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    TEMPESTADE DO SÉCULO (1999) - FILM REVIEW


    TEMPESTADE DO SER HUMANO

    Imagino que muitos não gostam das adaptações dos livros de Stephen King para o cinema ou tv. E por razões pertinentes. Algumas adaptações fogem totalmente da proposta do livro. Outros reclamam da pobreza dos efeitos ou mesmo amadorismo nas produções. 

    Eu não sou destes. Amo quase todas as adaptações e sempre revejo algumas. Certamente que tenho minhas preferências, mas eu curto inclusive algumas tosqueiras, como Comboio do terror que eu assisti, desde o VHS (tapem os ouvidos !!) mais de 100 vezes (parei de contar!!!).

    Dito isto, revi Tempestade do século, lançado pela Empire films (que vai disponibilizar muita coisa do King, fiquem ligados).


    A produção conta a história de uma cidade, que tem sua rotina alterada quando está prestes a receber uma violenta tempestade de neve. Paralelamente Andre Linoge (Colm Feore), um ser estranho, chega na pequena cidade e cria pânico e morte entre os moradores. Ele sabe tudo sobre todos. Mike Anderson (Timothy Dale), o policial da cidade, tenta manter cada um em alerta contra a forte tempestade e Linoge. Porém, enquanto as pessoas batem cabeça na cidade, ele repete sem cessar "Dê-me o que quero e eu irei embora", sem explicar o significado exato destas palavras.

    King arma seu circo, muitas vezes com elementos parecidos: grupo de pessoas ilhadas tem que lidar com algum evento, normalmente sobrenatural e ao mesmo tempo, lidar com as diferenças (de forma violenta, na maioria das vezes).

    Diferente do que se imagina “A Tempestade do Século” não é uma adaptação. Stephen King escreveu o roteiro direto para a tv (posteriormente o livro foi lançado, mas em forma de roteiro de cinema, nos EUA), talvez por isso tenha se tornado uma das melhores histórias. O formato original do filme era como uma mini-série em três episódios, que posteriormente foram copilados em um longa metragem de 4 horas de duração.


    Stephen King tem a mania de intercalar suas histórias através de citações, homenagens ou mesmo breves participações especiais de personagens de outras obras suas. Em “A Tempestade do Século”, Little Tall, a ilha onde a história acontece é a mesma onde se passa a história de “Eclipse Total” (Dolores Clairborne). Durante um trecho do filme um dos moradores faz um comentário relacionado a Derry, local onde se passam diversas das histórias de King.

    Stephen King costuma fazer uma participação especial na maioria dos filmes que se baseiam em suas obras. Com “A tempestade” não foi diferente. Ele é o homem que aparece no programa que está sendo exibido na tv de Martha Clarendon, logo no inicio do filme. Em um trecho do filme podemos ver um dos personagens lendo o livro “The Little Pig”, um dos favoritos de Danny Torrance, o garotinho do livro “O Iluminado”.


    O filme faz um interessante paralelo entre A tempestade e Linoge. Ambos são fortes, muitas vezes mudam de direção rapidamente, são capazes de destruir e depois de passarem, deixam rastro de destruição. Mas no caso de Linoge, a destruição é interna. Através de uma morte, ele expõe as mazelas da cidade, enquanto observa as pessoas se perderem em meio aos seus pecados e desmandos. Ele se assemelha a um demônio, que busca um filho, um sucessor. E através disto, expõe um sociedade que está bem longe do ideal. Ao final, quando ele deixa a escolha: morrem todos ou um só, já não restará dúvidas em nós, telespectadores, que eles sacrificarão um membro, remetendo ao antigo testamento. E Linoge faz às vezes de um Deus maligno, buscando seu Jesus para substituí-lo em algum momento.

    As "viagens" que King faz são quase sempre alegóricas, mostrando o que o ser humano é capaz de fazer em uma situação limite. A tempestade do século acontece, na verdade, nos seres humanos.

    É uma produção obrigatória. Já nas melhores lojas...



      

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