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    CIDADE DOS SONHOS (2001) - DESVENDANDO O FILME



    Talvez não exista um filme que mais confunda a cabeça do telespectador que "Cidade dos sonhos". Daqueles que você sai do cinema com raiva, mas não por não ter gostado. Mas por não ter entendido nada. 

    A Classicline está relançando o filme, em uma de suas edições especiais em parceria com a livraria cultura (link no final do post)

    O filme, como muitos sabem, gira em torno de um acidente automobilístico na estrada Mulholland Drive, em Los Angeles. Ele dá início a uma complexa trama que envolve diversos personagens. Rita (Laura Harring) escapa da colisão, mas perde a memória e sai do local rastejando para se esconder em um edifício residencial que é administrado por Coco (Ann Miller). É nesse mesmo prédio que vai morar Betty (Naomi Watts), uma aspirante a atriz recém-chegada à cidade que conhece Rita e tenta ajudar a nova amiga a descobrir sua identidade. Em outra parte da cidade o cineasta Adam Kesher (Justin Theroux), após ser espancado pelo amante da esposa, é roubado pelos sinistros irmãos Castigliane.


    David Lynch escreveu a ideia básica para o filme nos anos 1990. Na época, o cineasta tinha em mente fazer um spin-off de Twin Peaks (1990). Depois a produção virou uma minissérie, com todas as nuances e mundos paralelos lynchianos possíveis. A emissora, depois de ter financiado a filmagem do episódio-piloto da série, abortou o projeto sem dar muitas explicações. A ideia parecia abandonada de uma vez por todas quando, no ano seguinte, Alain Sarde, da produtora francesa Le Studio Canal + (que já tinha trabalhado com Lynch em "Uma história real"), mostrou-se interessado na empreitada abortada precocemente. O produtor convenceu Lynch a finalizar o piloto e lançá-lo como filme. Depois de difíceis negociações, a Studio Canal + conseguiu adquirir os direitos sobre o material já filmado e, pelo menos no âmbito legal, não havia mais impedimentos para que o projeto continuasse. Porém, havia ainda todo tipo de dificuldades de ordem prática decorrente da retomada de uma produção cinematográfica paralisada durante dois anos: localizar e mesmo refazer figurinos e cenários, recontratar atores, encontrar uma agenda comum etc.

    Contudo, a maior dificuldade certamente era mesmo de ordem artística. O episódio-piloto, como era de esperar, não tinha uma conclusão e deixava sem resolução várias intrigas que provavelmente seriam exploradas no decorrer da série caso ela tivesse sido realizada. Lynch alega que, quando retomou a produção, não sabia como transformar o piloto em filme. O episódio-piloto original de Mulholland Dr. nunca foi comercializado. No entanto, é possível reconstituí-lo com alguma segurança porque o roteiro usado durante as gravações pode ser facilmente encontrado online.
    Pode-se dizer que o piloto corresponde às primeiras duas horas de filme e contém apenas a história de Betty, enquadrado como um sonho na versão final. No piloto não há nem a sequência do clube Silêncio nem a reviravolta tão desconcertante que ocorre em seguida. Tampouco há o envolvimento sexual entre as duas protagonistas.


    Lynch diz que não sabia como terminar "Cidade dos sonhos" na época da retomada do projeto. Até agora ele já deu ao menos duas versões diferentes sobre a gênese da ideia utilizada para terminar o filme. Na época do lançamento, Lynch, em mais de uma ocasião, disse que a ideia do sonho e das duas narrativas sobrepostas ocorreu-lhe quando ouvia Rebecca del Rio cantando a versão hispana de Crying, de Roy Orbison, que acabou por fazer parte do filme. Recentemente, no livro Catching the Big Fish: meditation, consciousness, and creativity, em que trata de seus processos criativos e de sua experiência com a meditação transcendental, afirma que a ideia surgiu enquanto meditava. 
    Sempre imaginei que a série, ainda que enigmática, faria mais sentido na cabeça do telespectador. Uma pena, pois não veremos isto...

    O filme...

    Primeiramente, percorrendo a internet, achei 10 pistas que o próprio Lynch deixou para entender o filme (consta nos extras do dvd!!!). A primeira é: no começo do filme, antes dos créditos, duas pistas são reveladas !!

    Ou seja, a própria pista é um enigma. Difícil hein? Continuemos. A segunda é: Fique atento para o que está escrito no luminoso vermelho (em alguns sites esta pista aparece como “fique atento quando aparece o abajur vermelho”). Terceiro: Qual o título do filme para o qual o personagem Adam Kesher está realizando teste de elenco? Ele será mencionado mais uma vez durante Cidade Dos Sonhos? Quarto: O acidente é um importante acontecimento em Cidade dos Sonhos. Onde ele acontece? Quinto: Quem entrega a chave azul e por quê? A esta altura, acho que já concluíram que é melhor ler as pistas, e rever o filme. A sexta dica: Fique atento para o roupão, o cinzeiro e a caneca de café. Sétima pista: Qual mistério é revelado no palco do Club Silencio? Oitava dica: Somente o talento de Camilla pode ajudá-la? Nova:  Fique atento para o objeto que está nas mãos do estranho homem que vive perto da lanchonete Winkie! E por fim, onde está tia Ruth?


    Desvendado !

    Primeiro e mais importante: a história é parte sonho. O próprio título é uma referência explícita a isto. E quando Naomi está sonhando, os personagens da trama aparecem com ela os sente e cercados de simbolismos. Alguns personagens, inclusive, são materializações de estágios de consciência e de sentimentos do personagem central. Ou seja, Naomi vira várias pessoas ou objetos, enquanto está sonhando.

    Complexo e genial, que só poderia sair da mente de um David Lynch. O diretor inclusive afirmou ter desistido de se submeter à psicanálise quando deu-se conta de que o processo analítico o tornaria mais consciente das implicações simbólicas das histórias que cria (e em decorrência mais auto-crítico), faz com esse filme um exemplo de grande visibilidade para ilustrar certos processos mentais. A psicanálise e o cinema constituem duas tentativas paralelas, gêmeas, para buscar externalizar, tornar visível, o funcionamento de nosso inconsciente.


    No sonho, existe uma culpa muito grande e a tentativa de encontrar uma “alternativa à atitude que ela tomou e que mudou uma vida”. Um novo caminho. Porém, o que nos causa confusão, é o que filme hora parece sonho, hora parece que a protagonista tem múltiplas personalidades, já que ela direciona eventos quando está sonhando. Porém, em estudos sobre sonhos, descobrimos que as pessoas conseguem controlar e direcionar o que acontece, dando ideia de que aquele momento é uma realidade alternativa. Diane, como vemos, é uma pessoa atormentada por ser uma atriz frustrada, ter tido uma forte desilusão amorosa e pela participação indireta em um crime. E através do sonho, tenta reverter os acontecimentos usando de pessoas personificadas da sua consciência, personalidade e sentimento. 

    Personagens e Objetos

    Vamos dar uma passada pelos principais elementos da narrativa.

    Dan: Ele estava no Winkie’s quando Diane contratou o assassino. Dan, no sonho, é a personificação da própria Diane, que conta que teve 2 sonhos idênticos naquele Winkie’s e que havia um homem atrás do Café que lhe dava medo. O homem é um mendigo aterrorizador que guardava a caixa (consciência dela). Dan representava a negação da realidade.
    Camilla Rhodes: representa a inveja e o ciúmes da Diane.
    Louise Bonner: subconsciente avisando que não era real, que as coisas não eram como pareciam ser, e que algo de ruim estava para acontecer.
    Irene e seu companheiro: Personificação da culpa, querendo pregar uma peça nela, pois no começo os dois a ajudam, logo depois, no táxi, o casal começa a agir rindo de maneira maliciosa. No final, os dois saem em tamanho reduzido da caixa azul e vão atrás de Diane na casa dela, pressionando ela a tirar sua própria vida.
    Bum: “Monstro” que simboliza a realidade.
    Caixa azul: consciência de Naomi.
    O cowboy: desejo de Naomi por domínio da situação. Adam e “Cowboy” se encontram e tem um diálogo interessante no qual, Adam tenta não seguir a regra: “a atitude de um homem revela que caminhos a vida dele vai tomar”. Ele será obrigado a selecionar Camila Rhodes (Laura Harring), essa atitude vai definir a vida dele. Se na vida real, Adam tivesse a atitude correta de não “roubar” Camila dela e de não dar o papel principal a Camila, esta poderia estar viva.
    Chave azul: lembrança da morte de Laura Elena Harring.


    Camila Rhodes ou Rita:  no sonho, é a consciência querendo abrir os olhos de Betty (Diane).
    Louise. A louca que ficava hospedada ao lado de Camila tenta avisar que algo ruim está para acontecer com alguma pessoa.
    O mafioso que cospe o capuccino: No sonho, um dos irmãos Castigliani é extremamente exigente com relação ao capuccino que lhe é oferecido pelos executivos do estúdio, chegando a cuspi-lo em um guardanapo depois de desaprovar seu gosto. Pois este mesmo homem é visto por Diane na festa de Kesher no momento em que a moça está tomando uma xícara de café (daí a relação inconsciente entre aquele rosto e a bebida).
    Coco, a síndica do condomínio: no mundo real é a mãe de Adam Kesher.
    Bob Rooker: o diretor que realiza o teste com Betty é o mesmo cineasta que, anos antes, havia rejeitado Diane em favor de Camilla, durante a produção de A História de Sylvia North. No sonho ele fica encantado com o talento de Betty/Diane.
    Clube Silêncio: é o lugar do encontro entre o sonho e a consciência.

    Além desses simbolismos, o filme não segue ordem cronologica, para complicar mais, além do fato de que hora é realidade, hora sonho, como dito acima. O filme é um enigma, e talvez não seja possível 100% de compreensão.

    "Imagine que um livro se torna best seller. Todos querem ler, todos adoram o livro e querem tirar dúvidas sobre seu conteúdo. Mas, antes do lançamento, o autor morreu. Então você é obrigado a descobrir as respostas sozinho". Assim a atriz Naomi Watts faz uma alusão ao enredo aparentemente não terminado de "Cidade dos Sonhos" (2001). O próprio Lynch teria feito a tal comparação.


    O filme é claramente dividido em duas partes, radicalmente diferentes. Quando começa a segunda você percebe que nada era o que se pensava até ali. Nomes são trocados, ou revelados, temperamentos mudam, atitudes e relacionamentos que pareciam uma coisa se transformam em outra. 

    As motivações dos sonhos são as seguintes: Os desejos eróticos que Diane/Betty sente por Camilla/Rita; Os ciúmes que Diane/Betty sente de Camilla/Rita em relação a Adam e à Garota;  A inveja que Diane/Betty tem de Camilla/Rita pelo seu sucesso profissional como atriz;  A culpa que surge por um impulso de vingança que Diane/Betty sente principalmente em relação a Camilla/Rita e também a outras figuras; A ambivalência que Diane/Betty exibe em relação às figuras parentais, que também é deslocada para Camilla/Rita, e às dúvidas quanto à sua origem. 

    Dois momentos, uma cabeça

    O título original do filme "Mulholland Drive" nos é apresentado através da imagem da placa que indica o nome dessa estrada sendo brevemente iluminada pelos faróis de um carro que passa. Depois saberemos que no carro está uma personagem central da história, eque para esse lugar convergem os eventos centrais da narrativa. A breve luz lançada sobre o nome da estrada que costura todos os pontos soltos do enredo é uma eficiente analogia da breve e mutante luz da consciência. 

    Ter escolhido Hollywood onde ele próprio reside  para ser o local de sua crítica à despersonalização da vida atual, não se dá apenas em função do Condado de Los Angeles constituir uma grande metrópole. Uma cidade pós-moderna por excelência, com seu urbanismo projetado para o automóvel – lugar de trânsito, onde predomina o sentido da impermanência e seus diversos centros, a mimetizar na vivência urbanística o descentramento da personalidade que está na base de sua principal atividade econômica, a indústria do audiovisual. Nessa cidade emblemática como lugar da representação e da constante troca de personalidade, significativa parte de seus habitantes sonha ser outra pessoa, nas telas e na vida real. Em Los Angeles muitos dos garçons, manobristas, balconistas, guias turísticos, etc., só o são enquanto esperam sua grande (ou, em geral, pequena) chance no cinema e na TV.


    As palavras “Mulholland Drive”, e a imagem noturna da placa iluminada pelos faróis constituem a própria ideia geradora do filme, segundo Lynch. Processo de criação e tema, para ele, funcionam de maneira convergente. O lugar estratégico ocupado por essa via (situada na Serra de Santa Mônica, que separa o sul de Los Angeles do San Fernando Valley) não é de importância menor para a economia simbólica da narrativa, se levamos em conta o processo criativo de Lynch, sua relação orgânica com Hollywood, e o tema recorrente do desejo, sobre o qual esse filme se constrói. Mulholland Drive, atualmente um endereço de prestígio nas colinas da cidade, é a estrada que foi concluída em 1924 pelo engenheiro William Mulholland, então diretor do Departamento Municipal de Águas, para ser utilizada como acesso aos reservatórios. Boa parte do sul da Califórnia é uma região basicamente árida, constituída pelos desertos de Mojave e do Colorado. Por isso o abastecimento de água dependeu da criação daquela que é hoje considerada “a mais complexa rede de abastecimento do mundo”. Donde a questão da água constitui um tema fundamental no imaginário angeleno. 

    No contexto desse filme, e levando em conta seu processo de criação tal como descrito por Lynch, as represas (ausentes visualmente, “censuradas” ao campo da consciência, mas presentes na tradição do imaginário coletivo dos habitantes) ganham uma conotação de afeto reprimido. Na interpretação psicanalítica, a água freqüentemente adquire a conotação simbólica do afeto. O afeto, enquanto estado mental, envolve o reconhecimento de um processo já sucedido – o que torna o cinema um perfeito meio para induzir esse tipo de emoção, pois na fita que vemos projetada na tela tudo já é passado, e implica a imanente distância própria ao reconhecimento.


    Assim, os “pequenos lagos” e seus “canais”, formados pelos episódios pregressos da história de alguém, podem ser visitados através dessa estrada, que constitui um “caminho das águas”. De todo modo, esse percurso é de natureza não-racionalizável. O que convém particularmente para se contar a história de uma mente perturbada ao ponto da alucinação, como é o caso da personagem central desse filme. Pois aqui essa estrada percorrida no processo da perturbação mental adquire o sentido metafórico da “estrada perdida”, de que trata um filme anterior do mesmo cineasta.

    A noção mesma de uma estrada perdida possui um forte apelo de conexão com processos inconscientes. Uma estrada, para ficar perdida, precisa primeiro ter sido abandonada, posta fora de uso; depois, que aqueles que a usavam se esqueçam até mesmo de que ela um dia existiu. Tal noção poética evoca o processo psíquico da forclusão (recalque originário), que preside a criação do inconsciente radical, conforme a descrição que Freud faz desse evento. No universo lynchiano, a metáfora da estrada aparece como o equivalente de uma busca de conexões entre eventos, uma tentativa de fazer sentido, da mesma forma que a narrativa que fazemos para nós mesmos, após o despertar, das imagens mal conectadas dos sonhos. Lynch está nos dizendo: existe uma conexão, só que essa constitui uma rota perdida.


    No sistema narrativo de Lynch, essa rota perdida não permite, como ocorre no cinema convencional, que a repetição (própria ao desencadeamento das emoções) apareça como o lugar de uma resolução lógica. Se o inerente ao discurso cinematográfico é permitir a revisitação de lugares imaginários, em Cidade dos Sonhos esse retorno ao mesmo apenas acentua a presença do abismo que se coloca entre o possível sujeito dessa enunciação e sua consciência alienada. O salto final nesse abismo vem com o suicídio da personagem. Retratando a abertura infinita do sentido no discurso do inconsciente, Lynch retorna ao que há de potencialmente mais promissor na origem do cinema como forma narrativa. Constrói assim um filme impossível de ser fechado pelo espectador, verdadeira máquina narrativa de dinâmica combinatória, que vem propiciar uma infinidade de percursos, uma multiplicidade de histórias potenciais. Seu filme aparece dessa maneira como narrativa que remete, ficcionalmente, não a um referente fixo, mas como estrada simbólica que permite revisitar sempre os mesmos lugares, que se revelam porém a cada vez dotados de sentidos e possibilidades de articulação diferentes, mas também complementares na articulação de um sentido  que a todos ultrapassa individualmente. Lynch faz aqui uma demonstração eloquente de que, de tudo aquilo que nos acontece na vida, o mais importante é o que nos ocorre no espaço mental. 

    A passagem para o segundo ato da história é iniciada pela decisão de “Betty” de investigar o suposto acidente em Mulholland Drive. 

    Basicamente, as duas partes são resumidas desta forma:

    O início do filme começa mostrando um concurso de dança, o qual Diane Sellwyn venceu, e que a motivou a ser atriz e mudar-se do Canadá para os EUA (Hollywood), além disso, ganhou certa quantia de dinheiro depois que a tia morreu. Após a cena do concurso/introdução do filme, Diana se deita para dormir (nessa cena, não aparece um personagem, apenas a câmera em primeira pessoa mostrando que alguém abatido está prestes a deitar). O sonho dela e o filme começam a partir desse momento.


    Para entender, é preciso inverter a ordem temporal do filme. O início na verdade, acontece numa festa dada pelo diretor de filmes de Hollywood, Adam. Na festa, Diane Sellwyn é convidada por Camila Rhodes, a essa altura, sua ex-amante. Lá, Diane sofre os piores tipos de pressão/humilhações psicológicas. Por exemplo, ela fica sabendo na mesa de jantar que sua amada e ex-amante vai se casar com o diretor do filme e após perguntas na mesa de jantar, fala sobre o concurso de dança que venceu, o sonho de ser atriz e o fato de que foi preterida ao papel principal de um filme (o qual Camila ficou com o papel principal – inveja). É nessa festa que o inconsciente já perturbado de Diane seleciona a maioria dos personagens que ela vai colocar na história criada no sonho dela. 

    Depois dessa festa, ela decide pegar parte do dinheiro herdado de sua tia e contratar um assassino profissional para matar Camila. O trato é feito no Café Winkie’s, onde uma garçonete chamada Betty os atende. Betty é a personagem que, no sonho, Diane decide interpretar, uma pessoa dócil e agradável. Ao entregar o dinheiro, o assassino diz que assim que tiver terminado o trabalho, irá deixar uma chave azul em um local visível para ela. Essa chave é um símbolo, como dito. E Diane pergunta o que a chave abre, e o assassino ri.

    No sonho…

    Betty (Diane) chega a Los Angeles para realizar o sonho de ser atriz e conhece um simpático casal de idosos. Ela ficará na casa da tia por uns dias, onde Coco (mãe de Adam na realidade) é a responsável das casas.

    Lá conhece, por acaso, uma estranha que se diz chamar Rita e que perdeu a memória. Além de ter perdido a memória, está com uma bolsa com muito dinheiro (herança da tia de Diane na realidade) e uma chave azul com formato diferenciado. A busca para recuperar a memória e saber o porquê de tanto dinheiro e pra que serve a chave começa, e vão atrás de pistas. Descobrem que houve um acidente em Mulholland Drive um dia antes. No Winkie’s, a estranha lê o nome da garçonete no broche de identificação, a mesma se chama Diane e ela se lembra do nome Diane Sellwyn, buscam na lista telefônica e descobrem o endereço da desconhecida. Vão até o local, e batem na porta, onde uma desconhecida (ex-namorada de Diane na realidade) abre a porta. A mesma diz que trocaram de casas há um tempo, as duas vão para o novo endereço e invadem a casa, lá descobrem um corpo feminino com um tiro na cabeça em estado de putrefação (corpo de Diane no sonho, que pode simbolizar a morte da vontade de viver).


    As duas vão embora assustadas e tentam mudar a aparência da estranha, temendo pela vida da mesma. Ela usa uma peruca como a do cabelo de Betty. As duas fazem amor e no meio da noite, a estranha acorda e pede para que vão a um local: o clube Silêncio, no qual acontece um show bizarro. No show, há várias menções de que tudo é uma ilusão/gravação e então, parece que, aos poucos a realidade vem à tona para Betty. Começa a tremer e no meio do show, chorar muito. Uma garota que canta em espanhol, fala do amor, pergunta o que pode fazer já que a pessoa amada não a quer. Enfim, todo o sofrimento de Diane ao ser trocada por Adam. Após isso, a caixa aparece na bolsa de Rita, pois está pronta para ser aberta/descoberta.

    Ao chegarem a casa para abrir a caixa, Betty desaparece e Rita abre a caixa. A consciência vem à tona. Percebe-se que a chave abre o consciente (caixa) de Diane, fazendo-a encarar a realidade, pois ela estava perdida no pseudo-sonho, onde havia criado uma realidade alternativa.

    Lynch nem de longe facilita a vida do telespectador. Querem um exemplo? Há sonhos na parte da realidade, e a realidade nos sonhos. 

    Resumindo a ópera: o filme é uma edição de um piloto de uma série com um final, que não seria o final da série. E ele é formado pela realidade dura da protagonista, e do sonho, que ela direciona para solucionar seus traumas que residem no subconsciente.


    O filme é isto. Uma obra prima, com tantos questionamentos e explicações, que não caberiam num livro. Mas espero, que através deste post, quem ler, tenha o interesse em rever o filme e preencher lacunas que surgirão. E que este post seja um guia, para percorrer os sórdidos labirintos da mente do diretor David Lynch.

    O FILME PODE SER ADQUIRIDO COM DESCONTO NO LINK ABAIXO
    CIDADE DOS SONHOS PELA CULTURA

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