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    BOHEMIAN RHAPSODY (2018) - FILM REVIEW


    O filme sobre o grupo Queen é esperado há muitos anos. E quando assistimos à apresentação do grupo no Live Aid, na antológica cena que marcará o cinema para sempre, ficamos com várias sensações, e uma delas certamente, é a de que a espera valeu a pena. O filme não é só a jornada do Queen rumo ao sucesso, mas é também de Freddie rumo a auto descoberta e a auto destruição. São vários filmes num só, mas como algo em comum: paixão. Há paixão em cena. Paixão do personagem, do mito retratado, dos atores e da direção. Paixão esta que fica explícita na cena final, onde o diretor nos joga no show, como telespectadores (não só do filme). Nos sentimos lá, como se tivéssemos pago para estar ali, contemplando aquela força da natureza fazer exatamente o que foi criada para fazer: chegar, causar, marcar e partir. 

    Produção conturbada

    Digamos que a coisa começou errado, terminou errado, mas deu certo. O filme foi anunciado em 2010, mas sempre passando por mudanças, rumores e especulações. Chegou-se a duvidar que o filme sairia do papel. Sacha Baron Cohen era o nome para interpretar Freddie. Além de talentoso e  cantar bem como vimos em Sweeney Todd, ainda é a cópia do vocalista . 

    Mas em 2013, Cohen deixou o projeto por brigas e discussões por conta dos rumos da história. Especula-se que um dos principais motivos é o fato de que Cohen está associado à comédia, o que de fato é verdade. Como convidado no The Howard Stern Show, em março de 2016, Cohen falou sobre os desentendimentos com os membros da banda sobre o assunto e eventos do filme, em especial, se a história devia continuar após a morte de Mercury em 1991. Ele também mencionou desentendimentos artísticos com a banda sobre a composição da equipe de produção, referindo-se especificamente a Morgan, David Fincher e Tom Hooper.


    Mesmo caminho seguiu o ator Ben Whishaw e o diretor Dexter Fletcher (que também é um ator conhecido do público, com papéis como "Jogos, trapaças e dois canos fumegantes"). Foram ligados ao projeto em 2013, mas devido à diferenças criativas (que é a forma genérica de dizer que eles não se entenderam), eles saíram.  Dois anos depois, novos boatos que Cohen tinha voltado ao projeto e até mesmo Whishaw poderia retornar (talvez em outro papel).

    No mesmo ano,  Anthony McCarten (roteirista de A Teoria de Tudo) se juntou ao projeto, assim como foi definido o título: Bohemian Rhapsody, uma das várias músicas perfeitas do grupo. Somente um ano depois, Bryan Singer (diretor de X-men, Aprendiz) estava em negociações para assumir a direção e Rami Malek tinha sido escolhido para interpretar Mercury.

    Mike Myers foi contratado possivelmente por conta de "Quanto mais idiota melhor ", porque naquele filme, ele e seus amigos escutam a Bohemian Rhapsody numa das cenas mais marcantes do filme, e neste aqui, ele faz um produtor musical que desdenha a música da banda, dizendo que ela não seria música para...escutar com amigos num carro e sacudindo as cabeças. Fan service excelente...

    Mas a importância de Myers é maior que o "fan service". Lá nos anos 90, quando "Quanto mais idiota melhor" estava sendo produzido, ele brigou para colocar a música na cena, ameaçando inclusive a deixar o filme. Resultado:o sucesso do filme impulsionou o retorno da música às paradas de sucesso.  

    "The show must go on
      The show must go on, yeah
      Inside my heart is breaking
      My make up may be flaking
      But my smile
      Still stays on..."

    Uma réplica exata do Live Aid, festival feito no Estádio de Wembley, foi recriado perto de Hemel Hempstead, em Bovingdon, a cerca de 43 quilômetros de Londres, no condado de Hertfordshire. O palco do evento beneficente foi completamente recriado em um espaço aberto. A população local foi informada, antes do início das gravações, que o trânsito na cidade poderia sofrer um impacto, já que a previsão das autoridades seria de que um volume muito maior de carros e ônibus extras passariam a circular por lá. Cerca de 800 figurantes participaram da cena e foram filmados dançando, cantando e aproveitando o show. Durante a pós-produção, o departamento de efeitos especiais replicou o público digitalmente para parecer que aquelas oito centenas de pessoas eram, na verdade, 72 mil.


    Tudo ia bem até que em dezembro de 2017 a Fox interrompeu a produção devido ao abandono de Bryan Singer (que pode ter sido por problemas familiares, de saúde ou descontentamento com o filme). Mas o fato é que dias depois Singer foi demitido (faltando pouco para concluir o filme). E não é que  Dexter Fletcher foi anunciado como substituto de Singer...Neste vai e vem de atores, diretores e história, é incrível como tudo funciona bem nas telas.

    A voz

    Uma análise feita por pesquisadores austríacos, checos e suecos chegou a um resultado que qualquer fã do bom e velho rock'n'roll já sabe: Freddie Mercury, tinha uma voz incomparável Uma das coisas que o estudo comprovou era que Freddie não tinha uma extensão vocal que atingisse quatro oitavas, porém apresentou que ele era barítono ( voz masculina intermediária, que se encontra entre as extensões vocais de baixo e tenor), apesar de ser conhecido como um tenor.Foi descoberto, então, que suas pregas ventriculares vibravam junto com as pregas vocais, algo impensável para a maioria dos humanos. Além disso, as cordas vocais de Mercury vibravam mais rápido do que de outras pessoas. A onda causada pelo vibrato de Freddie era mais intensa do que a do cantor de ópera Luciano Pavarotti.


    No filme, Rami Malek canta sim em alguns momentos, e outros, Marc Martel, que já integrou uma banda cover do Queen, a Queen Extravaganza, originalmente formada após um concurso online que teve entre seus jurados os próprios Roger Taylor e Brian May. Isto é muito comum, até mesmo no Brasil. Há também músicas cantadas pelo próprio Freddie como a sequência da casa com a "Happy Birthday to me". Abaixo vejam o vídeo de Marc cantando...

    " I want to break free
      I want to break free
      I want to break free from your lies
      You're so self satisfied I don't need you
      I've got to break free
      God knows, God knows I want to break free.."

    A Rainha

    A homossexualidade de Freddie é tratada com perfeição. Não só pela sua jornada de auto descoberta, (afinal ele tinha um amor imenso por sua namorada), mas como a aceitação é tratada pelos pais de forma dura (até o momento redentor de um deles). A relação de Freddie com o namorado Jim Hutton, ainda que pouco explorada, extravasa carinho entre ambos, assim como sua namorada, que sempre soube que ele era gay, mas mesmo assim o aceitou...por amor.


    A imprensa, claro, faz piadas jocosas sempre que pode, mas todos, até o grupo, veem ali um ser mais que humano, uma força da natureza como eu disse acima, que merece ser perdoada pelos excessos cometidos nesta incessante e intensa viagem interior. Mercury foi um gênio, mas que definitivamente cometeu seus erros com vimos ao longo da projeção. Mas eventualmente são perdoados na sua colossal apresentação no Live Aid.

    Talvez o filme não seja tratado como obra prima. Mas certamente, o Queen de Freddy Mercury era.    

    Ficção vs Realidade

    Eu particularmente, sou daqueles telespectadores que assiste o filme e admira ou não o resultado, por ser impactado (ou não) por ele. Não me preocupo de forma nenhuma se retratam a realidade. Nem mesmo um documentário é imparcial. Para os fãs do grupo, que lotam as salas de cinema, certamente alguns pontos vão incomodar. 

    O texto abaixo, obviamente contem spoilers, mas mesmo assim, não comprometem a experiência do filme.

    Primeiramente, o Queen nunca se separou. O fato mostrado no cinema não aconteceu. No máximo uma pausa na carreira por conta do desgaste das turnês. Freddie gravou seu solo mesmo, mas outro integrante já havia feito anteriormente (Taylor) sem problemas. O fato provavelmente foi colocado no filme para dar maior carga dramática e aumentar a mitologia da banda no Live Aid, pois o retorno triunfal depois da separação foi no evento.

    A homossexualidade de Freddie é tratada de forma menos enfática. Mas no caso, achei bem positivo o foco ser na relação com Mary, pois há toda uma carga dramática sendo construída para a derrocada do de Freddie. Todas as dúvidas pertinentes à época, bem como os intensos discursos preconceituosos, que só não era maior por conta de sua genialidade. No filme é mostrado que ele "sai" do armário de forma reclusa, através de escapadas e festas de arromba. O próprio Jim Hutton, que na produção é um garçom que ele encontra casualmente numa flertada, na realidade eles se cruzaram numa balada gay, porém Hutton estava acompanhado. O filme optou por minimizar a participação daquele que foi seu companheiro nos piores momentos, mas se olharmos o resultado, e o que o diretor quis mostrar, ele não teve intensão de explorar a doença de Freddie, mas os fatores que o levaram ao sucesso e a sua morte. O filme também deixa de lado a relação de Freddie com a atriz Barbara Valentin, que foi bem longa.


    A relação com Mary Austin começou de forma bem diferente da mostrada na produção. Em Bohemian Rhapsosy eles se conhecem no primeiro dia de banda, antes de se chamar "Queen". Na realidade, ela era namorada de Brian May no ano anterior. Mercury inclusive pediu autorização ao colega de banda antes de se envolver com May.

    Ray Foster ( Mike Myers) é um vilão caricato, daqueles que adoramos rir da desgraça quando não aposta numa banda que sabemos que dará certo. O filme ri disto e faz piada como eu disse acima. Ele porém não existiu, sendo baseado no empresário da EMI, Roy Featherstone,  que foi contra Bohemian Rhapsody da forma que é mostrada no filme, por conta da duração. Mas apenas isto, ele não achava a música ruim e era fã da banda.

    Há mudanças pontuais também, com relação a concepção de músicas ou momento que elas saíram, mas isto representa um ponto menor em relação às grandes mudanças na trama. O filme também mistura eventos, como no Live Aid ele ainda não sabia do diagnóstico de HIV (e no filme, ele já sabia há tempos) . Quando ele vê pela TV o Rock in Rio com sua namorada Mary é outro exemplo. Eles tinham terminado anos antes.

    Outro fato diferente foi o ano da entrada de John Deacon. No filme ele entra logo no primeiro show, mas na realidade, foi um ano após a primeira formação e o Queen testar alguns baixistas.



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