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    CARL GOTTLIEB - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


    Carl Gottlieb é um roteirista americano, ator, comediante e executivo. Ele é provavelmente mais conhecido por roteirizar junto com Peter Benchley o filme "Tubarão" e suas duas primeiras sequências, além de dirigir o cult de 1981, de baixo orçamento "Homem das cavernas" com o beatle Ringo Starr. .
    Tubarão é um daqueles filmes que moldaram história. Custou 9 milhões e rendeu quase 500 (em 1975 !!!). Acumula recordes até hoje. Foi o filme que catapultou Spielberg para o lugar que ele merece estar até hoje. E é o filme que mais assisti na vida (248 vezes até aqui). Então esta talvez seja minha entrevista mais pessoal. Confiram como foi.

    1.Como você entrou no negócio de filmes? E quando cresceu seu interesse em roteiro?

    C.G.:Como muitas pessoas, eu mergulhei nisso como resultado de outros textos que estava fazendo na época. Eu estava em Hollywood, escrevendo e atuando em televisão com variedades. Eu tinha amigos no ramo do cinema, e um deles (Steven Spielberg) me pediu para olhar para um roteiro que ele estava preparando. Eu tinha sido pago para escrever vários roteiros na época, então o modelo não era novo para mim."Tubarão" era interessante, havia uma ponta para  eu atuar, então aceitei o trabalho em curto prazo, e o resto apenas fluiu. Eu não tive uma"luz" sobre o filme e como seria um sucesso, apenas uma coisa levou a outra, e eu era sabia o que estava fazendo.




    2. Como você se envolveu no roteiro de JAWS?

    C.G.:Steven me enviou o roteiro de  Howard Sackler para ler. Ele também me queria no filme como Meadows. Steven me queria para improvisar um pouco de humor, fornecer algum naturalismo e ajudar as pessoas da cidade que ele estava lançando no filme. Quando eu soube que iria me envolver no filme, li o livro e achei que era uma boa leitura para entreter num dia na praia. Achei que  roteiro de Sackler melhorou o livro em algumas áreas, mas foi deficiente em outras. Eu tive muitos pensamentos sobre como consertar o roteiro e os coloquei em um memorando que Steven deu aos produtores. Todos nos sentamos e conversamos. Eu recebi o mínimo do escritor com uma garantia de uma semana. Transformou-se em doze semanas!



    3.Eu assisti "Tubarão" 248 vezes,(acredito que é um recorde). É um dos filmes da minha vida... Qual foi a cena que mais gostou de escrever?

    C.G.:Eu costumo favorecer cenas que são longas no diálogo: aquela Sra. Kintner na praia, ou depois de matarem o tubarão errado, aquela do confronto entre Hooper e o Prefeito Vaughn no local do outdoor, e claro, a cena abaixo no convés da Orca na qual os homens comparam cicatrizes e na sequência, Quint fala o memorável monólogo “Indianópolis”.
    Mas cara, 248 vezes? Você gostou mesmo do filme...

    M.V.:Demais...



    4.Você ficou impressionado com o grande magnetismo entre Richard Dreyfuss, Roy Scheider e Robert Shaw? Eu acho que é um dos melhores elencos de todos os tempos.

    C.G.:Um dos milagres do filme é que a química entre os atores principais se adequava à química entre os personagens fictícios. Eles tinham algumas das mesmas peculiaridades
    e desde que eu estava escrevendo para esses atores específicos eu estava escrevendo atitudes que já estavam meio no lugar. Eu poderia amplificá-las e escrever para os pontos fortes dos atores. A grande química dos atores é um daqueles acidentes inefáveis ​​que você realmente não pode controlar. Você espera e reza para que isso aconteça e no "Tubarão" tivemos esta sorte.



    5. Como foram as experiências de fazer o Tubarão 2 ? Foi o mesmo entusiasmo?

    C.G.:Eles se meteram em problemas para escrever as sequências e me ligaram. Eu estava feliz em fazê-las e me pagaram bastante. Eu acho que eu fiz um trabalho muito profissional, dado o que eu tinha que trabalhar. O Tubarão 2 foi em seu tempo uma das sequências de maior sucesso do cinema e eu estou muito orgulhoso disso. O truque de ter as crianças em veleiros foi uma ótima ideia e fiquei muito feliz porque eu tive esta luz! Lembro-me de Scheider odiar ter que fazer o filme, mas ele era o único ator que tinha uma cláusula de sequência em seu contrato.



    6.Agora, falando de cinema em geral. Quais são os filmes que mais gosta? Tubarão é um deles?

    C.G.:Bom, eu não assisto muitos filmes, mas certamente, não colocaria nenhum filme meu numa lista. Soaria tendencioso. De qualquer forma, não sou adepto a listas.



    7.Como o roteirista de sucesso que você é, se você pudesse dar algum tipo de conselho para as pessoas que estão te lendo neste momento, qual seria?

    C.G.:Atenção caros escritores: Você ficará desapontado, desencantado e frustrado por toda a sua carreira, mesmo que tenha a sorte de realmente ter um roteiro produzido. Suas chances de ter mais de um filme são pequenas, apesar de seus talentos e habilidades. E provavelmente, você estará simplesmente desempregado como escritor muito mais do que trabalhará, a menos que encontre o caminho para uma série televisiva de sucesso, que é onde o melhor trabalho está sendo feito atualmente.


    Há menos de 650 escritores em toda a América do Norte que realmente ganham dinheiro escrevendo roteiros, produzidos ou não. A melhor escrita dramática e cômica que está sendo feita hoje é na televisão, não na telona. Pode-se supor que é porque na televisão, o escritor é rei. Nos filmes, por razões históricas que nada têm a ver com talento, o diretor é Deus-Rei, e isso pode ter alguma relação com a falta de reconhecimento. Diretores não são autores, Autores são Auteurs (procure em seu dicionário ). Os diretores são os artistas indispensáveis ​​que dão vida ao roteiro, são os colaboradores mais importantes no processo de criação de filmes e são “artistas de interpretação”, como maestros de orquestra. Os escritores são "artistas da criação original", sem eles não há nada. Alguns dos melhores filmes foram feitos por escritores e diretores trabalhando juntos para realizar uma visão comum.

    M.V.:Obrigado. Foi uma honra.


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