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    PLAYTIME: TEMPO DE DIVERSÃO (1967) - FILM REVIEW


    Obra prima

    Playtime é um dos maiores filmes do cinema. Tati fez a obra que quis, deixando o filme como legado de um cinema diferenciado, bem humorado e com uma cínica crítica social. A produção é única, quase um ponto fora da curva de Tati, já que seu cinema tendeu mais para Chaplin, com gags visuais. O filme é todo diferenciado. 

    Antes de filmar, Tati visitou cidades da Europa e América, em um esforço para entender os projetos arquitetônicos mais arrojados. Ele então tentou filmar em locações reais ao redor de Paris, mas logo ficou claro que seria impossível , e assim, construiu Tativille.

    Foi erguido um cenário gigantesco, quase uma cidade. Para tanto, centenas de trabalhadores de construção civil foram contratados para tornar real a ideia megalomaníaca de Tati. Na época de sua criação,  foi o filme mais caro da história da França. Tati filmou num enorme conjunto fora de Paris que reproduziu um terminal aéreo, ruas da cidade, prédios altos, escritórios e uma rotatória. Caso parecido aconteceu com James Cameron, que construiu um Titanic para o filme de 1997. Só que a história financeira de ambos são opostas. Enquanto Titanic se tornou o filme mais rentável da história, Playtime quebrou o diretor Jacques Tati. Ainda que o filme tenha sido sucesso de crítica, o público não correspondeu, e o filme passou bem longe de se pagar.


    Crises orçamentárias e outros desastres estenderam o cronograma  por três anos. A produção foi de outubro de 1964 até outubro de 1967. A situação obrigou o diretor a contrair grandes empréstimos para cobrir custos de produção cada vez maiores. E como o filme dependia do visual e efeitos sonoros, Tati gravou em 70 mm de alta resolução com o máximo de detalhes imagináveis. O processo de edição durou quase um ano !!!

    Houve economias aqui e ali, claro. Para cortar custos da produção, manequins de papelão foram usados como figurantes no fundo de algumas imagens. Para dar vida a eles, os figurantes humanos interagiram com os de papelão. Tati também usou fotografias de pessoas em tamanho real. 

    Algumas das fachadas dos edifícios e o interior do conjunto de Orly eram fotografias gigantes. (as fotografias também tinham a vantagem de não refletir a câmera ou as luzes). Mas tudo é absolutamente funcional. Estradas, prédios, elevador, eletricidade... Outro fator curioso é a paleta de cores escolhida, com cores em tons de cinza, azul, preto e branco acinzentado, mostrando a frieza daquele universo.  


    Claro que se olharmos para trás, veremos claramente motivos para o fracasso. Primeiro, a insistência de realizar o filme em 70 mm limitou as exibições, já que o diretor não quis que o filme tivesse uma cópia de 35 mm, acessível a cinemas menores. A própria mudança no estilo do filme, já que o público foi esperando um filme estilo Férias do Sr. Hulot, e encontro um 2001, ou seja, um filme para ser interpretado, para ser entendido com revisões. Muitos não gostaram do enredo, quase sem personagens centrais onde o foco era o cenário e o que poderíamos extrair daquelas situações mostradas. 

    Jacques Tati afirmou que Playtime é exatamente o filme que ele queria fazer, enquanto que outros filmes que ele dirigiu, ele modificaria várias coisas. Sua duração é de 2 horas e 35 min, porém a cópia restaurada tinha em torno de 2 horas.

    O filme em Tativille

    Até a sinopse é complexa. O filme é estruturado em seis sequências, ligadas por dois personagens que repetidamente se encontram no decorrer de um dia: Barbara , uma jovem turista americana visitando Paris com um grupo composto principalmente de mulheres americanas de meia-idade, e Monsieur Hulot , um francês confuso. perdido na nova modernidade de Paris. 

    As sequências são as seguintes:
    O aeroporto:  grupo de turistas americanas chega ao ultramoderno e impessoal Aeroporto de Orly 
    Os Escritórios: M. Hulot chega a um dos prédios de vidro e aço para uma reunião importante, mas se perde em um labirinto de salas e escritórios 
    A exposição comercial: M. Hulot e as turistas americanas são apresentados aos mais recentes aparelhos modernos
    Os Apartamentos: quando a noite cai, M. Hulot encontra um velho amigo que o convida para seu apartamento escassamente mobiliado, ultramoderno e com fachada de vidro.
    O Jardim Real: no restaurante, Hulot se reúne com vários personagens que ele encontra periodicamente durante o dia, junto com alguns novos.
    O carrossel dos carros: Hulot compra para Barbara dois pequenos presentes como lembranças de Paris antes de sua partida.


    O filme é uma Torre de Babel, porém quase sem diálogos. Os personagens não se entendem e nós muito menos entendemos o que eles dizem. Se parece com um filme preto & branco, porém é colorido. Parece comédia, mas é muito mais que isto. E um filme que há muito a dizer nas linhas não ditas e nas entrelinhas escondidas, merece total atenção.

    É uma produção feita para o público observar o mundo em que vivemos, contemplar a beleza de tudo e tentar perceber a insanidade que pode trazer a modernização (isto nos anos 60, não esqueçam). Tati era um gênio e visionário, e Playtime é sua obra prima. Não é o filme mais fácil ou mais engraçado, mas certamente, é uma obra que vale a pena ver (e rever) antes de morrer.

    E o que aconteceu com Tativille?

    Acho que uma das primeiras coisas que veem à cabeça quando se fala de Playtime hoje é o que aconteceu com a cidade criada por Tati  (e projetado por Eugene Roman), afinal ele criou com a intenção que servisse de uma cidade cenográfica para futuros cineastas. Ele não se interessou em tornar o lugar habitável, que era perfeitamente possível. Ele queria um estúdio francês ali, para usar o espaço como conviesse. 


    Bom...isto não aconteceu, e nas palavras do próprio diretor, o lugar foi destruído, não restando um tijolo. Pelo menos, a obra filmada está intacta para ser revista quando quisermos.


    Obras-Primas do Cinema lançou “A OBRA COMPLETA DE JACQUES TATI”.  Diretor, escritor e ator, Jacques Tati está entre os mais queridos gênios da história da 7ª arte! Conhecido pela crítica como o comediante mais original que apareceu no cinema depois de Charles Chaplin. Tati criou um dos personagens mais queridos do cinema, o carismático e desajeitado "Sr. Hulot", sempre com o seu cachimbo e guarda-chuva, um símbolo encantador na humanidade que está perdida em uma era atual de constante modernização. Esta coleção reúne todos os seus longas e mais 7 curtas relacionados a ele, todos remasterizados e com MAIS DE 8 HORAS DE EXTRAS, com depoimentos, entrevistas e documentários. Edição limitada com 6 cards!


    Disco 01:

    Curtas-metragens: On demande une brute (1934); Gai dimanche (1935); Cuida da Tua Esquerda (1936); Escola de Carteiros (1947).

    Carrossel da Esperança (Jour de fête, 1.37:1, 1949, 87 min.)

    Uma vez a cada ano, uma feira traz atrações de cinema ambulante e música para um pequeno vilarejo, transformando a vida dos moradores e a rotina do lugar.

    Disco 02:

    As Férias do Senhor Hulot (Les vacances de Monsieur Hulot, 1.35:1, 1953, 100 min.)

    O desastrado Sr. Hulot passa férias num hotel próximo a um balneário francês, provocando a habitual onda de catástrofes encarada com estranheza e simpatia pelos outros hóspedes, burgueses em busca de descanso.

    Disco 03:

    Meu Tio (Mon oncle, 1.33:1, 1958, 116 min.)

    O humilde e atrapalhado Sr. Hulot é cunhado de um gerente de uma fábrica de plásticos, que vive em uma casa totalmente automatizada. Este arranja-lhe um emprego para que seu filho não cresça sob a influência do tio.

    Disco 04:

    Playtime - Tempo de Diversão (Playtime, 1.78:1, 1967, 124 min.)

    O senhor Hulot tem que se encontrar com um oficial americano em uma versão high-tech de Paris, mas acaba por se perder no meio do labirinto urbano que a moderna e fria arquitetura causou.

    O curta-metragem: Aula Noturna (Cours du soir, 1967).

    Tati ministra treinamento para executivos de uma grande empresa.

    Disco 05:

    As Aventuras de Sr. Hulot no Tráfego Louco (Trafic, 1.37:1, 1971, 95 min.)

    O senhor Hulot dirige seu carro de passeio pelo caminho de Paris a Amsterdã, de forma potencialmente desastrosa.

    Disco 06:

    Parada (Parade, 1.37:1, 1974, 90 min.)

    As aventuras de duas crianças por detrás da lona de um circo provinciano, entre saltimbancos, mágicos e espectadores encantados.

    O curta-metragem: Forza Bastia (Forza Bastia, 1978 - 2002).

    Um time da Córsega, chega à final da UEFA, o filme mostra a festa dos habitantes pelos olhos de Jacques Tati.

      U+21F0.gif Informações Técnicas:

      Título: A Obra Completa de Jacques Tati
      País de Produção: França - Itália - Suécia
      Ano de Produção: 1934 - 2002
      Gênero: Comédia
      Direção: Jacques Tati, Sophie Tatischeff.
      Elenco Principal:  Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Jean-Pierre Zola, Barbara Dennek, Marcel Fraval, Karl Kossmayer, Guy Decomble, Paul Frankeur, Micheline Rolla, Adrienne Servantie, Rita Maiden, Honoré Bostel, Pierre Bramma.
      Áudio: Dolby Digital 2.0
      Idioma: Francês
      Legendas: Português - Inglês
      Duração Aproximada: 756 minutos
      Região: Aberto para todas as zonas (Livre)
      Formato de Tela: 1.33:1 - 1.35:1 - 1.37:1 - 1.78:1
      Cor: Preto e Branco e Colorido
      Quantidade de Discos: 06
      Faixa Etária: Livre, adequado para todos os públicos.

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