Dawson, Nick Adams, Ernest Thesiger, Betta St. John, Jean Kent, Freda Jackson.
Áudio: Dolby Digital 2.0
Idioma: Inglês
Legendas: Português - Inglês
Duração Aproximada: 324 minutos
Região: Aberto para todas as zonas (Livre)
Formato de Tela: 1.33:1 - 2.35:1
Cor: Colorido e Preto e Branco
Classificação Indicativa: 14 Anos, Contém: Violência e Conflito.




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