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    STEVE CARVER - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


    A entrevista é com Steve Carver, mas preciso falar algo sobre mim primeiro. Nasci em 1976 e portanto, minha gênese cinéfila veio nos anos 80, principalmente em 1988. Neste ano, em particular, comecei acompanhar as sessões de cinema na tv com mais assiduidade, como Tela Quente, Cinema em Casa, Super Cine, Sessão das Dez, Sessão de Gala, Corujão...E nesta época conheci Chuck Norris. Mas precisamente, McQuade, o Lobo Solitário.

    O filme, antológica incursão nos westerns de forma Tarantinesca, me marcou para sempre. Inclusive revi nesta semana e não entendo como ele não é citado insistentemente como filme homenagem ao western como fazem com Tarantino (e alguns dos seus filmes). Dentro do gênero, uma obra prima. Mas, claro, um filme com Chuck Norris não pode ser chamado assim né? Bom..o filme é magnífico.

    Continuando, pode-se dizer que "zerei a vida" por ter conseguido entrevistar Steve Carver. Imaginem...eu. Um pobre coitado cinéfilo que aprendia a amar o cinema láaa em 1988, quase 30 anos depois, entrevistei o diretor de um dos meus filmes favoritos?

    Pois é...não parou por ai. O cara não é só o diretor norte americano mais simpático que conversei, como ele ainda me mandou 3 fotos do filme !! Autografadas !!! (Fiz uma montagem delas abaixo).


    Pensa que acabou? Não. Em 1989, Carver dirigiu um filme chamado O Rio da Morte, que é com o ator Michael Dudikoff, que por sua vez, atuou em American Ninja, um dos meus Guilty Pleasures  favoritos (confiram a lista aqui). E não é que Carver me passou o telefone de Dudikoff?
    Zerei a vida...

    Confiram abaixo a entrevista com este diretor simpático, atencioso e super gente fina. 
    Boa leitura..

    1.Como começou a trabalhar na Indústria Cinematográfica?

    S.C.: Comecei minha educação formal em arte na cidade de Nova York. Depois de obter diplomas em artes plásticas e trabalhar como jornalista, liguei o foco de meus esforços criativos para filmes. Em 1970, fui aceito como aluno do American Film Institute e mudei para Los Angeles, Califórnia, para estudar cinema, uma progressão lógica do meu interesse em contar histórias.
    Através do programa de aprendizado na AFI e na Directors Guild, ganhei emprego como assistente de direção e desenvolvi uma aptidão técnica para o artesanato, que fiz um bom uso da minha visão criativa desenvolvida através da fotografia. Como resultado, preenchi a lacuna na indústria do cinema recebendo minhas primeiras atribuições de filmes do produtor Roger Corman. Meu trabalho em sua empresa me estabeleceu como diretor de longa-metragem e, durante quase 30 anos, me concentrei em uma carreira como diretor e fiz filmes para cinema e TV com locações nas Américas, Europa, Ásia e África, tanto para empresas independentes quanto para grandes estúdios.



    2.Qual a experiência em sua vida dedicada à arte que você nunca esqueceu?

    S.C.:Como artista e fotógrafo de arte, minha ambição sempre foi criar um trabalho excepcional e provocativo que oferecesse novas interpretações de temas culturais. Em 1995, motivado pelo desejo de tirar uma pausa do cinema e procurar refinar minha visão artística, voltei minha atenção para um tipo diferente de desafio criativo, na esperança de que isso proporcionasse um caminho para uma auto-realização mais profunda. Com minha paixão pela fotografia em preto e branco, construí um laboratório tradicional  e comecei uma jornada experimental adentrando no século XIX. Eu adaptei minhas habilidades para explorar os processos químicos iniciais enquanto englobava novas tecnologias para estimular a diversidade no meu trabalho.

    A pesquisa e a experimentação produziram um labirinto de informações que semeou a produção de fotografias perspicazes de excepcional profundidade e qualidade como meio de expressão. Fortemente influenciada pela fotografia de Edward Sheriff Curtis, criei um corpo de trabalho que é considerado entre as mais altas conquistas da minha carreira.



    3.Na sua opinião, qual trabalho que realizou para o cinema considera o melhor?

    S.C.:Como diretor, contribui com muitos elementos criativos para cada cena, trabalhando com equipes talentosas, refinando o roteiro antes da gravação principal, supervisionando posições c e ensaios, encenação, planejando a ação, além de dar comandos e sugestões ao longo da gravação e edição.  Dependendo do script e dos elementos necessários para fazer o filme , minha visão artística desempenhou um papel importante na caracterização do filme como um todo. Meu melhor trabalho é quando eu seleciono e oriento todo o processo, configurando-o ao longo da rota necessária. para conseguir, o mais próximo possível, do que os produtores e o estúdio haviam imaginado como um produto comercial. Não precisa ser um ótimo filme, mas se conseguir manter o interesse do espectador e os retornos financeiros, eu considero o meu melhor trabalho.



    Sobre a esta questão (da sua pergunta), ouvi muitos diretores fazerem comentários de que seus filmes eram como crianças, e eles amam todos. De certa forma, é verdade. Desde o início da pré-produção, eu gastei o que parecia uma eternidade na produção e na concretização, enfrentando uma infinidade de problemas todos os dias, acabando finalmente, já estressado, quando o corte do filme foi concluído e entregue ao produtor e ao estúdio. Eu sempre acreditei que o verdadeiro desafio em fazer um filme é convencer o telespectador a crer naquele projeto nos primeiros momentos do filme . E dali, manter uma a narrativa  alinhada para gerar emoção a eles. E se a produção foi feita no tempo e no orçamento, e o se o filme foi bem na bilheteria, eu considero isso uma realização fenomenal. Como tive a sorte de ter acontecido com frequência, abracei uma verdadeira satisfação em todos os meus filmes.



    4."Maquade - o Lobo solitário" se tornou um Cult Movie. Na minha opinião, o melhor filme que dirigiu e o melhor da carreira de Chuck Norris. Você pode me dizer algumas curiosidades sobre essa produção? Como foi trabalhar com ele?

    S.C.:Conheci Chuck Norris quando eu dirigi "Olho por Olho". Ele esteve durante vários anos em filmes que foram considerados filmes chop-socky (expressão americana de filmes com cortes) para o público de ação. Ele era um cara enérgico e simpático que queria ser como John Wayne, com uma personalidade  durona e com suas habilidades de karatê, que lhe permitia grandes movimentos corporais. Como resultado de nossa relação do trabalho, ofereci-lhe o papel principal em "Maquade - o Lobo solitário" . Ele seria  um guarda Texas Ranger moderno que trabalha sozinho, gosta de armas, lida com justiça no local e quase nunca diz nada .


    Ele nasceu para o papel, tanto que depois a  CBC levou-o para estrelar uma série televisiva que se tornou bem popular. Interessante que o personagem não era difícil, mas Chuck tinha presença de cena, estilo e energia. Ele se colocou no centro do filme (não esquecer que tinha o David Carradine,  que fazia o mafioso criminoso local e mestre de karatê). Chuck era um herói perfeito. A cena final é antológica. Os dois se enfrentando, trocando socos e chutes reais. Você consegue perceber que eles não se gostavam dentro e fora das telas. Chuck ainda passa por aquele turbilhão e permanece intocado. Como uma estrela de cinema, real e carismática.


    5.Agora sobre cinema em geral. Quais filmes marcaram sua vida? Existe alguma lista especial, tipo os 10 +?

    S.C.:Poderoso chefão, Três homens em conflito,  Era uma vez no Oeste, Meu ódio será tua herança, Caçadores da arca perdida, Laranja Mecânica, O Sol é para todos, Lawrence da Arábia, O Tesouro da Serra Madre, 2001: uma odisseia do espaço, Duro de matar, Chinatown, A mulher faz o homem, A ponte do rio Kwai, Blade Runner, Rebeldia indomável, O grande Lebowski, Butch Cassidy, Ben-Hur, Tubarão, O Discurso do rei, Matar ou morrer, Forrest Gump, Lista de Schindler, Gladiador, Resgate do soldado Ryan, Coração valente, À espera de um milagre, Jurassic Park, E.T. o Extra-terrestre, 12 homens e uma sentença, Onde os fracos não tem vez, Janela indiscreta e  Operação frança.



    6.Fale um pouco sobre seus próximos projetos.

    S.C.: Atualmente, estou trabalhando em um livro de fotografia intitulado "UNSUNG HEROES & VILLAINS OF THE SILVER SCREEN". O livro  contará com retratos de alguns dos atores de personagens mais respeitados e lembrados de Hollywood, muitos conhecidos dos filmes do Western. O propósito deste livro é o primeiro a celebrar alguns personagens de grandes atores  que são  heróis desconhecidos da cultura popular e, em segundo lugar, capturar a história  associada a luz da mitologia  que os grandes westerns nos proporcionaram.


    O livro servirá como um recurso importante na história do cinema americano para as gerações futuras e se tornará uma referência  para aqueles que gostam de westerns ou gostam de ler sobre os atores coadjuvantes mais amados de Hollywood. Despertará as memórias nos corações das pessoas e também apresentará à aqueles que não tiveram o benefício de conhecer esses maravilhosos heróis e vilões do cinema.


    7.E se pudesse deixar uma lição deste tempo dedicado à arte, qual seria?

    S.C.: Eu acredito que os filme tem um poder dinâmico para mudar e ensinar. Eu acredito  também que suas lições visuais podem cativar o público, permanecer na própria consciência do pensamento e potencialmente traduzir para a ação. No entanto, eu  faço filmes principalmente para as pessoas que vão aos cinemas puramente para entretenimento. Por puro prazer de escapar momentaneamente das pressões e do estresse no trabalho e no lar. Mais do que a história e os personagens sozinhos, acredito que o que faz do cinema uma excelente experiência memorável são as fantasias que eles levam para casa para compartilhar e viver. Embora eu acredite que muitos temas e gêneros de filmes contemporâneos estão sendo criados para afetar as emoções do público e encorajar a correr riscos e alcançar coisas além de suas habilidades, existem filmes nos quais a história pode ser mais superficial, mas entregar uma mensagem subliminar que nos traça a inspiração para viver e sobreviver experiências, ou sentir e aceitar o amor, ou esclarecer os desafios do mundo real ou talvez encorajar a busca de algo sobre o qual você possa se tornar muito apaixonado. Em 1966, quando eu era um ansioso estudante de arte e fotografia , o "Blow-Up" de Antonioni teve esse efeito muito potente sobre mim.

    M.V.:Muito obrigado por tudo, meu amigo.


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