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    O GOLEM (1920) - FILM REVIEW


    O Golem

    A obras primas do cinema nos prestou um favor de lançar um dos mais importantes filmes do cinema: O golem, de 1920, dirigido pela dupla Carl Boese e Paul Wegener (que faz o Golem, inclusive).

    Abaixo, vou falar do filme e do mito do Golem. Para quem não conhece a história, ela se passa numa comunidade judaica na cidade de Praga, que é ameaçada por um decreto do imperador. O respeitado Rabbi Loew, conhecido por ser um poderoso feiticeiro, recorre à antiga magia para dar vida à criatura Golem, na tentativa de salvar seu povo da desgraça.Para realizar seu feito, Loew recorre às forças das trevas. Na ânsia de realizar a magia, ignora os riscos de se lidar com forças tão instáveis. Consegue dar vida á sua criatura. Realizado o feito, segue com ela até o palácio do imperador. Busca impressionar monarca e convencê-lo a voltar atrás em seu decreto.


    O Mito

    A palavra golem na Bíblia serve para se referir a um embrião ou substância incompleta: o Salmo 139:16 usa a palavra gal'mi, significando "minha substância ainda informe".As primeiras histórias de golems são mais antigas que o judaísmo. Adão é descrito no Talmud (Tratado Sanhedrin 38b) inicialmente criado como um golem quando seu pó estava "misturado num pedaço sem forma". Como Adão, todos os golems são criados a partir da lama. Eles eram criações de pessoas santas e muito próximas de Deus. Uma pessoa santa era uma pessoa que se esforçava para se aproximar de Deus, e por essa luta consegue um pouco da sabedoria e poder divinos. Um desses poderes é a criação da vida. Por mais santa que a pessoa fosse, no entanto, a sua criação sempre seria apenas uma sombra de qualquer criação de Deus.

    Desde cedo se desenvolveu a noção de que a principal deficiência do golem era a sua incapacidade em falar. As lendas sobre a iniciativa do homem fabricar um ser, seu semelhante, existem em praticamente todas as culturas. São narrativas que transitam ao longo dos tempos contando que algum titã, um mago, xamã ou herói ousado, desafiando os céus e as forças divinas, deu vida a uma criatura qualquer. Fantasias que herdamos da Grécia desde dos tempos em que surgiu o mito de Prometeu e que nos chegam até hoje, envoltas com outros nomes e novas fórmulas, mas que na verdade tratam da mesma coisa: o extraordinário desafio do homem criar a si mesmo.


    Coube ao rabino Judah Loew ben Bezalel, uma sumidade do judaísmo de Praga (cidade onde morreu em 1609) - orientando-se pelas instruções existentes no Livro da Criação de Eleazar de Worms (1160-1230) -, repetir de modo incansável todas as combinações possíveis ali encontradas a fim de gerar uma vida. Ele estava atrás, nada mais nada menos, de acertar a fórmula que lhe permitiria criar Adão Cadmon, o primeiro homem.

    Segundo a tradição dos místicos e dos cabalistas judeus medievais, corrente que Judah Loew seguia, Deus deveria ter feito o primeiro ser humano não de uma vez só, num gesto impensado, mas sim seguindo vários ritos possíveis de serem repetidos pelos estudiosos. Quem imitasse o Todo-Poderoso, reproduzindo-lhe o ato da criação, precisava antes de tudo ter muita paciência. Ao consultar-se os escritos sagrados, as disposições alfabéticas indicavam que era preciso, partindo das letras IHVH, fazê-las combinar 231 vezes para dar vida a uma criatura, ou o dobro, isto é 462, se desejasse fazer com que ela, depois de posta em pé, voltasse ao pó original.

    Finalmente, depois de um bom tempo, deu-se o milagre. Exatamente como os cabalistas imaginavam que ter-se-ia dado o nascimento original, de um monte de pó que haviam empilhado no gabinete do rabino, ao embalo da voz monocórdica dele, uma figura humana começou a tomar forma. Era um Golem (algo amorfo, sem formas ainda), que não disfarçava sua aparência de ter vindo do barro. Todo ele era encorpado e de cor de terra. Dizem que o rabino, para dar um sopro de vida àquela argamassa de aspecto humano, escreveu então sobre a testa da criatura a palavra Emet (verdade). A função que deram à criatura era muito simples: proteger os judeus do gueto.


    Ocorreu que não demorou muito para o Golem crescer. Cada dia ele ficava maior, enorme, ao ponto da sua cabeça romper com o telhado da casa do rabino. Ao invés da presença dele desencorajar as atenções dos gentios para com o gueto, deu-se o contrário. As multidões, ainda que temerosas, se aproximaram perigosamente para ver aquele assombro. Ao rabino Judah Loew não restou outra alternativa do que destruir a quem dera a vida. Pediu ao Golem que se abaixasse e, num gesto de contra-magia, apagou uma das letras da sua testa. Foi o que bastou para o gigante desmanchar-se em poeira.

    Ter um golem como servo era considerado como o mais elevado símbolo de sabedoria e santidade, e existem muitos contos de golem ligados a proeminentes rabinos através da Idade Média.

    O Filme

    O Golem foi adaptado poucas vezes para o cinema, sendo este o mais perturbador e hipnótico, ganhando vida pela estética expressionista alemã, tornando o filme um marco para a época. A fotografia brilhante de Karl Freund (fotografia que é um dos pontos altos do expressionismo alemão inclusive!!!).

    TRAILER DA EDIÇÃO
    Para muitos, “O Golem” é o mais antigo filme de monstro preservado até hoje. Wegener fez três versões do mito do Golem, a primeira em 1915, a segunda em 1917 e esta de 1920, subtitulado “Como Ele Veio ao Mundo”, sendo que as duas primeiras hoje são consideradas perdidas. Wegener mostra uma óbvia afinidade com a cultura judaica no filme, embora esta não seja uma visão diferenciada da religião judaica, pois seus personagens estão livres dos estereótipos anti-semitas que foram usados casualmente em filmes desse período.Nesta versão de 1920, os recursos empregados em algumas cenas são de uma qualidade e criatividade rara para a época. Não são apenas os efeitos visuais que impressionam em “O Golem”. O filme possui também um roteiro de ótima qualidade, com suspense e reviravoltas na trama. O fato de a criatura, em determinado momento, não mais obedecer a seu criador ao tomar consciência de sua existência, é um elemento que enriquece a trama.  
    O filme discursa sobre as consequências das atitudes do homem, buscando se igualar a Deus na forma de criador. De certa forma, a ideia se aproxima de Frankenstein, tanto na vontade dar vida quanto na tragedia que a situação tem por consequência.

    O Golem faz parte da excelente edição lançada pela Obras primas do cinema como podem ver na foto, que já está em seu segundo volume.

    Semana que vem, publicamos sobre os Nibelungos. Não deixem de adquirir,



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