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    MANHUNTER: O CAÇADOR DE ASSASSINOS (1986) - FILM REVIEW


    A Classicline disponibilizou no mercado de home vídeo o excelente "Caçador de assassinos", o filmaço dirigido pelo excepcional Michael Mann (de Fogo contra fogo, Inimigos públicos). Abaixo vamos falar um pouco sobre o autor, o personagem e o filme. 

    Antes da criatura....o criador

    Escritor norte-americano, Thomas Harris nasceu no ano de 1940, em Jackson, no estado do Mississípi. Muito cedo acompanhou a família na sua mudança para Rich, a terra natal do seu pai, que aí se pôde tornar agricultor.Atingindo a idade escolar, Thomas Harris frequentou as escolas locais até à conclusão dos seus estudos secundários, altura em que ingressou no curso de Estudos Ingleses da Universidade de Baylor, no estado do Texas. 

    Começou a trabalhar à noite como repórter ao serviço do periódico News Tribune afim de se sustentar. Deu também início a uma série de contribuições para revistas literárias, sob a forma de contos de carácter macabro. Obteve o seu diploma em 1964 e, como é tradição no seu país, empreendeu uma viagem pela Europa. De regresso aos Estados Unidos da América, preencheu o cargo de repórter de generalidades na agência noticiosa Associated Press de Nova Iorque. Teve portanto a oportunidade de tomar contacto com o submundo do crime e com mentalidades patológicas, onde aprendeu muito sobre o assunto. Contando inicialmente com a colaboração de dois colegas, terminou e publicou o seu primeiro romance em 1975, com o título Black Sunday. A obra contava a história de um grupo de terroristas islâmicos que planeiam um atentado, utilizando um dirigível publicitário para largar uma bomba sobre a assistência de um evento desportivo. Constituiu um sucesso e foi adaptada para o cinema, com o mesmo título, no ano de 1977. 

    Sempre preocupado com o realismo em suas obras, Thomas Harris passou os seis anos seguintes mergulhado em tarefas de investigação, culminando com o seu segundo romance, Dragão Vermelho (1981), e cujo enredo girava em torno de um agente do FBI que procura um assassino em série. Nesta obra apresentou a público a personagem que tornou-se célebre, um psiquiatra de nome Hannibal Lecter, que enlouquece e passa a matar seres humanos com requintes de crueldade.


    Hannubal deu as caras novamente no mais importante livro de Thomas, O Silêncio dos Inocentes (1988). Constituindo um sucesso de vendas a nível internacional, a obra relatava a investigação de uma agente federal que tenta seguir o encalço de um assassino alcunhado de Buffalo Bill, cuja mente hedionda faz com que mate raparigas e as esfole, com o intuito de talhar um casaco de pele humana. O livro foi adaptado para o cinema em 1991, com mesmo título, pela mão do realizador Jonathan Demme. O filme tornou-se bastante popular, tendo sido premiado com cinco Oscares da Academia de Cinema norte-americana.

    Depois da estrondosa crítica positiva, Thomas só voltou a escrever sobre a personagem em 1999, finalizando a trilogia com Hannibal. Contudo, mesmo com as histórias da personagem com a personalidade bem definida, ainda havia uma lacuna sobre a sua infância e criação para entender o porquê de toda perversidade. Por isso, em 2006, o jornalista publicou o precedente Hannibal – A Origem do Mal, findando assim, o ciclo de histórias envolvendo o personagem.

    Com o fim da sequência literária e cinematográfica, tudo indicava que Hannibal ficaria para trás. Entretanto, eis que a NBC surgiu com a série adaptada para a televisão, tendo como personagem principal o psiquiatra favorito do público e sua estranha amizade com o agente do FBI, Will Graham, presente no primeiro livro de Harris. A série durou três temporadas, e um sem número de fãs.

    A Criatura

    Harris criou um dos vilões mais inesquecíveis da história literária e cinematográfica. Mas sabiam que ele se inspirou em uma figura que existiu?

    O próprio Thomas  revelou que Hannibal Lecter foi criado a partir de um médico e assassino da vida real que conheceu ao visitar uma prisão mexicana na década de 1960. Aos vinte e três anos, durante a sua carreira jornalística, Thomas Harris foi enviado para uma prisão no México para entrevistar Dykes Askew Simmons, um doente mental que estava sob sentença de morte por ter matado três pessoas. Foi aqui que conheceu o ‘Doutor Salazar' que tinha salvado Simmons após este ter sido baleado durante uma tentativa de fuga da prisão, um ano antes. 


    O ‘Doutor Salazar' foi apresentado a Harris por um guarda prisional que não lhe disse, previamente, o passado do prisioneiro. O autor do vilão entrevistou o médico para saber mais acerca do tratamento dos ferimentos de bala que Simmons sofreu. No entanto, a entrevista tomou um rumo mais sombrio quando 'Salazar' começou a questionar o jornalista sobre a aparência desfigurada de Simmons, a natureza do tormento e as vítimas do assassino. Só quando o ex-jornalista acabou a entrevista é que o guarda prisional lhe contou que o médico era também um assassino. ‘Doutor Salazar' cumpriu 20 anos de prisão e foi a fonte de inspiração para a mais famosa criação de Thomas Harris.

    O filme

    Resumidamente, o filme conta a história do agente Will Graham (William Petersen), afastado do FBI por conta de um colapso nervoso. Porém ele é convocado novamente para auxiliar na captura de um perigoso serial killer que tem aterrorizado a cidade. Com especial habilidade em desvendar mentes criminosas, ele precisará contar também com as dicas do último homem que prendeu, responsável por provocar sua crise: o Dr. Hannibal (Brian Cox).

    O filme é baseado no primeiro livro de Thomas, "Dragão Vermelho" (Red Dragon) que por sua vez foi refilmado em 2002 por Brett Ratner. O filme teria o mesmo nome do livro (Dragão Vermelho), mas após o fracasso de O Ano do Dragão (1985), o produtor Dino De Laurentiis preferiu evitar a palavra.


    Michael Mann constrói a tensão através da cor, dos enquadramentos, da edição e do som com tal habilidade que seus atores podem privar-se de grandes emoções. Esta combinação é incomum, mas funciona soberbamente. Embora os personagens deste filme se envolvam em atividades extraordinárias, os desempenhos discretos os fazem parecer pessoas reais. 

    Mann busca fazer o espectador sentir as consequências de se perseguir um assassino em série numa corrida contra o tempo para se salvar vidas. William Petersen tem o olhar assombrado que provoca simpatia, bem como um toque de medo, na plateia. Petersen faz um trabalho espetacular em expressar pelo corpo sua condição mental que o domina. Nós sentimos sua instabilidade em parte pelo terrível perfil criado por Brian Cox. Manhunter é um filme subestimado que merece estar ao lado de seu irmão mais novo, O Silêncio dos Inocentes, como referência do gênero serial killer.


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