O SÉTIMO CÉU - DO CINEMA MUDO AO FALADO


A obras primas do cinema lançou "Sétimo céu", drama romântico adaptado pelo menos duas vezes, versões estas neste incrível lançamento, uma dirigida por Frank Borzage e outra por Henry King. Borzage era especialista de dramas românticos. Seu "Sétimo céu" é quase um melodrama de Douglas Sirk.

Existe uma diferença básica entre as duas produções: um é mudo, o outro não. E com isto, no filme mudo, havia a necessidade de maior ênfase na expressão corporal e facial, para que a audiência compreendesse melhor a representação. Isto causa certa estranheza nas plateias atuais, mas que favoreceu muito as comédias (a maioria dos grandes comediantes eram desta época), o fazia com que os dramas (como o sétimo céu) fossem preferencialmente baseados em peças teatrais, pois eles pegavam as referências do que fazer em cena e como aturar, de forma que a audiência entendesse cada expressão.

O público obviamente entendeu, tornando o filme a 13ª maior bilheteria do cinema mudo nos EUA, além do filme ter arrebatado alguns Oscars (Melhor atriz - Janet Gaynor; Melhor diretor - Frank Borzage; Melhor roteiro adaptado - Benjamin Glazer)

O céu de Borzage

O filme é baseado em uma das peças de teatro mais famosas da Broadway na década de 1920,  e conta a história  de Chico (Charles Farrell), que trabalha nos esgotos de Paris. Ele sonha conseguir um emprego melhor, assim como sonha em conhecer uma mulher com se case. E aparece Diane (Janet Gaynor), uma bela mulher que está sendo procurada pela polícia por crimes pequenos. Chico a ajuda a se esconder e logo os dois se apaixonam. Apesar das dificuldades, eles estão felizes e se casam, mas Chico é chamado para lutar na I Guerra Mundial. Por um mal entendido, chega a notícia de que ele teria morrido, fazendo com que ela entre em colapso, ao mesmo tempo em que Chico, vivo mas ferido e cego, precisa retornar para casa. 

Borzage consegue algumas cenas sensacionais. Achei interessante demais como cada tomada do filme pede James Stewart, mas ele só estará na segunda versão. O final do filme simboliza, não só que a luta nunca acabará, como é necessário amor para o fardo ficar mais leve.

O céu de King

Por outro lado, King faz o mesmo filme parecer diferente. Menos melodramático, não menos emocionante. King tinha mais ou menos a mesma experiência que Borzage, ambos realizando em torno de 100 filmes, sendo King um dos fundadores da Academia de Artes Cinematográficas (o Oscar). 

O filme conta a mesma história: um rapaz trabalhador nos esgotos de Paris, passa o tempo tentando mudar de vida e encontrar uma bela esposa, já começa a perder as esperanças e transformar-se em um cínico. Um dia resgata uma jovem da polícia e leva-a para viver com ele, em um pequeno apartamento situado no sétimo andar. 

Mas ele abre espaço para James Stewart, que é perfeito para o papel. Aliás, tanto ele quanto Henry serviram na segunda guerra.


Mas afinal, qual é melhor?

Bom, o segundo filme tem meia hora a menos, e é impressionante como faz diferença na tela. Menos informações limitaram a história. O famoso "menos é mais" aqui não funcionou. Por outro lado, a dupla King e Stewart é melhor. James tinha mais da aura do personagem central. Mas mesmo que Henry King tenha feito filmes melhores e mais importantes, esta história favorecia Borzage com relação ao estilo de direção. Borzage fez vários similares. Mas no final, quem ganha são os colecionadores, com esta edição maravilhosa que é um prato cheio para os cinéfilos e curiosos perceberem as diferenças e julgarem qual é o melhor.

Divirtam-se.

Informações Técnicas e da Coleção:

Título: O Sétimo Céu - Edição Especial de Colecionador

Título Original: 7th Heaven (1927), Seventh Heaven (1937)
País de Produção: Estados Unidos
Ano de Produção: 1927 - 1937
Gênero: Drama - Romance
Direção: Frank Borzage, Henry King
Elenco: Janet Gaynor, Charles Farrell, Simone Simon, James Stewart, Albert Gran, Jean Hersholt, David Butler, Gregory Ratoff.
Idioma: Mudo e Inglês
Legendas: Português – Inglês
Duração Aproximada: 216 minutos
Região: Aberto para todas as zonas (Livre)
Áudio: Dolby Digital 2.0
Vídeo: 1.33:1 – 1.37:1
Extras: Entrevista em áudio com o diretor Frank Borzage (27 minutos).

Trailer:

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