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    SUZANA UCHÔA ITIBERÊ - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS


    Jornalista, com mais de 20 anos de experiência, iniciou a carreira no jornal O Estado de S. Paulo e se especializou em Cinema na U.C.L.A. Trabalha na cobertura da área de Cultura e Entretenimento desde 1994, através da realização de reportagens, críticas e entrevistas nacionais e internacionais, para as mais importantes publicações do segmento. Além disso, tem marcante atuação na edição e coordenação de projetos editoriais.
    E hoje, é nossa vítima das 7 perguntas capitais. Confiram:

    1.Quando nasceu sua paixão pelo cinema? Existiu um momento que olhou para trás e pensou: "- Puxa, sou uma cinéfila !!!"

    S.U.I.:Acho que nasci cinéfila! Lembro que minha cama na infância tinha uma grade verde, com barrinhas de madeira. Antes de dormir eu apertava uma dessas barras para “escolher” o tipo de sonho que eu queria ter: aventura, comédia ou drama – terror não! Minha mãe me conta que quando ia me acordar, eu respondia “Só um minuto que meu filme está acabando” (vê se pode). Acho que era do tipo que sonhava acordada o tempo todo. Mais tarde, meu apelido na família virou Suzy Plim Plim, porque eu não saía da frente da TV, para ver os filmes da Sessão da Tarde. Plim Plim é o barulhinho da vinheta do comercial da Globo. Nas férias, assistia até aos filmes do Corujão, que passavam bem tarde.



    2.Quem gosta de filmes, sempre tem itens relacionados à 7ª arte em casa. Coleciona algo?

    S.U.I.:Sim! Tenho muitas biografias de astros e estrelas, livros teóricos sobre cinema e obras que inspiraram filmes. E também tenho uma coleção imensa da Revista SET, desde os tempos em que sonhava trabalhar lá. Fora a coleção da PREVIEW, claro! Mas há itens relacionados ao cinema espalhados por todo canto. Enquanto escrevo agora, estou olhando para uma mini estatueta de vidro amarelo com o formato do Kikito, que ganhei por ser júri de Curtas Nacionais no Festival de Gramado do ano passado.


    3.Existe uma lista (pelo menos uns 10 filmes) que marcaram sua vida? 

    S.U.I.:Com certeza vou deixar centenas de fora e vou me lembrar depois de ter enviado as respostas, mas vamos lá: E.T., Grease, Cinema Paradiso, A Profecia, Blade Runner, De Volta para o Futuro, Crepúsculo dos Deuses, Assim Caminha a Humanidade, A Felicidade Não Se Compra, Cidadão Kane, Tubarão. Que difícil, se começar a escrever títulos não paro mais....



    4.Você me parece ser uma cinéfila por prazer e por profissão. Lembro muito do seu tempo na Revista Set - Cinema & Vídeo (tenho quase todas as revistas aqui !). É editora-chefe da Revista Preview, que é a publicação mais importante do país relacionada ao cinema. Além disto escreve críticas, participa de festivais, faz entrevistas...Conte um pouco como foi sua trajetória até aqui.

    S.U.I.:Eu sempre soube que o cinema teria de fazer parte da minha vida de alguma forma, pois era uma paixão muito grande. Fiz o curso de Jornalismo pensando em unir o prazer de escrever e o amor pelo cinema. Comecei como estagiária no Estadão nas férias do primeiro ano de Faculdade, na PUC/SP. Meus primeiros passos foram no caderno Cidades, onde tive chefes que não esquecerei nunca – Paulo Campo Grande, que é um amor de pessoa, e a maravilhosa Cecilia Thompson, que foi uma professora e uma mãezona. Eu fazia atendimento ao leitor da seção São Paulo Reclama e tinha de reduzir cartas imensas de leitores. Parece bobo, mas ganhei uma habilidade de síntese muito grande por conta disso. Claro que já estava de olho no Caderno 2 e o Hamilton dos Santos me deu o primeiro livro para eu resenhar. Na faculdade, uma professora também comentou que gostava das minhas resenhas e a ideia de ser crítica floresceu a partir daí. Fiquei no Estadão por 6 anos e quando finalmente migrei para o C2, trabalhei como assistente do editor do Suplemento Cultura (publicado aos sábados e mais focado em literatura).


    O Caderno 2 já era o reduto do Merten (adoro!!!) e do Zanin e sabia que precisava me especializar se queria mesmo investir no cinema. Consegui que me demitissem para pegar o FGTS e fui estudar uma temporada na UCLA e no AFI, em Los Angeles. Foi uma imersão transformadora. Durante o dia, lia livros teóricos e assistia a todos os filmes possíveis (ficava pirada nas locadoras) e estudava cinema à noite. Já havia tentado trabalhar na SET na época do Estadão, mas foi só na volta de LA, com um portfólio melhor (fiz freelas para o Caderno, como a entrevista com o filho do Humphrey Bogart e o biógrafo de Tom Cruise) que a chance se concretizou.

    Para resumir, pois lá se vão mais de 20 anos, a SET me aproximou do universo da TV por assinatura, que estava começando. Fizemos um encarte, um guia de programação dos poucos canais que existiam, e acabei chamada para trabalhar na Editora Zem, com quem a Abril terceirizava a produção da Revista TVA. Fiquei 6 anos na redação, mas continuei colaboradora da SET. Mais tarde, saí da Zem, pois a Abril decidiu fazer ela mesma a Revista da TVA e fui junto. Pouco depois, pediram para eu abrir uma empresa e fazer a revista como terceirizada. Assim foi, até que dois anos depois decidiram levar a publicação de volta para a redação da Abril novamente. Como estava com meu segundo filho bebê, preferi me arriscar como freela para ter mais autonomia de horários.


    Continuei firme na SET e passei a colaborar com a Istoé Gente. Só que veio a crise, a Gente fechou, em seguida a SET fechou e decidimos (eu, Ricardo Matsumoto, Mariane Morisawa, Márcia Chicaoka) a correr contra o tempo e lançar a PREVIEW, pois não podíamos ficar sem uma revista de cinema. Isso foi em 2009 e estamos há 8 anos em uma estrada muito esburacada que é o nosso universo editorial. A PREVIEW é produção totalmente independente, então você já pode imaginar a dificuldade de sobreviver sem uma grande editora por trás. Não é fácil, mas a paixão pelo cinema ainda fala mais alto!


    5.Qual a experiência dentro do universo que trabalha que mais te marcou?

    S.U.I.:No quesito emoção, quando a Isabela Boscov, então editora da SET, apostou em mim e me chamou para trabalhar lá. Foi um sonho realizado e aquele foi um dos períodos mais felizes da minha vida. Imagina, de um lado a Isa, uma mestra, mulher admirável, visionária e adorável como pessoa também. Quem hoje daria Marilyn Monroe na capa de uma revista por conta de um perfil? Quem daria uma semana para uma repórter se debruçar sobre nomes como Alfred Hitchcock e John Wayne para fazer um perfil de 10/12 mil toques? A Isabela, só ela. Bons tempos... E, do outro lado, o Christian Peterman (meu querido, saudoso amigo) que era responsável pela seção de Home Video e com quem batia papos incríveis sobre cinema.

    No quesito desafio, fundar uma revista sem apoio nenhum, mas com muito amor e idealismo – e poder comemorar os 8 anos de existência. A número 100 será em dezembro.



    6.Fale um pouco sobre seus próximos projetos.

    S.U.I.:Meu sonho é ver a PREVIEW crescer, se fortalecer e ter recursos e estrutura para fazer um trabalho ainda melhor. Estou feito louca (as distribuidoras parceiras não aguentam mais meus pedidos de publicidade risos) em busca de apoio para poder sobreviver e investir mais no site (revistapreview.com.br), aumentar o número de páginas da revista, aumentar a redação (hoje trabalhamos no esquema de home office com equipe mínima), chamar um monte de gente boa para escrever em todas as nossas plataformas. São muitos os sonhos e curtos os recursos, mas não desisto fácil!





    7.E se pudesse deixar uma lição deste tempo que se dedica à arte, qual seria?

    S.U.I.:Muitas vezes desejei não ser tão apaixonada pelo cinema e pelo que faço. Eu amo profundamente tudo isso, mas é uma profissão muito mal remunerada e pouco valorizada. Sou idealista, mas apanho um bocado da vida por isso. São poucos os que acreditam em Cultura nesse País e é muito frustrante (para não dizer desesperadora) a falta de interesse de grandes empresas fora desse universo em apoiar projetos como a PREVIEW. Se não houver um ganho por trás (como desconto de impostos), a resposta é sempre não. O grupo IPIRANGA foi o único que nos deu apoio por acreditar no projeto. Não vou ficar de mi mi mi aqui, mas sem algumas distribuidoras parceiras (Paramount, Sony, Universal, Warner, Fox, Mares, Paris, Supo Mungam, Cineart, Downtown, Lume, Kinoplex e Imagem – faço questão de citar) já teríamos fechado.

    Então seria hipócrita se deixasse uma lição do tipo “Faça o que ama que vai dar tudo certo”. Não é bem assim. Meu conselho para quem está começando é ser muito pé no chão na hora de escolher uma profissão. Porque a gente pode ter paixões como hobby, e conseguir pagar as contas faz bem à saúde. Parece um pouquinho amargo, mas não dá para dourar a pílula nesse caso. É por amor ao cinema que eu continuo sonhando acordada. E se já realizei alguns sonhos, quem sabe não realizo mais esse: ver a PREVIEW prosperar.

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