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    O MÉDICO E MONSTRO (1920) - FILM REVIEW


    As duas faces de um criminoso

    Alguns livros são como um pilar para o cinema, principalmente de horror. O médico e o monstro,  publicada originalmente em 1886, foi escrita pelo autor escocês Robert Louis Stevenson. Na narrativa, um advogado londrino chamado Gabriel John Utterson investiga estranhas ocorrências com seu velho amigo, Dr. Henry Jekyll, e o maligno Edward Hyde. O impacto do romance foi tal que se tornou parte do jargão inglês, com a expressão "Jekyll e Hyde" usada para indicar uma pessoa que age de forma moralmente diferente dependendo da situação.

    O livro, que tinha um nome um pouco maior do popularmente conhecido (Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde) foi um sucesso imediato e uma das obras mais vendidas de Stevenson. Adaptações teatrais começaram a ser encenadas em Londres um ano após seu lançamento, e a partir de então o livro inspirou a realização de diversos filmes e peças. (Confiram as versões para o cinema aqui).


    Até mesmo o aclamado autor de literatura de terror Stephen King considerou a obra como um dos três grandes clássicos do gênero, sendo os outros dois Frankenstein e Drácula.

    A trama do livro, resumidamente, começa quando Richard Enfield, em um passeio, conta a seu parente, o advogado Gabriel John Utterson, um estranho encontro com uma figura sinistra chamada Mr. Hyde. Utterson se preocupa, pois recentemente seu cliente, o respeitável médico Dr. Jekyll, tornou Hyde o beneficiário de seu testamento. O advogado consegue se encontrar com Hyde e fica impressionado com sua feiura. Após um jantar em casa de Jekyll, Utterson discute o assunto com o médico, mas este garante que está tudo sob controle e não precisa se preocupar.

    Um ano depois Hyde espanca um homem até a morte com uma bengala que Utterson presenteara a Jekyll. Acontecimentos estranhos se sucedem, culminando com a reclusão de Jekyll em seu laboratório. O mordomo pede socorro a Utterson, e os dois arrombam a porta do laboratório. Lá encontram o corpo de Hyde usando as roupas de Jekyll, e uma carta deste explicando todo o mistério.

    Jekyll, na tentativa de separar seu lado bom dos impulsos mais sombrios, descobre uma poção que o transforma periodicamente numa criatura sem quaisquer escrúpulos, Mr. Hyde. No início, Jekyll se deleita com a liberdade moral que tal ser possuía, mas com o tempo, o feitiço volta-se contra o feiticeiro, e ele perde o controle sobre as transformações. O estoque da poção se esgota, ele não consegue mais obter o ingrediente certo para recriá-la, e o médico sabe que da próxima vez em que se transformar no monstro não haverá mais volta.


    1920

    O Médico e o Monstro traz uma atuação antológica do grande ator John Barrymore.  Ele  mostra diante da câmera uma dualidade impressionante entre seus personagens Henry Jekyll e Edward Hyde. Usando mais do recurso da expressão facial e dos movimentos corporais, e dispensando quase que totalmente a maquiagem, Vemos uma grande diferença entre o contido doutor, atencioso com os pacientes  e o sinistro e sádico Hyde, uma figura extremamente perturbadora. 

    Mesmo sendo um filme mudo (muitos odeiam, pela falta de recursos), ele impressiona muito pela qualidade das atuações, pelos cenários, sombrios e úmidos  que representam a velha Londres, e pela música, que cria um clima de suspense e terror em toda a obra. Como o cinema não era desenvolvido na época (tinha apenas 25 anos), ainda não reinavam os CGI e os mega orçamentos. Sendo assim, os filmes se apoiavam nas interpretações e no clima das  histórias contadas.


    A cena em que Jekyll fica fascinado pela beleza da dançarina italiana Gina é um dos momentos mais marcantes de representação da mudança do comportamento e de pensamento do médico. Ele percebe, ao ver a mulher tão bela e sedutora, que dentro de si existem sentimentos, e que estes estão prestes a aflorarem, podendo causar resultados imprevisíveis para quem quase nunca os tinha sentido. Este comportamento, que irá se manifestar ao extremo quando Hyde tomar o controle, é o claro exemplo do poder das paixões da alma diante do ser humano. 

    E fica a grande reflexão, sobre o filme e a obra: somos todos médicos lutando para manter adormecidos os nossos monstros, ao passo que estes mesmos monstros querem tragar o que há de melhor em nós.

    Esta batalha, certamente findará com a derrota de um deles. E o vencedor será aquele que alimentar. Mas quem será?


    Obras-Primas do Cinema apresenta “Horror Mudo”. Edição com 2 DVD’s acomodado em um digipak especial. Reúne 4 dos maiores clássicos que influenciou o gênero horror! Edição com quase 1 hora de extras!

    E o filme Médico e o Monstro faz parte do pacote...A edição pode ser adquirida nas melhores lojas.


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