CANDYMAN DE CLIVE BARKER - BOOK REVIEW

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The Forbidden é um dos contos mais marcantes da aclamada série Books of Blood de Barker.   Nele ´você será apresentado a Candyman, que se tornaria um dos personagens mais marcantes do cinema de horror da história, ainda que tenha tido apenas duas continuações e nenhum remake. Se pensarmos a quantidade de vezes que vimos Jason, Freddy Krugger ou Michael Myers nas telonas (ou telinha), chega ser um descaso. 

No conto, Helen é uma fotógrafa que estuda pichações urbanas para uma tese acadêmica . Mas sua busca e curiosidade faz ela não só adentrar num mundo obscuro em meio a prédios sombrios e marginalizados em um conjunto habitacional,  mas também a leva para um destino inesperado (pelo menos para ela), porque o leitor, julgando sua atitude corajosa, já espera o pior.  Helen se vê fascinada pela estética anti-social daquele universo, e sua obsessão a coloca em contato com uma residente da propriedade, uma jovem mãe, Ann-Marie, que conta a ela sobre pichações  com spray em alguns dos apartamentos vazios e abandonados. 


Ao chegar lá,  encontra um mural (replicado no filme) que parece estar fora da mistura usual de obscenidades e assinaturas: usando a porta ... como uma boca, o artista pintou uma cabeça enorme,  acompanhada por várias referências à doces.   Logo ela fica sabendo de assassinatos que ocorrem na propriedade. Aparentemente, um homem com um gancho faz o serviço. E assim Helen é atraída para um mundo de lendas urbanas, tornado terrivelmente real quando o jovem filho de Ann-Marie é encontrado com a garganta cortada. Pouco depois, encontramos a entidade. 

"They will say that I have shed innocent blood. What's blood for, if not for shedding?"

O livro é curto, de fácil leitura e guarda diferenças, como usual, para o filme levado aos cinemas pelas mãos de Bernard Rose.  Para começar,  Candyman  era na verdade um cara caucasiano com longos cabelos loiros e pele incrivelmente pálida. Outra diferença era o traje: no filme, ele usa um longo sobretudo, enquanto no livro ele está vestido com uma roupa colorida,ridicularizada inclusive pela personagem no livro.  Mesmo com alterações pontuais, todas as outras características do Candyman foram preservadas, como um tronco infestado de abelhas  e um gancho em uma das mãos. O livro também acontece em uma área marginal na Inglaterra, e não em Chicago, o que é provavelmente direcionou a mudança de etnia. 


Outra grande diferença está no filho de Anne-Marie. No livro, ela teve um bebê chamado Kerry, enquanto no filme esse personagem é dividido em dois diferentes: o bebê Anthony e um chamado Jake. Além disso, no livro, Kerry é morto por Candyman e seu cadáver colocado na fogueira, enquanto no filme Anthony só é sequestrado e escondido dentro da pilha de gravetos. 

O autor

Clive Barker nasceu em Liverpool no ano de 1952. Aos 21 anos, mudou-se para Londres, onde formou uma companhia de teatro para produzir peças que ele mesmo escrevia, e com apenas duas décadas de vida, já trabalhava como escritor, diretor e ator. Suas peças tinham em comum, elementos eróticos, fantásticos e assustadores, que mais tarde, seriam parte integrante do seu trabalho literário.

Em 1987, com a adaptação de duas histórias para o cinema, Rawhead Rex e Transmutations (ambas repugnadas pelo autor), ele decidiu dirigir uma de sua autoria. O resultado foi Hellraiser, baseado num romance chamado The Hellbound Heart. O filme foi tão bem recebido que imediatamente se expandiu em três sequências - Hellraiser 2: Renascido do Inferno, Hellraiser 3: Inferno na Terra e Hellraiser 4: A Herança Maldita - e em uma série de revistas em quadrinhos, bonecos e artigos relacionados à franquia. Depois, viriam mais quatro filmes (e a possibilidade de um remake), diminuindo o impacto dos personagens da franquia, mas imortalizando Pinhead na galeria dos grandes vilões do cinema. 


E como ele produziu também Candyman, pode-se cravar Clive como um dos principais nomes do horror do cinema, por conta destas duas pérolas indiscutíveis.


Título: Candyman
Autor: Clive Barker
Tradução: Eduardo Alves
Editora: Darkside Books
Ano: 2019
Páginas: 112







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