MOBY DICK (1956) - FILM REVIEW


Moby Dick é afinal de contas uma história de obsessão. Várias vezes retratadas no cinema, mas nunca com o charme de um grande elenco sob o monstro John Huston no comando. Huston sempre quis levar aos cinemas  a história do capitão que perde a perna e vai com tudo atrás da baleia famosa. Ele leu o livro de Herman Melville quando tinha dezesseis anos e sonhara em fazer um filme dele assim que começou a dirigir O Falcão Maltês em 1941. Huston pensava em seu pai, Walter Huston, como Ahab. A dupla ficou consagrada em Tesouro de Sierra Madre. Com as ideias formadas para a produção, eis que Walter teve um repentino aneurisma, falecendo aos 67 anos, em 1950.

Durante uma das conhecidas festanças de Hollywood, Huston encontrou Gregory Peck e ali o convite foi feito. Mas Peck era visto com desconfiança para o papel....por ele mesmo. Mas como Peck era popular, a Warner apoiou a escolha do ator. Curiosamente, o filme não se saiu nada bem nas bilheterias na época do lançamento. Um dos motivos foi a suposta rejeição do público a Gregory Peck no papel de vilão. Até a época de sua morte o ator costumava dizer que não o listava entre seus trabalhos favoritos, especialmente por se considerar jovem demais para o papel. Mesmo com apenas 38 anos de idade, Gregory Peck teve a seriedade de tornar o capitão Ahab inspirador, ameaçador e aterrorizante”.


Houston we have a problem

As filmagens foram tensas. Um modelo de 27 metros da grande baleia branca foi construído por 30 mil dólares. Um rebocador puxou-o para o mar e, depois de dois takes, o cabo do reboque arrebentou e a baleia afundou rapidamente. Uma segunda baleia foi construída em uma barcaça, mas uma tempestade também a afundou sem deixar vestígios. Finalmente, uma terceira baleia foi construída e novamente o cabo de reboque arrebentou. Porém, com a garra (e desespero) Huston e membros da equipe, eles conseguiram reconectar o cabo arrebentado.

Claro que os problemas não pararam por ai.  Richard Basehart, que interpretou Ishmael, quebrou o pé pulando em uma baleeira; Leo Genn, o ator irlandês que fez o primeiro-ministro Starbuck, machucou seriamente as costas; Gregory Peck não apenas machucou a rótula com a perna de pau, como também quase perdeu a vida no mar por duas vezes. E para complicar mais um pouquinho, o lugar aonde filmavam  foi atingida por uma das maiores maiores temporadas de tempestades já ocorridas.

Walter Mirisch lembra que John Huston insistiu em filmar a bordo de um navio verdadeiro no mar. As condições do tempo fizeram com que o elenco e a equipe ficassem doentes, atrasando a produção e ultrapassando o orçamento em 4,5 milhões de dólares. 


Filmar no mar é sempre complicado

Steven Spielberg se inspirou em Moby Dick para estruturar seu clássico "Tubarão". No roteiro original, o personagem Peter Quint, o obcecado caçador de tubarões, seria apresentado ao público num cinema, assistindo ao filme Moby Dick ... e gargalhando (Peck vetou o uso das imagens por se sentir desconfortável com suas cenas no filme). Porém as filmagens de Tubarão foram um pesadelo. Spielberg mesmo disse que nunca mais filmaria no mar. Huston não pensava diferente.

Orson Welles, que faz uma participação especial como o Reverendo Mapple (cujo sermão ele mesmo escreveu), foi considerado para o papel de Capitão Ahab. Welles mais tarde usou o salário de sua participação especial para financiar sua própria produção teatral de Moby Dick , na qual Rod Steiger interpretou o capitão Ahab. A fotografia dessaturada em tons pastéis foi obtida através de um complexo processo pelo diretor de fotografia Oswald Morris. O efeito elimina boa parte do brilho e dos tons de azul do mar e do céu, mantendo a atmosfera do filme permanentemente melancólica e pesada.

Finis

Peck e Huston  planejavam levar outra obra de Mellville aos cinemas, porém devido ao baixo retorno de Moby Dick, não conseguiram o financiamento. E para dificultar mais, eles brigaram e não se falaram mais.


O Criador

O nova-iorquino Herman Melville nasceu em 1819. Começou a trabalhar cedo por necessidade devido à morte do seu pai, que havia falido. Melville foi de bancário a vendedor na loja de peles do irmão, passando por professor e colono. Em 1839, embarcou como camareiro em um navio que zarpava para Liver­pool. A viagem, angustiante foi mais tarde descrita no seu texto Redburn e ensinou a Herman o amor pelo mar. 2 anos depois, ele embarcou num navio baleeiro, que destinava-se ao continente sul americano. Porém, o autor e um amigo deixaram a embarcação, indo parar nas Ilhas Marquesas e lá viveu entre selvagens por meses.

Juntou-se a uma embarcação comercial australiana, mas abandonou novamente o navio por ocasião de um motim e foi preso no Taiti, acusado de deserção. Estes episódios serviram de inspiração para seu romance Typee e Moby Dick, que por incrível que pareça, foi um fracasso na época, sendo redescoberto um século depois do seu nascimento por historiadores. 

Após este período ele se casou e foi morar em Massachusetts. Lá se tornou vizinho e amigo de  Nathaniel Hawthorne, que era escritor. Os dois acabaram se "incentivando" nas produções literárias. Melville morreu em  setembro de 1891 sem ver sua obra reconhecida, ou mesmo seu talento, já que seu falecimento não foi publicado em nenhum jornal da época.


Além do livro

Adaptações costumam ser uma forma de expressão artística que agrada o público em geral e são em grande parte responsáveis pela popularização de muitas grandes obras. Ao longo dos anos, o romance de Melville foi adaptado para o cinema, rádio, teatro e televisão (vejam as principais versões para o cinema e tv aqui). A obra motivou o maior quadrinista da história, Will Eisner, a recriá-lo. No mundo da música, diversos artistas dedicaram-se a escrever canções baseadas nessa envolvente narrativa. Orson Wells encenou no teatro uma versão de Moby Dick (como dito acima, ele conseguiu financiamento com a participação no filme de John Huston), que apesar de ter sido filmada, é considerada hoje uma obra perdida.

Outra curiosidade fica para o campo da música. Quem já ouviu falar no cantor Moby? Ele é é um cantor, músico, DJ e fotógrafo americano. Algumas de suas músicas foram usadas de formas muito marcantes no cinema, em filmes famosos como Fogo contra fogo, A praia e os filmes do personagem Jason Bourne. 

Bom, seu nome nada mais é que Richard Melville Hall. Ele diz seu um parente distante do escritor. Verdade ou não, Moby é mais um importante tributo à obra inesquecível de Melville.


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