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    FEITO NA AMÉRICA (2017) - FILM REVIEW


    Não há dúvidas que Tom Cruise seja um dos maiores astros do cinema. Desde os anos 80, o ator consegue emplacar sucessos nas bilheterias mundiais. Nem mesmo sua crença na Cientologia ou seus problemas familiares, abalaram seu brilho. Hoje vamos falar de um ótimo filme, que está entre as melhores produções estreladas pelo ator. 

    A produção conta a história de Barry Seal (Tom Cruise), um piloto oportunista da Trans World Airlines, que é inesperadamente recrutado pela CIA para realizar uma das maiores operações secretas da história dos Estados Unidos. Mas uma reviravolta neste processo, traz tensão à sua empreitada.


    Adler Berriman Seal conseguiu a licença de voo  com somente 16 anos de idade. Depois de uma passagem pelo exército tornou-se num dos pilotos mais jovens da Trans World Airlines no final dos anos 60. Era um talento nato. O mergulho no mundo do tráfico de drogas começou uns 6 anos depois, usando os aviões que pilotava para transportar, por exemplo, cocaína ou  metaqualona (droga sedativa e hipnótica depressora do sistema nervoso central). Já nos anos 80 foi contactado por um dos irmãos Ochoa, passando a facilitar o transporte de drogas do Cartel de Medellín, na Colômbia, para os Estados Unidos. O cartel incluía Carlos Lehder, Gonzalo Rodríguez Gacha e ...Pablo Escobar. 


    Porém, Seal foi interceptado pelas autoridades em 1983, confessando tudo. Julgado, foi  condenado a 10 anos de prisão. Mas numa reviravolta tipo o filme "Prenda-me se for capaz" (que também foi baseado numa história real), acabou "aproveitado" pela CIA, que lhe deu uma chance (missão, traduzindo): espiar os sandinistas em Nicarágua. A administração de Ronald Reagan queria saber onde estavam os comunistas. O tiro saiu pela culatra, pois os eventos geraram uma série de descobertas do Caso Irã-Contras, no qual foi constatado que poderosos como os ex-presidentes Ronald Reagan e George H.W. Bush sabiam que a CIA acobertava o tráfico de armas para o Irã.

    À medida que se intensificava a polêmica em torno das drogas, a administração foi mudando de ideias (entenda-se, de direção). Barry começou a trabalhar para o DEA (Drug Enforcement Agency, agência de combate ao narcotráfico) e tornou-se “no mais importante delator da história da DEA”. Até que a imprensa (ou a CIA) puxou o tapete de Seal, revelando a sua identidade, tendo publicado a imagem que acabaria selando seu destino. Seal foi o autor da única prova concreta que ligou Pablo Escobar definitivamente ao tráfico de drogas.


    Tom Cruise alterna filmes de sucesso com filmes que se "pagam", sem perder qualidade. Mas curiosamente, os seus melhores filmes, não conseguem retorno expressivo. Talvez porque as pessoas esperam certas "características" dos personagens do ator, como heroísmo, aventureiro bom caráter. Mas quando seus personagens fogem disto, sendo melhores desenvolvidos, o público não comparece com a mesma assiduidade. E "Feito na América" está entre seus melhores filmes...

    Sob a direção de Doug Liman, que havia trabalhado com Cruise no ótimo "No limite do amanhã" (e que ganhará continuação em breve !!), Feito na América  tem um ritmo ágil, com uma narração em off do personagem principal direcionando o espectador, paralela a uma trama que percorre vários anos, sem se tornar cansativa ou confusa.


    O longa, marca mais um capítulo das famosas aventuras de Cruise como dublê. Dessa vez, a cena envolvia acionar o piloto automático num avião de pequeno porte enquanto descarregava a carga ilegal em pleno voo, sendo que ele era o único na aeronave. Inclusive, um episódio triste marcou a produção: O piloto e dublê Alan D. Purwin e seu co-piloto Carlos Berl faleceram durante um acidente de avião em 11 de setembro de 2015 (atentem para a coincidência: acidente de avião 11 de setembro !!!). A aeronave onde os dois estavam caiu próximo à Medellín, na Colômbia, sob intensa neblina. Minutos depois, o próprio Tom Cruise fazia a mesma rota que o avião em colapso, sem saber ainda do ocorrido.

    Um detalhe curioso, relaciona o filme ao nosso cinema. O diretor de fotografia, César Charlone. Apesar de uruguaio, ele reside no Brasil, e fez trabalhos como O Homem da Capa Preta (1986), Feliz Ano Velho (1987), Doida Demais (1989), Cidade de Deus (2002), O Jardineiro Fiel (2005) e Ensaio Sobre a Cegueira (2008). Ele também foi diretor, dentre outros trabalhos, da série 3%.


    A história de Barry Seal já foi mostrada anteriormente no filme A Vida Por um Fio – Entre a Lei e o Crime (1991), com Dennis Hooper fazendo o papel título. 

    Feito na América pegou carona no recente hype envolvendo o nome de Pablo Escobar. Foram feitos vários filmes, séries sobre o personagem ou relacionadas aos cartéis, além de vários documentários sobre o assunto sendo disponibilizados em streaming. E o público só ganhou com isto, pois todos os produtos são de extrema qualidade. E o filme de Cruise está entre os melhores.

    O filme pode ser conferido na Goldflix



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