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    ERNST LUBITSCH - DIRETOR MAIS ELEGANTE E SOFISTICADO DE HOLLYWOOD


    Diz a lenda que Ernst Lubitsch nunca fez um filme ruim. "Lenda" esta criada por críticos que identificam em seus filmes uma perfeita harmonia entre direção, ritmo, história e atuações, fazendo filmes que miravam agradar o publico, o que ele fazia com maestria.Não importava o estilo dos filmes que ele realizava, pois o entretenimento era o alvo que ele mirava (e acertava na mosca).Aliando seu espírito europeu, tipicamente judaico-berlinense, a uma grande observação dos costumes dos Estados Unidos, Lubitsch criou um humor atrevido e malicioso, através de deliciosas ironias, subentendidos elegantes  e insinuações rápidas com a câmera, que ficaram conhecidos como o Lubitsch Touch.

    Ernst Lubitsch nasceu em Berlim no dia 29 de janeiro de 1892, filho de Simon Lubitsch e Anna Lindenstaedt. O pai, de origem russa, tinha uma loja de confecções na Schönhäuser Allee, que ficava a vinte minutos a pé da Alexanderplatz no centro da cidade. Aos 16 anos, apaixonado pelo teatro, o jovem Ernst deixou os estudos no Sophien-Gymnasium e o trabalho no estabelecimento paterno, travando amizade com o ator Victor Arnold, que lhe deu aulas de arte dramática e o levou aos palcos. Em 1911, com a ajuda de Arnold, Ernst ingressou no Deustches Theater, dirigido por Max Reinhardt, notável encenador austríaco, sob cuja orientação se formou a nata dos atores que despontariam depois nas telas germânicas: Emil Jannings, Paul Wegener, Werner Krauss, Conrad Veidt, Fritz Kortner, Gustav Grundgens, Heinrich George, etc. Além do aprendizado com Reinhardt, Ernst começou a atuar em cabarés, cantando e dançando, muito interessado em aprender tudo o que podia sobre a fascinante profissão de ator.

    Estreia no cinema como ator no curta Die ideale Gattin, uma produção da Deutsche Bioscop, com a qual colabora por um breve período. No ano seguinte, ele interpreta o papel principal em The Firm Gets Married, produzida pela Projektions AG Union, na qual atingiu a notoriedade. Ainda em 1914, Lubitsch participa de The Pride of the Firm, também sobre o meio da confecção, e se torna o orgulho da Union. Durante quatro anos, em período de guerra, ele fica conhecido como intérprete de tipos cômico-burlescos judeus, como o alfaiate trouxa e sortudo (Meyer) ou os caixeiros rústicos e ladinos (Moritz, Lachman), que acabavam conquistando a filha do patrão e entrando como sócios da firma. Porém surgiu um impasse: ele precisava escrever seus próprios roteiros.


    Começou dirigindo Fräulein Seinfenschaum (1914) e Aufs Eis geführt (1915), e seguiram-se filmes nos quais atuava apenas como ator ou acumulava outras funções, utilizando geralmente a atriz Ossi Oswalda, a “Mary Pickford da Alemanha” (alguns passaram no Brasil como A Primeira Bailarina / Das Mädel Vom Ballet / 1918). Seu maior triunfo neste período, Sapataria Pinkus (1916), marcou a primeira (das vinte e sete) colaborações com Hänns Kraly, responsável pelo roteiro juntamente com Schönfelder. Além de dirigir o filme, Lubitsch encarna o personagem Solomon (Sally) Pinkus, um estudante preguiçoso que prefere andar atrás das garotas, em vez de cumprir os deveres escolares. Expulso do colégio, vai trabalhar numa sapataria, onde seu fraco pelas mulheres quase lhe é fatal. Depois, conquista o coração de Melitta (Else Kenter), uma bailarina que lhe empresta dinheiro, para abrir a sua própria loja de calçados. Embora caracterizado com sendo estúpido, Pinkus tem a faculdade de se desvencilhar de qualquer situação: quando está metido numa encrenca, gesticula, persuade, justifica-se de tal maneira, que o opositor não tem outro remédio senão desculpar a falta.

    Um das boas comédias com Ossi Oswalda foi Não quero ser um homem (1918). No filme, Ossi goza os prazeres da vida, jogando cartas, fumando e bebendo – um  comportamento não condizente com uma dama segundo seu tio (Ferry Sikla), com quem mora. Aproveitando a ausência do tio, Ossi decide “viver como um homem”. Veste-se em conformidade e rapidamente descobre os inconvenientes de pertencer ao sexo masculino, por exemplo, quando não encontra lugar sentado num transporte público. Devidamente “travestida”, ela vai a um baile, onde encontra o Dr. Kersten (Kurt Götz), a quem o tio havia encarregado de cuidar dela. Sem se reconhecerem, os dois se entregam a excessos alcoólicos. A caminho de casa, eles se beijam – e não como amigos – várias vezes. No final, os dois se reconhecem e Ossi promete se comportar dali em diante com uma mulherzinha submissa.

    Ainda em 1918, Lubitsch realizou seu primeiro longa-metragem, Olhos da Múmia (veja aqui: FILME), aventura exótica melodramática, sobre uma dançarina de um templo egípcio, Ma (Pola Negri), que se apaixona por um pintor inglês, Alfred Wendland (Harry Liedtke), e é obsessivamente perseguida por Radu (Emil Jannings), um sacerdote fanático. Wendland casa-se com Ma e a leva para a Inglaterra mas Radu os persegue e a mata. O filme, com roteiro de Kraly e Emil Rameau, firmou a reputação de Lubitsch como diretor dramático e o revelou como aluno de Reinhardt, cujas revolucionárias invenções no teatro ele adaptou ao cinema. Esta produção impulsionou também a carreira alemã da atriz polonesa Pola Negri e proporcionou a Emil Jannings seu primeiro grande papel. 


    O próximo sucesso de Lubitsch foi no mesmo ano, Carmen (1918), produzido pela UFA e tendo no elenco Pola Negri (Carmen), Harry Liedtke (Don José Navarro), Magnus Stifter (Escamillo) e Paul Biensfeldt (Garcia), deu-lhe projeção internacional. A criação de Prosper Mérimée já fora levada à tela por Cecil B. DeMille (Geraldine Farrar) e Raoul Walsh (Theda Bara) mas estas versões,  ambas datadas de 1915, se inspiraram mais na ópera de Bizet. Somente a versão de Lubitsch narrava a história em retrospecto, tal como ocorria no original do escritor francês. Num acampamento, um viajante contava “a história de um homem enfeitiçado”.Reconstituindo a Espanha do começo do século XX, os cenários de Kurt Richter, executados por Karl Machus, ergueram-se com precisão realista no lote adjacente ao estúdio da UFA em Tempelhof e foram enquadrados pelo fotógrafo Alfred Hansen, que também servira a Lubitsch em  A Múmia. A composição de Pola Negri, sem glamour, se aproximava mais da cigana rude e relaxada de Mérimée, e assim foi aclamada como a “atriz número um da Alemanha”.

    Após a empreitada literária, Lubitsch voltou à comédia, fazendo mais filmes com Ossi Oswalda, entre os quais se destacaram Minha Mulher, Artista de Cinema (1919), sátira ao universo do Cinema e às suas estrelas e A Princesa das Ostras (1919), conto satírico e mordaz sobre os laços culturais entre Europa e América. No primeiro, Ossi interpreta uma diva do cinema temperamental. No segundo, ela faz a filha de um milionário ianque, conhecido como “O Rei das Ostras”. O pai quer casá-la com o Príncipe Nucki (Harry Liedtke) da tradicional aristocracia prussiana mas, por engano, Ossi confunde Nucki com seu criado Josef (Julius Falkenstein), que fora à mansão examinar as qualificações da pretendente, e se casa com ele com o nome de Nucki.  Quando Josef chega à fabulosa morada, dão-lhe um mapa para chegar até onde estavam a moça e o pai, e o criado dizia “Glukliche Reise”(Boa Viagem). O filme resumia tudo o que Lubitsch aprendera da arte da comédia (a sequência do foxtrote é inesquecível) e pressagiava o método usado com cintilante efeito em Hollywood. 

    Eis que em 1919 veio Madame DuBarry .O filme conta A história da amante do rei Luís XV da França, e seus amores em tempos da revolução francesa. Na mise-en-scène de Madame duBarry, o diretor denotava a influência de Max Reinhardt (preparo minucioso da decoração e do vestuário, arranjo coral dos figurantes, organização funcional do espaço) e expunha sua própria inventividade (máscaras e vinhetas na pontuação, distanciamento do modelo italiano). Para Lubitsch, a História servia apenas como pretexto para rodar obras suntuosas e ele a utilizou como pano de fundo para as intrigas de boudoir. Em Madame duBarry Lubitsch interpretou a Revolução Francesa como consequência de assuntos particulares da Corte de Louis XV. 

    No filme, Jeanne Vaubernier (Pola Negri) torna-se a Condessa du Barry, a preferida do Rei (Emil Jannings). Ela consegue libertar da prisão Armand de Foix (Harry Liedtke), seu amante, preso por matar um adversário em duelo, e ainda obtém que ele seja nomeado oficial da guarda real. Armand não simpatiza com o ambiente da Corte e toma parte numa conspiração chefiada pelo sapateiro Paillet (Alexander Ekert). O Rei é atacado de varíola. E Armand incita a multidão a assediar a Bastilha. Luis XV morre e Madame duBarry, expulsa da Corte, é levada a um tribunal revolucionário, presidido exatamente por Armand de Foix. Este procura salvá-la mas Paillet, sabedor da ligação entre ambos, manda assassinar Armand enquanto Du Barry é condenada à morte na guilhotina.


    Lubitsch modificou a história real (como se fosse dever dele retratar fielmente né?), e foi criticado, porém nos EUA ele foi visto como uma pessoa que humanizou a história. A First National, que comprara o filme,  após ele ter sido rejeitado por todas as demais companhias, protegeu seu investimento, renomeando-o de Passion e anunciando-o como “um espetáculo europeu”, sem a menor indicação dos nomes de Lubitsch e Jannings. Em Los Angeles, certas organizações, como a American Legion, tentaram bani-lo das telas. Entretanto, Passion foi um tremendo sucesso e este êxito impulsionaria a importação de outros filmes de Lubitsch como Ana Bolena que foi rebatizado de Deception, Carmen (Gypsy Blood), Sumurun (One Arabian Night) dentre outros.

    Ernst tamém fez  A Boneca do amor (1919), fantasia erótica que gira em torno de um herdeiro, Lancelot von Chanterelle (Hermann Timmig) que, para receber o legado, vê-se forçado a cumprir uma condição: casar. Quarenta jovens são apresentadas a Lancelot. Assustado com as formas bruscas do ataque feminino, o rapaz refugia-se num convento. Contornado o problema, ele pede a um fabricante de brinquedos, Hilarius (Victor Janson), que faça uma boneca de aparência real, para passar por sua noiva. A filha do fabricante, Ossi (Ossi Oswalda), quebra a boneca e toma o lugar dela. Em conivência com os monges, Lancelot leva-a ao convento e lá descobre a verdade. Nesta altura, estão apaixonados um pelo outro. Lubitsch considerava o filme um de seus mais imaginativos. Na cena de abertura, ele próprio aparecia, montando a miniatura do cenário, onde a ação se desenrola e, no transcorrer desta, ele usava toda sorte de truques de câmera, tela dividida, sobreimpressões, fotografia acelerada, múltipla exposição (havia uma tomada com doze imagens de bocas num só quadro) e cenografia estilizada, para extrair efeitos cômicos. A certa altura, Lancelot quebra a quarta parede, para se dirigir à plateia, tal como Maurice Chevalier faria nas futuras operetas do cineasta.


    O ano seguinte foi furtivo. Duas comédias bastante populares, As Filhas de Kohlhiesel com Henny Porten e Emil Jannings e Romeu e Julieta na Nevee com Lotte Neumann e Gustav von Wangenheim, variações em tom de farsa, respectivamente de A Megera Domada e Romeu e Julieta de Shakespeare, transportadas para as montanhas da Bavária, Lubitsch sentiu-se apto para abordar o gênero tão importante para o cinema alemão. Para as filmagens, a UFA mobilizou todos os recursos de que dispunha e com eles os cenógrafos Kurt Richter e Erno Metzner (com assessoria técnica de Kurt Waschneck) recriaram a paisagem de As Mil e Uma Noites em primorosos arabescos formais enquanto Sparkuhl forjava uma atmosfera de mistério. Josef von Sternberg elogiou a performance de Lubitsch e este, pela direção do filme, recebeu a denominação de “o Max Reinhardt do Cinema”.

    Não concretizado o projeto de Salomé, com Pola Negri, Lubitsch deu continuidade à série de superproduções como Ana Bolena, em 1920, cujos papéis centrais couberam a Henny Porten (Ana Bolena) e Emil Jannings (Henrique VIII). O filme mostrava a história de Ana, sobrinha do Duque de Norfolk (Ludwig Hartau), que entrara na Corte como dama de companhia da Rainha Catarina (Hedwig Pauli). No dia do aniversário da Rainha, o vestido de Ana fica preso numa porta. Henrique VIII observa o episódio e começa a cortejá-la. A princípio, ela se conserva fiel ao amigo de infância, Sir Henry Norris (Paul Hartmann) mas, quando Henrique lhe oferece a coroa, ela aceita. Catarina é contrária ao divórcio e o Papa se recusa a anular o casamento. Usando de todas as suas prerrogativas, o monarca elimina a oposição, proclama-se Chefe da Igreja Anglicana, e festeja pomposamente o matrimônio com Ana. O Rei espera um herdeiro porém, quando nasce uma menina, passa a se interessar por uma nova beldade, Jane Seymour (Aud Egede Nissen). Ana é acusada de adultério com Norris e o tribunal condena-a à morte. Enquanto ela sobe ao patíbulo, Henrique VIII prepara suas próximas bodas.

    Em Tempelhof foram construídas réplicas do Castelo de Windsor, da Torre de Londres, de Hampton Court e da Abadia de Westminster sob a meticulosa supervisão de Richter, e reunidos cinco mil figurantes, ultrapassando em grandiosidade as produções anteriores. Diante da esplêndida decoração e dos belos enquadramentos providenciados por Sparkuhl, os críticos exclamaram: “Lubitsch kann alles! (Lubitsch pode fazer qualquer coisa!). Entre grandes filmes, surgiu Gatinha selvagem (1921), sátira antimilitarista de humor grotesco, rodada em estilo expressionista, com cenários expressionistas cômicos e vestuários bizarros (de Ernst Stern), despontando no elenco Pola Negri, como Rischka, uma jovem criada nas montanhas balcânicas.


    O filme se passava numa fortaleza dos Alpes,  e mostrava o Comandante (Victor Janson) preocupado com a filha Lilli (Edith Meller), pois o informaram da vinda de um autêntico Don Juan, o tenente Alexis (Paul Heidemann), que já havia sido seu hóspede e seduzira todas as moças dos arredores. No caminho, Alexis encontra Rischka, filha do chefe dos bandoleiros, Claudius (Wilhelm Diegelmann), a quem chamam, de “A Gata Brava”. Claudius rouba Alexis, deixando-o praticamente despido e este, ao chegar ao seu destino, promove uma expedição punitiva contra os bandoleiros. Nos festejos da vitória, Alexis decide casar com Lilli e Rischka, aproveitando a euforia reinante, saqueia totalmente a fortaleza.

    Depois disto, o diretor fundou a sua própria companhia, Ernst Lubitsch-Film, e retornou à fantasia histórica, evocando o antigo Egito em Amores de Faraó (1922)  com a ajuda financeira da EFA (Europäische Film-Allianz) e uma companhia americano-germânica (Hamilton Theatrical Goup / Famous Players-Lasky / UFA); dos cenógrafos Kurt Richter e Ernst Stern; e dos fotógrafos Theodor Sparkuhl e Alfred Hansen. Como Pola Negri não estava disponível, o papel da bela escrava Theonis, por quem o Faraó Amenes (Emil Jannings) e o Rei da Etiópia, Samiak (Paul Wegener) travam uma guerra sangrenta, perdendo no final o objeto de suas paixões para o verdadeiro amor da jovem, Ramphis (Harry Liedtke),  coube à atriz vienense Dagny Servaes, também ex-aluna de Max Reinhardt. Sob o ponto de vista da técnica cinematográfica, o filme chegou a um ponto de perfeição semelhante aos filmes americanos daquele tempo. Lubitsch conduz o drama para um desenlace semelhante às tragédias gregas e às de Shakespeare. O faraó é humilhado pelo povo, que antes o temia, e morre de desgosto. Sua morte é complementada pelas mortes dos dois jovens amantes, Theonis e Ramphis, que são apedrejados pela multidão.

    I Believe in America

    No dia 24 de dezembro de 1921 Lubitsch chegou na América com Paul Davidson, para estudarem os métodos de produção  americanos. Na sua curta estadia, Lubitsch descobriu que, na América, o diretor de arte era menos importante que o fotógrafo. “Os fotógrafos americanos são os melhores do mundo”, ele comentaria em 1929. “Como os invejávamos na Alemanha. Eles sabiam uma coisa, que daríamos tudo para saber: como fotografar os atores sem que a maquilagem não aparecesse.” No seu retorno à Alemanha, Lubitsch casou-se com Irni (Helene) Kraus, uma viúva, cujo primeiro marido, um soldado alemão, morrera de gripe durante a Primeira Guerra Mundial, deixando-a com dois filhos pequenos, Edmund e Heinz.


    Lubitsch encerrou sua carreira alemã com A Modista de Montmartre (1923),  melodrama na Paris do fim-do-século, adaptado de um conto de Guy de Maupassant e com direção de arte de Ernst Stern e Kurt Richter. No filme, Yvette (Pola Negri) casa-se com um compositor, André (Hermann Thimig) mas não consegue se adaptar à vida burguêsa e se suicida, jogando-se pela janela.Enquanto o filme A Modista de Montmartre estava sendo feito, Lubitsch começou a construção de uma casa, que nunca seria habitada pelo seu dono porque, quando ela ficou pronta, ele estaria a caminho de Hollywood, com um contrato para dirigir a estrela mais famosa do mundo:  Mary Pickford Lubitsch dirigiu Pickford no filme Rosita, mas este foi o único filme que eles fizeram juntos. Lubitsch manteve a sua reputação através de sofisticadas comédias e com elegantes filmes elegantes como O círculo do casamento (1924), O Leque de Lady Windermere (1925) e So This Is Paris (1926), que alguns críticos consideram "So This is Paris" como o filme mais divertido feito por Lubitsch no seu período mudo.  Em 1928, quando o som chegou a Hollywood, Lubitsch juntou-se à Paramount Pictures.

    Os seus filmes da era do som são caracterizados por possuírem diálogos algumas vezes sarcásticos, outras vezes por situações cômicas bizarras. Mas mesmo tendo música, como na produção da Metro-Goldwyn-Mayer, A Viúva alegre (1934), ou sem ela, como nos filmes da Paramount, Uma hora contigo (1932) e Sócios no amor (1933), Lubitsch continuou a especializar-se em comédias sofisticadas. Em 1935 foi designado para gerir a produção de estúdio e como consequência, produzir os seus próprios filmes e supervisionar a produção de filmes de outros diretores. Em 1939, Lubitsch foi para a MGM e dirigiu Greta Garbo em Ninotchka, escrita por Billy Wilder, uma comédia satírica na qual a famosíssima cena do riso da atriz mal-humorada foi altamente divulgada pelos publicitários do estúdio com a manchete "Garbo ri!"


    Lubitsch continuou a sua carreira na 20th Century Fox, mas um problema de coração restringiu a sua atividade. O último filme feito pelo diretor com o seu inconfundível "toque" foi O Diabo disse não (1943), uma comédia elegante e irônica e novamente com a colaboração de Raphaelson. Em março de 1947 Ernst Lubitsch foi premiado com um Oscar por seus "25 anos de contribuição para o cinema". Ele morreu no final daquele mesmo ano em Hollywood de um ataque cardíaco, o sexto dele. Seu último filme, A Condessa se rende, com Betty Grable, foi terminado por Otto Preminger e lançado postumamente em 1948.

    No funeral de Lubitsch, o também diretor de cinema Billy Wilder disse tristemente, "Não mais Lubitsch", e William Wyler respondeu, "Pior que isso. Não mais os filmes de Lubitsch". Quase um diálogo cinematográfico, dito por dois gigantes do cinema. Foi verdade? Bom, como diria a frase do filme de John Ford: "Quando a lenda é mais interessante que a realidade , imprima-se a lenda".


    Obras-Primas do Cinema lançou, ERNST LUBITSCH. Um dos maiores nomes do cinema clássico, seus filmes lhe deram a reputação de diretor mais elegante e sofisticado de Hollywood, suas comédias tinham um certo nível de malícia e sexualidade. Como o seu prestígio cresceu, seus filmes foram promovidos por terem o famoso "Toque Lubitsch". Edição limitada em digipak especial com 2 DVD’s e 4 Cards!

    Disco 01:

    Sócios no Amor (Design for Living, 1933, 91 min.)
    Elenco Principal: Fredric March, Gary Cooper, Miriam Hopkins.

     Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932, 82 min.)
    Elenco Principal: Miriam Hopkins, Kay Francis, Herbert Marshall.


    Disco 02:

    A Oitava Esposa de Barba Azul (Bluebeard's Eighth Wife, 1938, 85 min.)
    Elenco Principal: Claudette Colbert, Gary Cooper, Edward Everett Horton.

    Madame Dubarry (Madame Dubarry, 1919, 114 min.)
    Elenco Principal: Pola Negri, Emil Jannings, Harry Liedtke.

    U+21F0.gif Extras:
    • Entrevista com Joseph McBride (22 minutos)
    • Introdução de Ladrão de Alcova (10 minutos)
    • The Clerk - Segmento dirigido por Lubitsch, estrelado por Charles Laughton (2 minutos)
    • Als Ich Tot War - Primeiro filme sobrevivente da filmografia de Lubitsch (37 minutos)

    U+21F0.gif Informações Técnicas:

    Título: Ernst Lubitsch
    País de Produção: Estados Unidos - Alemanha
    Ano de Produção: 1919 - 1938
    Gênero: Comédia - Drama - Romance
    Direção: Ernst Lubitsch.
    Elenco: Miriam Hopkins, Claudette Colbert, Gary Cooper, Fredric March, Pola Negri, Kay Francis, Emil Jannings, Herbert Marshall, Harry Liedtke, Edward Everett Horton.
    Áudio: Dolby Digital 2.0
    Idioma: Inglês
    Legendas: Português - Inglês.
    Duração Aproximada:  372 minutos
    Região: Aberto para todas as zonas (Livre)
    Formato de Tela: 1.33:1
    Cor: Preto e Branco
    Classificação Indicativa: 14 anos - Contém: Diálogo adulto; Consumo de bebidas alcoólicas.


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