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    SERÁ QUE ELE É? (1997) - FILM REVIEW


    A dura jornada de se reinventar

    Será que ele é?, filme dirigido pelo sempre inspirado Frank Oz, conta a história de um professor popular que vai se descobrindo gay. O filme, que é contado de forma bem divertida, discorre sobre um tema que muitas vezes é bem mais dramático.

    A sinopse do filme, lançado pela Classicline, é a seguinte: Quando o ator Cameron Drake (Matt Dillon) recebe um Oscar, agradece no discurso seu professor do secundário, dizendo que ele é gay em cadeia mundial de televisão. Na cidadezinha de Greenleaf, ao lado da noiva (Joan Cusack) e de casamento marcado para dali a dias, o professor Howard Brackett (Kevin Kline) tenta explicar que não é nada disso. O caso vira escândalo em todo o país. Então, chega à cidade um jornalista de televisão, sedento de uma reportagem exclusiva (Tom Selleck).


    A produção conta com um grande elenco, como citados na sinopse: Kevin Kline, vencedor do Oscar por "Um Peixe Chamado Wanda", e que inclusive emprestou a estatueta do Oscar para ser utilizada em uma das cenas; Joan Cusack, a irmã do também famoso John Cusack, Matt Dillon, que concorreu ao Oscar em 2006 por Crash; Tom Selleck, o eterno Magnum, que topou raspar o bigode para o papel; e alguns cameos de famosas como Glenn Close e Whoopi Goldberg; o filme conta ainda com a presença de Wilford Brimley, que fez vários papeis marcantes no cinema em filmes como Cocoon e Enigma do outro mundo; e a saudosa Debbie Reynolds, que faleceu recentemente, de forma inesperada, um dia depois da filha também perecer (para quem não sabe, ela é mãe da Princesa Leia, Carrie Fisher).


    O diretor Frank Oz é mega conhecido nos créditos da saga Star Wars, porém ele faz somente a voz de um dos personagens centrais: Yoda. Ele também dubla vários personagens nos filmes dos Muppets. Além de atuar, ele dirige, e faz sempre filmes bastante divertidos, como Os safados e Os picaretas.

    O tema do filme é a descoberta da homossexualidade e  as reações homofóbicas com relação a isto. 
    E afinal, o que é homofobia?

    Homofobia é o termo utilizado para designar uma espécie de medo irracional diante da homossexualidade ou da pessoa homossexual, colocando este em posição de inferioridade e utilizando-se, muitas vezes, para isso, de violência física e/ou verbal. 

    A palavra homofobia significa a repulsa ou o preconceito contra a homossexualidade e/ou o homossexual. Esse termo teria sido utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos em meados dos anos 70 e, a partir dos anos 90, teria sido difundido ao redor do mundo.  A palavra fobia denomina uma espécie de “medo irracional”, e o fato de ter sido empregada nesse sentido é motivo de discussão ainda entre alguns teóricos com relação ao emprego do termo. Assim, entende-se que não se deve resumir o conceito a esse significado.

    Podemos entender a homofobia, assim como as outras formas de preconceito, como uma atitude de colocar a outra pessoa, no caso, o homossexual, na condição de inferioridade, de anormalidade, baseada no domínio da lógica hétero normativa, ou seja, da heterossexualidade como padrão, norma. A homofobia é a expressão do que podemos chamar de hierarquização das sexualidades. Todavia, deve-se compreender a legitimidade da forma homossexual de expressão da sexualidade humana.

    No decorrer da história, inúmeras denominações foram usadas para identificar a homossexualidade, refletindo o caráter preconceituoso das sociedades que cunharam determinados termos, como: pecado mortal, perversão sexual, aberração. A homofobia implica ainda numa visão patológica da homossexualidade, submetida a olhares clínicos, terapias e tentativas de “cura", como aconteceu no caso recente em que a  Justiça Federal do Distrito Federal permitiu, em caráter liminar, que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes e possam fazer terapias de “reversão sexual” sem sofrer nenhum tipo de censura por parte do Conselho Federal de Psicologia (CFP). 

    Como podemos ver, é um tema espinhoso, mas que foi tratado muitas vezes com humor no cinema.

    Será que ele é?

    A produção é baseada num caso real. Sim. Tom Hanks, que interpretou um gay em Filadélfia, dirigido pelo também recém falecido Jonathan Demme, ao receber o Oscar, agradeceu foi um antigo professor, que como o personagem de Kline, que era gay. Claro que não houve a repercussão do filme, pois o professor era assumido. O que gera o reboliço no filme é que a cidade onde o professor trabalha não sabe, e como eu disse no título acima, nem Kline sabia. E isto às vésperas do seu casamento. Dá para imaginar a confusão que o evento causa na vida dele...


    O roteiro é divertido mas toca num ponto interessante: o preconceito com a homossexualidade. A falta de aceitação de todos, diante de aquela situação apresentada. Impressionante a sutileza com que a situação é mostrada. Brackett é gay desde o início do filme, porém não sabe (nem nós), e nem quer ser, mas o mais interessante é que ele demonstra uma enorme tendencia, e nós (e ele) vamos percebendo isto conforme o tempo passa.

    "Cusack e Kline receber várias indicações a prêmios importantes como Oscar (ela) e Globo de ouro (os dois)."

    O filme mostra a pressão que o homossexual sente, quando está "no armário". É só lembrar a reação dos pais, ao indagarem Beckett depois do anúncio fatídico no Oscar, ou os alunos que se dizem aliviados por ele não ser gay. Aos poucos, situações hilariantes vão sendo pontuadas, em que o personagem vai se "soltando" e ao mesmo tempo, tentando se conter e se comportar como homem.

    Kline é perfeito para o papel! Mas ele foi feito pensando para Steve Martin, que fez vários filmes com o diretor (fizeram Como Agarrar um Marido, A Pequena Loja dos Horrores, Os Safados e Os Picaretas). Alias, depois de saber disto, você consegue imaginar o filme todo com Steve Martin.


    Na produção há pelo menos quatro cenas antológicas: a primeira, a do beijo entre Kline e Selleck. A reação de Kline é impagável; a segunda cena, da dança. Atores (e atrizes) ganharam um Oscar fazendo menos que Kline faz em uma cena, dançando "I'll survive"; a cena com Joan Cusack no bar, tentando dormir com o primeiro que aparece, e este é logo o personagem de Tom Selleck, que também é gay; e por fim, a cena do anfiteatro, que remete à outra antológica, do filme Spartacus, de Kubrick.

    Ahh...e ainda encerra com "Macho man"

    Imperdível.


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    2 comentários:

    1. A cena do beijo é icônica!!!! E amo quando a personagem de Joan Cusack sai do bar, vestida de noiva, gritando estar vivendo um episódio de Além da Imaginação

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